Diálogos part.1

Eu te vi perdido no tempo e meio que dei uma volta no interior, aqui já nem tocavam as mesmas músicas e o sol brilhava tão forte que até aqui por dentro aquecia, também acostumei as duas taças de vinho pra preencher algo que já estava cheio e transbordou, levanto da cadeira dou o play e sigo a musica até a cama, pernas pra cima, cabeça para o alto, cada detalhe é importante pois os caminhos mentais ajudam a justificar a falta.
Observo o quanto as plantas cresceram na minha ausência e eu nem sabia se a ausencia era fisica em casa ou se era eu que tinha ficado ausente do meu corpo mesmo, quando entrei no consultório e fitei a figura na poltrona a frente ouvi tanta coisa que me fez crer na luz do fim do tunel e no fim achava que poderia sim haver alguma mudança em tudo isso, por que dentro da minha cabeça as coisas pareciam tão simples em um mundo tão complicado, falamos de guerra, falamos de falta de dinheiro, é o menor que assalta, e tem o deficit na educação é um milhão de problemas, com milhares de pitaco e nenhuma solução, desde pequena ficava pensando nisso tudo e o que era um quadro branco se tornou um emaranhado de existência, as criticas a sociedade o fato de não aceitar a forma que as coisas andam, ter diversas ideologias e tentar exercer a empatia acima de tudo.
Questionar o mundo e os costumes da sociedade te traz alguns diagnósticos psicológicos e uma boa dor de cabeça fora as cartelas de medicamentos, um vazio crônico e uma sensação intensa de não ter nenhum tipo de cordão umbilical com o mundo.
Então ela para olha para o meu rosto depois de uns minutos de silêncio e eu observando como seria voar através da janela do oitavo andar e eu me viro e falo:
Me sinto como um relógio desses analógicos que trocam o número a todo minuto, o humor, o mundo, o que eu sinto, parece que atinge de todos os lados e tudo é tão inconstante, não consigo identificar nem fim nem começo parece tudo uma incógnita e meu cérebro é um emaranhado de caracteres buscando ordem.
Paciente ela responde:
Então é isso o mundo? inconstante, desejos, vontades, mutáveis, estamos em constante mudança, qual a necessidade de se cobrar por ainda não ter encontrado um sentido? por que as pessoas insistem em buscar um sentido nas coisas? quem te disse que eles lá fora realmente vivem? quem sabe identificar quem vive ou quem representa apenas um personagem de si? quem pode justificar a nós os personagens que interpretamos e as mascaras que se trocam dia após dia?a sociedade tem medo de quem fala o que sente, de quem faz o que tem vontade, a sociedade tem o medo da liberdade pois nunca se sabe o que vem depois dela, as pessoas não são acostumadas ao inesperado, algumas nem com a felicidade sabem lidar pois estão tão acostumadas a estarem mal, que estar feliz é algo tão novo que não sabem nem por onde começar, e não cabe a nós resolver todos os problemas do mundo…
Parei de fitar a janela e por um momento fiquei confusa se ela era eu…
Continua…