Um desabafo sincero sobre a Husky.io

Guilherme Oderdenge

Eu sou desenvolvedor de software e faço outsourcing para os Estados Unidos da América. Dito isso, um dos pontos que me preocupo é sobre o câmbio de dólar para real.

Comecei com esse "negócio" no final de 2014, e àquela época eu confiava o meu câmbio no banco da Caixa. Todos os meses, quando recebia, eu precisava pessoalmente ir na agência mais próxima assinar um documento sobre a conversão. O processo era frustrante: pegar um ticket, ir para uma fila, aguardar ser chamado, explicar a situação para a atendente que muitas vezes não estava preparada para o caso porque não era algo muito recorrente em uma agência de varejo e torcer para que tudo ocorresse bem e o câmbio ser feito com sucesso para que então eu pudesse desfrutar do meu próprio dinheiro, fruto do meu trabalho.

Na maioria das vezes, infelizmente, ocorria algum problema. Era bem inconsistente. Tinham meses que a atendente conseguia resolver o meu problema, enquanto que em outros, se eu fosse sorteado com alguma outra atendente ou se a minha atendente estivesse de férias, eu provavelmente tinha dores de cabeça—o meu salário iria atrasar, e isso é um saco.

Aguentei este processo por mais ou menos 1 ano e meio. Era uma aposta chata e imprevisível, que às vezes me fazia perder alguns reais por conta dos atrasos: seja por baixa no dólar ou por atrasar o meu aluguel.

A decisão que tomei foi procurar um outro banco, menos burocrático. O primeiro outro banco que fui era no do Brasil. Falavam bem dele: simplificado e com uma taxa de câmbio boa.

Quando cheguei lá, fiquei algum tempo na fila de pessoa jurídica e quando chamado, me dirigi à mesa de uma moça muitíssimo simpática que seria minha atendente. Ela me explicou como funcionava todo o processo do banco e acabou que depois de ouvir tudo aquilo, fiquei frustrado. Ela mencionou que ao menos uma vez ao ano, iria algum analista do banco no meu local de trabalho—aquele que estava no endereço da minha empresa, no caso, minha casa—inspecionar se o que eu fazia condizia com os serviços que colocava nas minhas invoices para garantir que eu não estivesse lavando dinheiro.

Além disso, eu precisaria de alguns outros documentos da contabilidade—assinados pelo contador—para que eu abrisse a minha conta com sucesso.

Para evitar qualquer desentendimento, apenas guardei as informações comigo, disse que correria atrás dos documentos necessários e saí daquele banco.

Por sorte minha, na rua principal da cidade que eu morava na época—Itapema, em Santa Catarina—, eu encontraria vários bancos. Dois deles eram o HSBC e o Itaú.

Imediatamente depois de sair daquela agência, fui no HSBC, que era o mais próximo. Começara a chover—forte, chuva de verão—, e eu estava a pé, sem guarda-chuva. Cheguei naquela agência bem molhado e um pouco aborrecido, mas tentei manter a calma porque sabia que talvez ali residia a minha felicidade.

Fui logo atendido porque a agência estava vazia, mas cedo foi me dada a informação de que o banco fora vendido e aquela agência estava prestes a fechar, mas que não havia problema porque eles tinham algumas alternativas X, Y e Z. Nenhuma delas me interessou de imediato.

Ouvi a mulher falar mais um pouco, demonstrei certo interesse para retribuir a educação na qual fui recebido, mas saí sem muita expectativa.

Ok, última tentativa: Itaú. Sempre ouvi falar mal das taxas deles, mas a essa altura do campeonato, eu só queria um pouco de notícia boa—conseguir um banco para fazer o câmbio para mim de maneira prática—para deixar o meu consciente sorrindo.

De novo na chuva, tomei meu rumo a agência do Itaú que ficava há poucas centenas de metros dali. Cheguei lá, aquele mesmo processo bancário anos 2000: pegar um ticket, aguardar meu número, e finalmente ser atendido.

Cintia, o nome da atendente. Gente boa, mas um pouco menos calorosa que as demais atendentes. Para o começo da nossa conversa, fui bem objetivo:

Tenho estes documentos da contabilidade. Faço câmbio todos os meses e não quero vir na agência toda vez que o fizer. Consigo sair daqui hoje com a minha conta PJ aberta e já fazendo câmbio, sem burocracias?

E a resposta soou como música.

Sim.

A sensação foi surpreendente. Ela logo já viu os documentos que tinha em mãos, fez algumas perguntas relacionadas ao câmbio e começou a digitar no computador.

R$69,00 por mês para manter a conta. Mais uma taxa fixa de R$x,xx por conversão e um spread de y% dos dólares que você recebe. Além disso R$9,00 para transações entre contas de outros bancos. Tudo bem para você?

Ela respondeu.

Eu fiquei desamparado. Esperava ser caro, mas não assim caro. Vejam bem: só pelo fato da conta estar aberta e em modus operandis, eu pegaria R$69,00 por mês. Aí o spread do dólar era péssimo—o spread é aquele juros que você paga ao banco/corretora de câmbio para converter o seu dinheiro. Por exemplo, se no dia R$2,00 valerem US$1,00 na cotação do Banco Central, o "spread" é uma porcentagem que diminuem do dólar nesta cotação. Neste mesmo exemplo, se o spread for de 1%, então R$2,00 iriam valer US$0,99—, e como se não bastasse eu perder nele—porque na Caixa era relativamente baixo—, eu teria que pagar um valor fixo de R$x,xx—não me recordo exatamente os números—a cada conversão que eu fizesse.

Pensei comigo mesmo que este era o preço que eu teria que pagar para evitar dores de cabeça. Então respirei fundo e respondi com um "sim" bem obstante.

Ela então assentiu com a cabeça e voltou a digitar no computador. Não muito tempo depois, ela logo se levantou, foi na impressora e sacou um papel para eu assinar. Antes de concluir esta "aquisição", perguntei como funcionava para fazer as conversões.

Toda vez que você receber dinheiro, o app do Itaú vai te notificar no celular. Depois, você coloca sua digital se seu smartphone suportar, clicar em "aceito", "aceito" e "aceito" até chegar numa tela de revisão, que vai mostrar todos os números (taxas) de modo bem transparente. Se estiveres satisfeito, vai clicar em "concluir" e o dinheiro vai estar na conta.

De novo, música para os meus ouvidos. A hesitação que tive com as taxas se foram—momentaneamente—e assinei com prazer aquele documento.

Novamente ela se levanta e de repente some da minha vista. Quando volta, traz consigo um cartão de débito temporário para eu usar. Bem bonito, aliás. Aperta minhas mãos e diz "tudo pronto, sr. Guilherme.". Eu pergunto "já acabou", e ela me contempla com um sim, apenas me lembrando que eu teria que usar a senha temporário que me fora dado na minha parter da papelada para ativar minha conta on-line e no app.

Feliz da vida, eu saí dali. Ironicamente, até a chuva tinha passado e o sol estava voltando a dar as caras. Era fim de tarde, talvez umas 17h. Terminei minha sexta sorrindo. Obrigado, Itaú, e adeus 2015.


2016 chegou, e os transtornos também. O Itaú tinha meio que me iludido, porque apesar d'eu ter recebido os meus salários nos meses de janeiro e fevereiro, eu simplesmente não conseguia converter. Isso porque o aplicativo falava que eu encarecia de documentos.

Eu confesso que tive alguns devaneios sobre essa história de "banco sem burocracia" ser meio luxúria e utopia, mas não queria acreditar em mim já que uma representante do mesmo ter me dado a sua palavra.

Depois de várias tentativas inúteis de ligar para o Itaú e ficar sem resposta e alguns e-mails "ignorados" pela minha gerente, a Cíntia, descobri, finalmente, que ela estava de férias. Mas gostaria de enaltecer aqui que essas várias tentativas se decorreram ao longo de várias semanas. Infelizmente, não foram apenas horas.

Uma outra pessoa iria continuar com o meu caso. Mas para acentuar mais ainda a minha infelicidade, era começo do ano e ela aparentemente tinha mil outras coisas para resolver em paralelo e o meu caso era só mais um. Eu não a culpo exatamente, até porque como ela me constatou, ela estava por fora da minha situação.

Mais várias semanas até que finalmente entendi que faltava o contrato com a empresa que eu prestava serviço para conseguirem me liberar fazer o câmbio. Todo esse tempo somado me resultou em três meses sem receber.

Furioso. Este era o meu sentimento. De verdade. Eventualmente, o dinheiro entrou, e a partir daí realmente funcionava como a Cíntia havia me explicado. Eu recebia a notificação, assinava um monte de termos, e o dinheiro pingava na conta.

Por vários meses eu estava satisfeito.

E isso foi até o começo de 2017.


Adeus, Itaú.

Foi então que, sem me recordar como, eu conheci a husky.io. Geralmente, sites com domínio .io me chamam a atenção, e com esse não foi diferente. Não pela estética ou pela tecnologia que estava no código fonte, mas pela proposta, que era algo como "câmbio done right".

Pô, a chamada "câmbio done right" em um site em português brasileiro com domínio .io era no mínimo muito curioso. Me interessei de cara, principalmente porque apesar de eu não mais enfrentar problemas com a praticidade de converter os meus dólares, as taxas eram absurdas.

Foi então que entrei em contato com eles. Primeiro um e-mail e de repente eles estavam no meu WhatsApp. A primeira pessoa com quem falei foi a Carol, que me propôs um telefonema para que ela pudesse me explicar tudo com mais detalhes.

A ligação foi feita e levou no máximo 15 minutos e… uau.

Eu estava maravilhado. Por vários motivos. Logo depois da ligação, fui de novo no site deles "investigar" mais. Li sobre o processo e alguns depoimentos, mas o que mais me chamou a atenção foi o "sobre nós", que estampava fotos dos três integrantes do time naquela época. Carol, Tiago e Maurício.

O fato é que isso era novo pra mim. Um negócio tão complicado e complexo como câmbio, gerenciado por apenas três pessoas e não uma renomada corretora de câmbio ou um banco sanguessuga?

Eu estava surpreso, mas não cético. Eis os porquês:

  • O telefonema da Carol me introduzindo a empresa. Existem vários tipos de vendedores: aqueles que te empurram o produto/serviço e tentam te convencer a qualquer custo, os desleixados que "se quer quer, se não quer, não me faz perder meu tempo", e os humanos, com empatia. No caso da Carol, ela se enquadrou na terceira categoria. Mega simpática, mega profissional, mega transparente e sobretudo conversou comigo com uma linguagem simplificada, sem aquelas palavras estranhas que não tem necessidade de eu saber.
  • Os canais de comunicação. E-mail ou WhatsApp.
  • A linguagem do site. Não sei se contrataram algum mestre em marketing ou se simplesmente foram humanos, mas as frases e os textos que apareciam no site eram muito simples. Todo o layout, na verdade, era assim. É difícil explicar até porque o site deles mudou—e ficou melhor!—mas naquele tempo tudo já era muito intuitivo e convidativo. Você tinha a sensação de que eles não estavam enchendo linguiça ou tentando enrolar. Era algo natural, suave, sem pressão.

Eu estava convencido.

Terminei o processo de cadastro com eles, imediatamente já recebi o e-mail com a conta bancária da Husky e encaminhei para a empresa que trabalho.

Foi então que…

Antes da Husky, eu nunca achei que amaria algum serviço financeiro.

Foram necessários três meses de Husky para eu me desfazer do Itaú para nunca mais voltar.

Faz sentido eu confessar que pouco antes da Husky, eu já estava de olho em outros serviços de câmbio. Inclusive, ouvia bastante várias indicações de amigos meus. O problema era sempre o mesmo: a burocracia na hora de me "cadastrar". Mil coisas para ler, outras mil para assinar, e eu sempre odiei isso e nunca fui muito bom em "tirar um dia para resolver esse fardo de uma vez por todas".

Bom, na Husky eu levei, talvez, uma hora? Sim, foi rápido as hell. Sem contar que não precisei googlear nenhuma palavra ou documento que eles me pediram. Porque além de rápido, o negócio era simples.

Depois, todo mês, eu mandava as minhas invoices(1) para eles e em paralelo para a empresa que trabalho. Geralmente um dia depois que a empresa fazia o depósito, chegava um e-mail na minha caixa: [HUSKY] Money is coming!

O melhor e-mail do mês: salário entrando na conta. Tudo detalhado, mas muito bem organizado e fácil de entender. O câmbio na hora da conversão, o valor que foi para a Husky, o dinheiro que eu receberia e em quanto tempo ele estaria na minha conta. Sempre falaram de 1 a 3 dias úteis, mas acho que 90% das vezes que eu recebia de manhã, poucas horas depois já estava na minha conta. Se eu recebesse no final da tarde, então era na manhã do dia seguinte. Eu só sei que NUNCA tive que esperar mais de 1 dia.

Outro detalhe importante e muito satisfatório é que eu nunca precisei correr atrás de nada. Sério. Enquanto os meus pagamentos tivessem de fato sido pagos, eu não tinha nada com o que me incomodar.

Basicamente, se eu precisei tirar alguma dúvida ou mandar alguma mensagem no Whats, 100% das vezes não era por um problema que a Husky tinha me gerado. Ou era curiosidade, ou é porque a data do meu pagamento havia mudado e o depósito não tinha sido feito ainda, mas era tudo menos a Husky, e mesmo assim, eles me respondiam com paciência e excelência—que são outros pontos que vou falar sobre.

Pensem numa empresa responsiva. Eu nunca precisei cobrar uma resposta. Seja por e-mail ou Whats, 100% das vezes que fui checar uma réplica, ela já estava lá, esperando para ser lida. Parar melhorar, as respostas sempre usaram uma linguagem expressiva, orgânica e profissional. Não é aquele negócio desleixado e forçado, cheio de gírias e emojis porque é cool, enquanto que não é aquele negócio cinza de terno e gravata. É de humano para humano. Simples assim.

Sobretudo, eu como humano e desenvolvedor, aprendi muito com a Husky. Eu imagino que criar uma empresa já seja difícil, ainda mais no ramo financeiro. Para mim, ela não só é um exemplo de empresa financeira e corretora de câmbio, como também é um exemplo de empresa de modo geral.

Ela é lean. Ela se garante. Não precisa enrolar ninguém nem encher de linguiça porque sabe o que faz. Hoje, depois de 9 meses com eles, eu entendo o porquê de uma equipe pequena, e não só admiro isso como tomo de exemplo pessoal de que menos é mais.


Se você trabalha com câmbio, eis a Husky. Com certeza eles vão te ajudar e tenho certeza que o farão com a mesma paixão que fazem comigo.

Por fim, devo dizer que isso estava "guardado" há algum tempo, mas só hoje tive a oportunidade de escrever. Bancos ou corretoras burocráticas nunca mais.

Ainda devo salientar que sou apenas um cliente muito satisfeito e escrevo este por livre e espontânea vontade, sem nenhum tipo de patrocínio. Minha intenção é que esta história sirva de inspiração para outras empresas e empreendedores para que façam negócios mais sólidos, transparentes e sempre com o pé no chão, e que com estes tornem os meus e os nossos dias melhores.

XOXO

(1): eu escolhi enviar invoices todo mês, mas também é possível na Husky você mandar seu contrato com a empresa que lhe paga—se o valor for fixo—para dispensar a necessidade de enviar invoices todo mês.

Guilherme Oderdenge

Written by

Just another JavaScript Engineer based in Brazil. Currently writing some code at levo.com.

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