Ele e ela

Esse texto faz parte de um projeto meu que vem há tempo sendo escrito. Não tenho títulos ainda, por isso fica aqui um rascunho que revisei hoje a tarde. Não sei qual será o futuro dele, mas espero que fique legal ao ponto de poder mostrar algumas ideias de amor por aí.


Ele a fitava sem piscar. Se fechasse os olhos perderia aquela beleza. Deixaria escapar algum detalhe importante. Deixaria de admirar aquele sorriso sincero que apenas ela sabia lhe oferecer. Não queria perder um segundo ao lado dela, não queria dar a chance de qualquer vazio tomar conta deles.

Todo o tempo ao lado dela nunca seria o bastante.

Os feixes laranja do final da tarde escapavam nos contornos dela, misturando as todas cores presentes. Conseguia admirar a junção dos lábios rosados com o laranja em contraste com o pálido do rosto e o tom azulado do cabelo. Os olhos parcialmente cansados delas se entregavam por conta das olheiras e restavam pequenas manchas marrons nas bochechas. Para ele, nada de defeitos apenas mais qualidades para amá-la intensamente.

Não precisava falar ou demonstrar qualquer sentimento, ela estava ali e bastava.

Vê-la destruindo um pedaço de torta com o garfo na mão enquanto os lábios gesticulavam palavras, frases, dando sentindo a toda conversa. Ela gostava de contar os ocorridos enquanto ele estava na faculdade, ou apenas compartilhar algum conhecimento recém adquirido por culpa da internet.

Em resumo, ele gostava de assisti-la viver.

O timbre da voz dela, das palavras que ela usava cada frase. Ouvir a doce voz, comentando do dia, do tempo e da vida, o deixava feliz. Preenchia todo espaço vazio entre o coração e o pulmão. Ela fazia parte do corpo dele; o completava.

Apenas ela cabia naquele buraco existência. Apenas ela preenchia tudo, dava vida e tornava o dever de existir prazeroso.

Tá me escutando? — perguntou mastigando metodicamente um pequeno pedaço da torta — Você tá distraído, meio avoado. Tá acontecendo algo?

Poderia falar que sim, afinal estava distraído com o final do semestre. Contaria como a vida de universitário o cansava e como estava com saudades dos braços dela, de como rezava para os anos passarem rápido. Cruzou os braços ainda a fitando, era difícil responder sem parecer um tolo. Ela tinha tantas respostas e tantas atitudes que o tornavam apenas um garoto.

Gostava do formato dos olhos dela, das bochechas pálidas, dos lábios retorcidos em uma linha reta. Estava distraído na tamanha beleza dela. Havia tanto dela ali, e tão pouco tempo para absorver tudo.

Em tão pouco tempo no silêncio, imaginava o futuro deles.

Desculpa — respondeu sorrindo — Lembrei o quanto é bom te olhar assim, vivendo, respirando. Lembrei o quanto é ruim saber que logo não te verei, ou tão pouco tempo tenho para falar que te amo. Eu te amo, sabia?

Uma casa. Casar. Viver juntos. Ele desejava tudo aquilo.

Sim. — ela afirmou.

E como sabe?

Viagens. Memórias. Mais beijos. Amaria ela o resto da sua vida.

Porque eu te amo.

Ela sorriu com os olhos brilhando.

Ele retribuiu com o coração transbordando.

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