A 5ª onda: opinião

Quando fiquei sabendo que esse filme estava em cartaz, pensei “Mas uma distopia…”. Não é que eu não goste do gênero, mas já cansei. Li “1984” de George Orwell e “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley muito tempo atrás, simplesmente porque são leituras obrigatórias para a vida e acabei gostando muito de histórias que imaginam um futuro imperfeito onde conceitos que temos hoje caem e dão lugar a outros.

Quando fiquei sabendo sobre “Jogos Vorazes” não dei à mínima, porque tínhamos acabado de sair do “Crepúsculo” e imaginei que era outro filme com triângulo amoroso com outra menina apática. Uma amiga minha acabou recomendando o filme, me contando um pouco da história e eu acabei dando uma chance. E daí por diante foi só amor, até o “Esperança: parte 2”… Assunto para outro texto.

Inicialmente, na sala de cinema, a ideia principal do filme me deixou fascinada e eu acreditei por alguns minutos que poderia ser melhor que “Jogos Vorazes”. Não foi. Logo depois do ataque das quatro ondas é impossível não ficar perturbada com a quantidade de clichês: motivo banal para se ficar para trás (o urso que a criança não vivia sem, mas esqueceu), amor inexplicável e à primeira vista, o triângulo amoroso desnecessário, protagonista sem habilidade e força matando militar alienígena no braço, personagens rasos e um final bem “foda-se”.

Desconfio fortemente que a indústria do cinema deseja transformar esse movimento tão bacana que surgiu na literatura empoderando as jovens em mais um monte de “Crepúsculos” somente por medo de fazer o que tem que ser feito.