Centro comercial pretende revitalizar a economia do Barreiro, em Belo Horizonte

Projeto traz como proposta modernizar e melhorar a situação do comércio local

Por Chiara Ribeiro e Ludmilla Abreu

Flávio Marques anunciando promoções da loja Nova Brasília | Foto:Ludmilla Abreu

A regional Barreiro possui uma grande quantidade de lojas e shoppings populares e é vista como uma das mais movimentadas de Belo Horizonte, ficando atrás somente da região central. Para melhorar a qualidade dessa grande região comercial, uma antiga proposta de criação de um centro comercial está sendo novamente analisada pelos vereadores da capital . Porém, por ser algo desafiador, a proposta esbarra em dificuldades como a oposição de comerciantes já tradicionais e a falta de verba para torná-lo realidade.

O projeto inicial para a implementação de um centro comercial na região foi criado pelo ex-vereador Ronaldo Gontijo em 2009, porém não foi aprovado nas tramitações da Câmara. Após concorrer ao cargo de vice-prefeito e perder a eleição em 2016, Gontijo ficou sem cargo político e foi o vereador Leo Burguês quem deu seguimento à proposta. “Vi esse projeto e achei interessante pelo potencial comercial que existe na região, é uma região que tem vida própria”, afirmou o vereador. Surgiu então, dessa maneira, o projeto de lei 5/2017, que dispõe sobre a criação de um centro comercial em vias públicas da região do Barreiro.

O principal objetivo do centro comercial é a revitalização cultural e econômica da região. Segundo Gontijo, a revitalização deve acampar o aprimoramento urbanístico, com a recuperação de calçadas, melhorando a acessibilidade, além de projetos de arborização, criação de espaços para eventos culturais e pontos de encontros. “Assim, criaríamos condições para melhorar as vendas dos lojistas e garantir aos clientes bem-estar e conforto na hora da compra”, declarou Ronaldo.

Impacto do projeto

O local de implantação do projeto | Foto: Ludmilla Abreu

O local destinado à implantação do centro comercial forma um polígono que compreende as principais vias de acesso da região, as avenidas Sinfrônio Brochado e Visconde de Ibituruna, que hoje já abrigam a maior parte do comércio da área. De acordo com Ronaldo Gontijo, essas são as vias dedicadas tradicionalmente ao comércio, mas a região não recebeu investimentos em intervenções viárias ou arquitetônicas nos últimos anos.

Apesar de buscar a melhoria da região, o vereador Leo Burguês ressalta as dificuldades da implementação de um projeto desse porte .“É um projeto arrojado, que não é fácil de ser implementado, mas que visa dentro da área delimitada uma possibilidade maior”, comenta.

Um dos desafios que o vereador terá que enfrentar até a aprovação do projeto é a aceitação da população e dos comerciantes. Celeida Soraia, é lojista na região há um ano e meio e não conhecia o projeto de lei. Ela não tem reclamações sobre a segurança local, mas ainda tem dúvidas quanto ao funcionamento do novo centro comercial. “Vamos ver, quem sabe? Tenho nem noção se possa dar certo ou não, tomara que dê”, afirma.

O comércio tradicional na região | Foto:Gabrielle Monteiro

Flávio Marques trabalha anunciando promoções em uma loja de departamento há quatro meses. Mesmo estando há pouco tempo nessa região, ele acredita que o centro comercial não é um bom projeto. “O comércio aqui já é muito tempo no local, acho que vai diminuir as vendas”, conta.

Marcílio Magalhães é lojista na região do Barreiro há 27 anos e trabalha em uma loja de tecidos que tem mais de 50 anos de funcionamento. O comerciante diz que os clientes estão acostumados a comprar seus produtos nas lojas de bairro, nas quais sabem o preço e confiam na qualidade. Com a criação de um polo comercial, os custos para os lojistas aumentariam e, consequentemente, os preços dos produtos subiriam. “Vivemos hoje num país de Terceiro Mundo que a pessoa não tem condições nem de comprar comida; então para que ela vai pagar caro se pode comprar em centro comercial de bairro que é mais barato do que pagar luxo?”, completou.

Já Monica Sanguinetti acredita que a proposta do vereador Leo Burguês pode melhorar dois pontos de dificuldade que ela enfrenta: a segurança e o movimento. “Ir fazer compras em um lugar mais seguro incentiva os clientes, além de ser melhor para o lojista também”, disse a comerciante que está na região há dois meses.

A variedade do comércio já existente na região | Foto: Chiara Ribeiro

Elaine Lacerda, vendedora de roupas da região, é a favor da criação do centro comercial e afirma que as melhorias não seriam apenas nas vendas: “Trabalho nessa região há dez anos e nunca vi obras nas ruas. Um lugar mais bonito e mais acessível com certeza atrairia mais clientes. E, além disso, as reformas ajudariam também quem mora na região, melhorando as ruas”, disse a comerciante. Daniel Camargos que trabalha na área há um ano e seis meses, também reclama do baixo movimento, mas não questiona a segurança. “Tem guardinha em toda esquina vigiando a gente. Tem muito é ladrãozinho de loja, mas isso a gente dá um jeito de segurar eles”, falou de maneira descontraída.

Comerciante ilegal se retirando do local com a chegada da polícia | Foto: Ludmilla Abreu

O projeto ainda está tramitando na Câmara Municipal e não tem previsão para ser votado em plenário. A associação dos moradores foi procurada pela equipe de redação mas negou entrevista sobre o impacto da criação desse centro comercial na vida da população local.

Valor do projeto proposto

Por Gabrielle Monteiro

Em relação ao financiamento do Centro, a iniciativa pública seria a base dos investimentos. “A ideia é que ele [o centro comercial] seja pago por comerciantes locais e que tenha alguns incentivos da Prefeitura como, por exemplo, de encargos de letreiros luminosos, incentivo na questão cultural, para promover a região”, afirmou o vereador Leo Burguês. Quanto às ações culturais, haverá isenção tributária para atividades culturais e de entretenimento a serem realizadas no local, que poderá funcionar no período de até 24 horas.

Segundo relatório da Prefeitura de Belo Horizonte, o governo dispõe de cerca de oito milhões de reais para investir na regional Barreiro, porém não há nenhum orçamento específico para a área de comércios e serviços. Outras regionais, como a Centro-Sul, dispõe do valor de aproximadamente 18 milhões de reais, e uma taxa exclusiva de cerca de 720 mil reais destinados apenas para o setor de comércio e serviços, quantia elevada se comparada à da regional Barreiro que excede a Centro-Sul em área de abrangência.

A secretaria da Regional preferiu não se manisfestar sobre o assunto sem explicar os motivos.

Dados Regional Barreiro | Arte: Ludmilla Abreu

Trabalho por: Chiara Ribeiro, Gabrielle Monteiro e Ludmilla Abreu

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