Porque lá na frente o que nos espera é maior

Foi seguindo como um rio, que sabia que o seu destino era o mar.

Carlos Sousa
Sep 4, 2018 · 2 min read

Haviam pedras nas quais a água batia. Causava aquela revolta, sabe? Stchbum! Mas não parava, seguia em frente respeitando o fluxo. Ganhava força, descia mais a corredeira e quando acreditava ter encontrado um caminho sem interrupções, stchbum de novo. Nova pedra, nova tentativa de impedimento. Tentativa. Não impedimento. As águas precisam rolar, o rio precisa seguir.

Esse rio, já chamei de vida. Esse mar, eu chamo de dádiva. E essas pedras, como diria Fernando Pessoa:

Muitas vezes, no caminho do nosso rio não damos valor a pureza das águas, nem reparamos na natureza que nos cerca. O que vemos são as pedras, muitas já até ficaram para trás, mas insistimos em lembrar de como elas se colocaram em nosso caminho. É difícil contemplar quando se está sendo desafiado, porém é na contemplação que absorvemos o entorno, o entorno que nos molda, o entorno que nos faz ser quem somos.

Há tanta beleza além do 1% de pedras que se põem em nosso caminho!

Com as pedras aprendi que o caminho nunca será engessado, por oras, precisará ser desviado. Com as águas aprendi que nem sempre será calmo, as vezes, um alvoroço acontecerá. Com o mar eu aprendi que é ele que eu espero, pois é nele que vou chegar, é na imensidão da beleza da construção divina que eu quero viver.

Com esse texto eu quis dizer que nada é fixo, tudo é fluído. E se é para ser fluído, deixemos acontecer. Percamos o medo da insegurança que o novo nos causa (taí nossa necessidade de fixação, conservação do que já existe), recebamos as coisas boas que as novidades nos traz.

Tenho dito muito isso e quero deixar aqui registrado para um dia me lembrar de ter pensado assim:

“Vamos nos permitir!”.


Até aqui, muitas águas já rolaram, muitas pedras eu trombei e quando pensei em ter chegado ao mar,… Humpf. Não, ainda não cheguei ao mar. Mas eu cheguei ao lugar em que minhas águas, mesmo passando por pedras, estão cercadas de belezas. São pássaros que estico o braço tentando no céu alcançá-los, são peixes que me debruço às margens, forçando os olhos para enxergá-los, são ventos que aos pés dos meus ouvidos soam como a trilha sonora do filme de minha vida. São pessoas que me cercam e me ajudam a remar essa jangada, que não vou deixar parar.

Carlos Sousa

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Gosto de falar, mas tenho dúvidas se as minhas palavras ditas são em vão. Então, resolvi eterniza-las com a escrita.

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