Crônica cotidiana
Eis que sai eu de um canto da cidade para ir até outro ponto encontrar um amigo, eu mulher pequena com minha cara de mais nova e não que se venha muito ao caso agora, chego na rua quase deserta olhos os dois lados e fito as escadas nenhum sinal (eu por ser míope tambem nem veria nada, o muleque só usa preto e com a miopia já não ajuda muito).
Volto uma quadra e convesso com a pessoa que está ocupando a esquina, explico que não quero atrapalhar nem nada e que só estou aguardando um amigo, que da última vez haviam me confundido e isso é meio que gatilho para crises de pânico ela(e), desata a falar: — Nossa gata até achei que fosse subir essas escadas sozinha sabe que é super perigoso tu soube do menino que morreu na 13? Por causa de um celular, aqui mesmo semana passada assaltaram a menina do outro lado da rua, diz que nem tinha terminado de pagar ainda e eu mesma a quinze dias atrás levei um murro na cara que achei que era um coice cai no chão limpei o sangue da boca com a polaina e voltei pra casa…
Nisso começo a observar a segunda que sobe a rua só de calcinha pé ante pé e pergunta quem é essa Thaty? Toma um gole de catuaba pra calibrar pq diz que hoje os boff tão tudo louco.
As duas continuam a narrativa e eu pergunto se não to atrapalhando pq tem um carro preto com vidro fume estacionado do outro lado da rua. — Não gata fica tranquila que isso é gente caçando pokemon não ta caçando prazer não essa gente perde a vida em busca de pokebola, mas esses muleques que me assaltaram dava pra ver a maldade no olhar sabe já nascem com isso não tem escolha e ta tudo muito complicado to te contando sobre os últimos quinze dias te recomendo tu dar uma volta na quadra até teu amigo aparecer não é lugar pra menina igual tu aqui.
Nisso aparecem dois clientes perguntando quanto é e eu me escondo na sombra de longe vejo o vulto preto e digo que meu amigo chegou, me despeço das novas amigas e desejo força na luta, elas agradecem e continuam a propaganda.
Atravesso a rua e começo a supir degrau após degrau pensando o que elas não passam no decorrer da vida e o que eu ouvi em cinco minutos e imagino toda minha zona de conforto achando que eu sei algo sobre a vida.
Ascendo um cigarro pq é mais fácil de tragar.
Mundo cão.