Me perdoe os ‘vacilo’

I know from experience: até as mais fortes amizades acabam.

Ou se transformam em algo mais ou algo menos. Possível eufemismo para uma infinidade de questões indecifráveis.

A transformação de algumas dessas amizades parece ser o status quo mais recorrente na minha história e o mais difícil de digerir. Talvez porque no meu íntimo não as deixo desencarnarem em definitivo, mas mesmo quando desencarnam, há um ranço proveniente das rotinas sociais (ex.: aniversários), recorrentes dessa ideia equivocada de que as relações genuinamente verdadeiras não se desfazem na ausência.

Não é verdade.

Qualquer relação voluntária necessita de presença. E os meios para cumprir esse objetivo são inúmeros.

Mande uma mensagem. Converse por 10 minutos. Marque um cinema. Pergunte “como vai você?”. Compartilhe uma lembrança. Conte uma novidade. Abuse do @ na era digital. Divida uma nova música. Vejam-se quando for possível. Transformem-se juntos.

As demandas diárias e as exigências pessoais ditam a quantidade e a qualidade de cada opção, mas não há desculpa suficientemente plausível para não selecionar alguma e ofertá-la mesmo que o intervalo de tempo entre as ofertas varie.

Não acredite que não haja tempo. Pode-se ter esgotado a vontade. E tudo bem.

Hoje uma antiga amiga faz aniversário. Em alguns dias a esposa de um outro amigo. Em alguns meses o primeiro ano de aniversário do filho de um. Assim por diante.

E obviamente isso cria uma reflexão: “Por quê? Fiz alguma coisa ou deixei de fazer? me perdoe os vacilo”

Uma amizade em especial e muito especial parece não querer desencarnar. Para mim já está no paraíso. Mas apenas depois das minhas inúmeras desfibrilações. As vezes há um estágio onde as amizades se tornam muito unilaterais. Um processo doloroso de tentativas e de superação necessária para reconhecer que deixou de ser.

Mas hoje preciso ir lá cumprir tabela, diminuir a distância, manifestar uma pequena fração do que já foi um dia.

E enfim…é normal quando há um ponto final. Para tudo há um ponto final. Mesmo que gostem de vender o contrário. Não seria diferente aqui.