O era e o será.

Não quero olhar as horas. Sei que já é tarde e o coração arde por saber que não terei mais o toque do meu celular. E nem o interfone pra avisar que a saudade bateu e você, sem demora, correu pra me abraçar. Sei que é tarde porque a noite alarde e a escuridão insiste em me fazer lembrar. De você, de mim e do seu cheiro no ar por mais clichê que isso tende a soar. E a pergunta que não cala é dita e repetida na mente fraca que insiste em querer saber no que é que vai dar.

Se vai dar.

Quando vai dar em alguma coisa que a gente se orgulhe por todo o tempo de espera que quase me faz acreditar que esse “era” nunca mais dará. Mas nunca é muito tempo. Sempre também é tempo demais. E eu já não sei mais se esse era ainda será.
Será?
Sei que já é tarde mas a saudade insiste em vir machucar. E entra pela porta aberta que deixei para você não precisar bater quando chegar. Mesmo presente, você virou saudade. E me surge a vontade de já te pedir pra voltar quando te vejo atravessar o portão depois da despedida, me deixando abatida pensando em quanto tempo mais falta pra você se prender de vez na minha vida covarde.

Mas eu sei que já é tarde. A noite cai mas o que desce é o calor que você me deixou junto com um corpo quente sem sensatez. E eu volto a pensar no tal era uma vez que dá medo de nunca mais ser de novo. Mas nunca é muito tempo. E eu sigo nesse nosso lento passar, com o pesar do desalento que parece não querer me abandonar. Por favor, tente lembrar da gente e do amor que deixamos passar, onde outros impediam a nossa música de poder tocar. É aqui que você vai nos deixar?
O vento se camufla no escuro da noite e entra pela varanda que eu deixei aberta pra te ver chegar. Mas sei que já é tarde e não adianta mais te esperar por hoje. Quem sabe ligar?

Quem sabe amanhã?


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