Acho bastante interessante o ato de fetichizar as ações humanas. Sou adepto à esse movimento interior que me permite amplificar em proporções oceânicas as emoções e pequenos gestos. Fetichizar é uma forma de conjugar aquilo que não é verbo. Não é verbalizar é mais que isso, mantém a essência e amplifica-a. Como da vez que ouvi, em pouco tempo, o sorriso e fetichei; tornei único para mim — dentre outros que saíram dele. Idênticos, contudo tão diferentes. Esconde, cada um, em si um segredo; uma formação. Cada sorriso não é uma expressão do mesmo, é outro. Nada permanece igual, tudo muda. É o que a natureza ensina. A PERMANENCIA É SEM GRAÇA! A estabilidade é uma miragem, uma falsa sensação de que tudo tá bem, que tudo fica. Mas, novamente, tudo muda. Tudo se redefine, o fetiche se encontra em um espaço e tempo que nunca é encontrado novamente. O tempo vai e vem, vamos para demasiados lugares. Nada é igual. Talvez pudéssemos encontrar um sentido na ausência dele, mas logo se esvairá, pois tudo muda. O momento é mágico, o agora é incrível. Eu me sinto, eu sou e nós sabemos disso. Decidimos então aceitar e ser, aquilo que muda eternamente. Permanecendo, apenas dentro de nós.