Descreva-se
Cabelos castanhos amarrados em forma de coque. Seus olhos são verdes, penetrantes, harmonizando com sua sobrancelha que parece permanecer levantada. Vive a vida sem regras e se frustra por isso. Tem sonhos, mas geralmente realiza os alheios. Tem no braço direito uma tatuagem de flores, preta e branca, que se esconde na manga cumprida da sua camisa. Usa calça preta e botas marrons de cadarço, cano baixo. Diz acreditar em Deus, mas não segue uma religião. Não assiste TV. No pulso usa um relógio dourado e nos dedos alguns anéis de prata, inclusive uma aliança. As unhas não parecem estar pintadas e não tem nenhuma maquiagem em seu rosto. Trabalha em escritório de segunda a sexta planejando o que fazer no fim de semana. Seus lábios são carnudos, seu quadril largo e seus passos firmes. Não come carne. Não é rancorosa. Não suporta preconceito. Anda com uma bolsa transversal preta, nela carrega sua carteira azul, seu celular de tela rachada e um livro com post-its. Enrolado em seu pescoço está um cachecol em tons de marrom. É míope. Toda semana cria uma planilha nova e na semana seguinte deixa de usar. Ouve música o dia todo. Gosta de ler, fotografar, escrever, comer chocolate e deitar pelada de baixo do cobertor depois do banho. Foi criada pela avó, aprendeu que calça molhada se pendura pela cintura e que ao passar o condicionador, deve-se desligar o chuveiro — mas não pratica nenhuma dessas coisas. Seu sorriso largo não aparece sempre. Não sabe jogar vídeo game, usa a desculpa que não teve um na infância. Gosta de esportes e leva jeito para a maioria deles, mas tem preguiça de praticar. Põe o feijão por cima do arroz.