A felicidade em doses homeopáticas

Estamos sempre ansiosos, imaginativos e querendo alcançar a plenitude, como se a felicidade tivesse coordenadas e dependesse total e exclusivamente de objetos, pessoas ou fórmulas a serem seguidas.

Vai dizer que você nunca pensou que quando enfim fizesse 18, quando namorasse com aquele menino ou menina que há meses você vem dando mole, quando fosse promovido à analista júnior, pleno, sênior… quando isso, quando aquilo, quando… quando finalmente conseguisse seria feliz?

A gente sempre projeta nossa felicidade em algum lugar no futuro e estabelecemos metas, metas, metas e mais metas.

Então quando alcançamos essas metas, temos uma satisfação momentânea que não tarda a nos deixar e lá vamos nós estabelecer novas metas.

Por favor não me entenda mal, não há nada de errado em querer conquistar um carro novo, uma casa maior e até um cachorro em futuro próximo. Na verdade é perfeitamente normal (eu também quero essas coisas).

Do que eu realmente tenho medo é de nunca dar o devido valor ao agora, de sempre conjugar o verbo “ser” no futuro quando ele for seguido da palavra “feliz”.

Uma vez eu li em livro a seguinte frase:

“A viagem é a recompensa”.

E a cada dia que passa eu entendo melhor o sentido dela.

Não precisamos chegar ao nosso destino ou alcançarmos nossos objetivos, para começarmos a desfrutar da felicidade.

Eu não quero felicidade em doses homeopáticas, não quero fazer dela uma droga contida em cápsulas, cuja receita diz:

- Engula sempre que bater uma meta.

Não quero que a minha felicidade fique completamente condicionada à coisas, pessoas ou esteja aprisionada para sempre no futuro.

Precisamos de uma felicidade que dependa de menos conquistas e de mais contentamento.

De menos “quando” e mais “agora”.