A Morte, pela visão de uma “criança” de (quase) 15 anos, ateu.

Provavelmente a coisa mais inexplicável que já nos deparamos, é a morte.O fenômeno mais confuso e misterioso, mas também o mais certo e antigo. A única coisa que é uma verdade total e plena. 100% certo de que vai acontecer. É a única coisa também que você não tem como escapar, pode tentar o quanto quiser, de qualquer maneira, seja tendo uma vida saudável, seja com remédios.

É algo que chega a ser engraçado, porque é tão parecida com a coisa mais certa da vida, a vida. É o inicio e o fim do mesmo ciclo que surge e some do nada.

Você tem certeza que está vivo, isso É uma certeza, um fato. A morte É outra certeza, outro fato. Somente talvez com uma diferença, que ninguém que vivenciou teve tempo de contar. Mas não é melhor assim? A Grande Incerteza (um bom apelido pra senhora morte) da vida, causa medo, coragem, sensatez, fé… assim sendo A Grande Incerteza uma engrenagem que ajuda o mundo a rodar em seu eixo torto. Sem ela quem seriamos? Se soubéssemos, com total certeza, para onde iriamos no fim de nosso ciclo, o que faríamos enquanto vivos?

Se soubéssemos que, por exemplo, a morte estivesse correta de acordo com a visão dos Cristãos, teríamos então uma grande parcela de humanos devotos que sempre pedem perdão aos pecados cometidos, para assim garantir o tão esperado lugar no Céu. E ainda aqueles que já saberiam que o Céu não seria o lugar onde iriam, virando piores do que já eram, já que já estão na merda, qual seria a diferença?

E mesmo se soubéssemos que, a morte estivesse correta de acordo com os Espiritas, teríamos então uma sociedade que sabe que nunca morreria por completo. Existe um pós-vida. Existe a reencarnação! VIVA! Conheceremos nossos parentes em outras encarnações. Teremos uma vida nova. A vida seria um estágio de aprendizado.

E agora se a morte fosse correta de acordo com a visão de nós, Ateus, praticamente nada mudaria, pois a Morte seria simplesmente um fim. Não existiria nada depois. Que nada mais nada menos, é o que hoje é a verdade. Já que não existe uma explicação não existe nada certo sobre a morte, se não existe nada certo, existe o nada.

O mundo provavelmente não seria tão diferente, as pessoas não seriam “punidas” pela Grande força de Deus, as pessoas não iriam para um lugar melhor ao morrer. Seria uma sociedade de auto conscientização, só daria certo se a pessoa decidisse que ela tem que ser boa, porque ela tem que ser boa, não porque Deus só iria te aceitar assim, não porque você não quer ir pro Inferno. Mas sim porque no final do dia, quem vai encostar a cabeça no travesseiro é você. Quem vai dormir o “sonho dos justos” é você. Você tem que ser bom pra você, não pros outros.

Agora, muitos vão me criticar, dizendo que eu nunca vivenciei nada como a morte pra ter esse ponto de vista, que eu sou só uma criança de (quase) 15 anos, ou que quando eu começar a passar por aperto, quando eu realmente precisar de alguém, eu vou recorrer a Deus.

Isso é (quase) uma verdade. Sou sim uma “Criança de (quase) 15 anos”, mas hoje, dia 16/08/2016 vão fazer 11 dias que minha vó faleceu. Sofreu por mais de 1 mês internada na UTI, então sim, eu já passei por aperto.

Durante todos esses 36 dias nos quais minha avó chegou até a entrar em coma, a vontade que realmente dava, era de começar a acreditar em Deus, de ter algo para usar de bengala, para apoiar e ajudar nos problemas. Mas por mais vontade que eu tive, eu não fiz, até porque não faria sentido. Porque quando chega o triste momento, infelizmente, não tem onde apoiar. Por mais que todos falem, você só pode contar com si próprio.

A Grande Incerteza no fim é a coisa mais normal e benéfica do mundo, e será, provavelmente a única coisa que a ciência nunca explicará, como deveria ser.