Review | #Logan

Devido ao sucesso avassalador de Deadpool a 20th Century Fox deu sinal verde para o diretor James Mangold por em pratica suas ideias para um terceiro filme do Wolverine e como já era esperado o longa em questão seria classificado para maiores, contendo mais violência, sangue e as garras do mutante canadense cortando tudo. Intitulado de “Logan” a terceira aventura solo do Wolverine marcaria a despedida do ator Hugh Jackman do personagem, logo em seguida, Patrick Stewart informou que também seria a última que daria vida ao Professor Charles Xavier nos cinemas. Logan de fato seria um filme marcado por despedidas. O filme foi exibido pela primeira vez no festival de Berlin e as críticas inicias foram as mais positivas possíveis, o longa arrancou lágrimas e aplausos dos expectadores ao final de sua exibição. Mas será que Logan é realmente esse filme tão foda que todos estão dizendo?

A resposta a essa pergunta veio a mim horas depois de ter assistido ao filme e quero compartilha-la com vocês. Sem muito rodeio, sim, Logan é um puta filme, na verdade um dos melhores do gênero, mais ao contraio do que muitos pensam a qualidade do filme não se deve ao fato dele ser classificado para maiores e conter muita violência e muito sangue jorrando. Logan é um ótimo filme por contar uma ótima história.

Em um futuro não muito distante o já velho e cansado Logan trabalha de motorista de limusine para pagar as contas e manter seus vícios, trabalho esse que não passa de um disfarce para que ele passe desapercebido uma vez que os mutantes (incluindo os X-Men), não existem mais, escondido em uma fábrica abandonada Logan mantem sobre sua proteção outro velho e cansando mutante o professor Charles Xavier que por não controlar mais seus poderes telepáticos vive dopado a base de drogas pesadas, a intenção de Logan e comprar um barco para que ambos vivam em alto mar, longe da civilização esperando a morte.

Tudo muda quanto uma mexicana tenta contratar os serviços do Wolverine, com ela uma jovem chamada Laura está sendo perseguida por uma organização poderosa, sem muita escolha Logan acaba envolvido em toda essa confusão que piora quanto a jovem revela ser uma mutante com poderes e garras semelhantes às do Wolverine, começa então uma caçada mortal, agora o velho Logan precisa superar suas limitações físicas para proteger a jovem e o seu amigo Charles.

Como dito acima Logan tem uma ótima história que está ancorada em um drama tenso e realista que nos custa acreditar se tratar de filme super-heróis. Ao meu ver, Hugh Jackman nunca foi um grande ator mesmo assim ele parece bem à vontade nessa versão do personagem que projetou sua carreira ao estrelato. Jackman encarnou o personagem com tanta propriedade que ele nos entrega um Wolverine bem diferente dos filmes anteriores, as cenas contracenadas com Patrick Stewart são excelentes recheadas de ótimos diálogos e interpretações convincentes. A pequena Laura vivida pela atriz Dafne Keen é a cereja no topo do bolo, a jovem atriz tem uma química muito boa em cena tanto com Hugh Jackman, tanto com Patrick Stewart, mas é nas cenas de ação que a Dafne dá um show e principalmente quando o dialogo exige uma carga dramática maior a jovem não faz feio.

Mesmo assim Logan tem deslizes grotescos que não chegam a atrapalhar, mas incomodam bastante. A começar pela duração do filme, com quase duas horas e meia o longa parece se arrastar em certos momentos, um pouco disso é devido ao realismo excessivo aplicado pelo diretor, algumas cenas são desnecessárias e exageradas. Outro ponto negativo é a forma que os chamados “Carniceiros” são desperdiçados. O ator Boyd Holbrook vive Donald Pierce líder do grupo, a metade do braço direto de Pierce e biônico semelhante à de um robô e isso não faz diferença alguma, o personagem não passa de um capanga pé-de-chinelo que só serve para levar e trazer recados e na hora do vamos ver se esconde da briga. A falta de um vilão de peso e sentida por todo o filme, ter apenas uma organização como ameaça não foi o suficiente, faltou um antagonista para fazer frente ao Wolverine, que tem como oponente suas limitações e o constante desejo de morrer.

São muitos aqueles que enchem a boca para dizer que esse é o Wolverine que queiram ver no cinema, eu não faço parte desse grupo, apesar de bom, Logan está muito distante de mostrar o Wolverine ideal, eu ainda espero vê-lo implacável, imparável, com sangue nos olhos, retalhando seus inimigos como se fossem folhas de papel. Quem faz isso no filme é a Laura ou X-23 como queiram chama-la, é pressionante como as cenas de luta dela são boas, nesse quesito o Wolverine vira coadjuvante no seu próprio filme. Talvez o maior defeito de Logan seja o excesso de realismo que deixou o heroísmo do personagem de lado, o diretor optou por explorar os dramas e as frustrações dos personagens, até mesmo o Batman de Christopher Nolan se permite abrir espaço para as grandezas e exageros das histórias em quadrinhos. Como até agora esse filme está sendo a despedida de um ator de seu personagem mais marcante, todos esses pontos negativos perdem a força diante do esforço de diretor e elenco em fazer um ótimo filme. Logan pode não ser esse puta filme que estão exageradamente vendendo por ai, mais é a prova que, quando todos os envolvidos em um projeto sabem exatamente o que querem fazer o resultado é satisfatório. A Fox está de parabéns e aos poucos está espantando o “fantasma” dos filmes de super-heróis ruins. Essa foi sem dúvida uma ótima despedida para Hugh Jackman e Patrick Stewart, que venha o próximo.

Ficha Técnica

Título: Logan (Original)

Ano produção: 2017

Dirigido por: James Mangold

Estreia: 2 de Março de 2017 (Brasil)

Duração: 135 minutos

Classificação: 16 anos

Gênero: Ação Drama Ficção Científica

Países de Origem: EUA