Fazem doze anos que não consigo aquietar os dedos, e tudo vai virar um livro aberto dessa história que jamais termina, eu ja não distinguo mais a realidade da fantasia até pq a realidade de tão longe que já foi me vem me parecendo fantasia e hora ou outra aparece e me golpeia atrás dos joelhos pra que mais uma vez eu caia aos teus pés.

Eu sinto como se tivesse que exorcisar todo esse sentimento que parecem mil demonios q falam ao pé ouvido coisas que eu insisto em não querer esquecer, de joelhos dentro da minha cabeça com meu colar de chaves no pescoço eu percorro porta por porta guardando uma por uma, cheiro, voz e tato, mementum a mementum... saio de costas q é pra não danificar, ou talvez com medo que tu me finalize mais uma vez, é engraçado em como eu insisto que tu fique mesmo quando tu ja está virando um borrão, mesmo depois de eu ter rolado em outros lençóis que não o teu, mesmo que eu tenha beijado outras bocas e não tenha sentido absolutamente nada, eu erro o nome das pessoas chamando pelo teu, eu entro nos tubos de ônibus da cidade ouvindo as nossas musicas e sem misericórdia nenhuma o universo coloca ao meu lado uma alma qualquer usando o teu perfume e só falta eu acender um cigarro me prostrar no chão e berrar...ver se ecoa, ver se ultrapassa três estados, você meu querido (irônica mesmo pq tu odeia) ta virando meu bode expiatório, alguém em quem eu canalizo todos os meus afetos e desafetos, mas eu te amo mesmo assim...eu sempre volto pro mesmo lugar implorando na tua cama, repetindo Stay frase por frase, sabendo que não tem salvação mesmo, eu que não rezo já sei o rosário, ja fiz a romaria e a via sacra das memórias, percorri roma ao contrário, gritei no teu portão, pedi desculpas na tua porta, até me apeguei ao teu cachorro mesmo preferindo gatos...andei de mão dadas contigo coisa que eu não faço com ninguém...desejei comer fruta direto do pé, dormir apertada no armário debaixo da escada, te deixar dormir mais um pouco só pra te ver dormir, fazer chocolate sem leite no frio pra nós não morrermos os dois... As musicas são sempre as mesmas...a sintonia parece estar destoando e eu to tentando me equalizar de novo na tua rádio mas que difícil docinho...fica bem, continua tomando café enquanto tu joga teus jogos estúpidos e acumula garrafas de vinho na escrivaninha, enquanto tu conhece outros corpos...a cada gole tu vai ficando mais distante e uma hora nem vai mais doer tanto, por que toda ressaca passa...até essa que os teus olhos me causam...