Capitalismo Negro e o que significa

Landon Williams — 23 de Março de 1969

Enquanto lia o jornal outro dia, vi onde tem sido construída em Oakland a área ideal para o complexo plano capitalista de Dick Nixon¹. Me parece iminente que façamos mais uma análise do capitalismo (em geral) e do capitalismo negro (em particular). Quando observamos a história de vários países nesse planeta, vemos que muitas nações e raças caíram dentro do grande saco capitalista. Quando vemos a história da Rússia, percebemos que com o fim do governo do Czar, o capitalismo russo veio ao fim. Quando vemos a história da China e do capitalismo amarelo, vemos que com a chegada de Mao Tse-Tung e do Partido Comunista da China ao poder, o feudalismo e o capitalismo burocrático ao qual o povo amarelo da China estava sujeito foram esmagados. Quando vemos a história de outros países que passaram pelo capitalismo, como a Índia e o capitalismo marrom, vemos que hoje a Índia está em constante estado de turbulência.

Ao observar os países capitalistas, devemos levar em consideração as diretrizes básicas, as razões e motivações fundamentais para tudo que ocorre nos países capitalistas. Por exemplo, analisando a economia vemos que em países capitalistas, uma alta taxa de desemprego — às vezes 10–15% — não é algo espetacular, mas algo necessário para manter uma economia equilibrada; esse tipo de taxa de desemprego é essencial para um controle da inflação.

Verificando mais adiante o capitalismo e como ele se relaciona com as pessoas negras nesse país, se quisermos descobrir o que capitalismo planeja pra nós, o que temos que fazer é olhar em volta e explorar nossa atual conjuntura, porque as condições das pessoas negras aqui nesse país se deve diretamente ao capitalismo e à exploração que temos sofrido nas mãos das classes dominantes capitalistas na América racista. Durante a época do comércio de escravos, os comerciantes capitalistas ao longo da costa oriental desse país ficaram podres de rico com o sangue, suor e lágrimas dos negros que eram embalados como sardinhas e transportados nos fundos dos navios para essa terra racista e decadente, a fim de trabalharem, serem escravos e morrerem nos campos para construir essa nação.

O capitalismo, como todos sabemos, para existir, deve ter algo ou alguém pra explorar. O que temos aqui na América é super capitalismo, super exploração; bugigangas tem sido vendidas às pessoas por preços exorbitantes. Ao lidar com o capitalismo negro (ou o pouco disso que temos experienciado nesse país, conferindo o livro “100 AMAZING FACE ABOUT THE NEGRO” de J. A. Rogers) vemos que antes da guerra havia pequenos capitalistas negros nesse país. Esses capitalistas negros de certa forma desfrutaram de alguns benefícios e privilégios daqui enquanto eram chamados de homens libertos e, como tal, poderiam possuir escravos e propriedades. Observando a história, descobrimos que muitos desses libertos ou pequenos capitalistas negros não tinham interesse algum ou qualquer sensibilidade pelo resto de seus irmãos e irmãs negras e, em muitos casos, eles eram mais brutais que o branco senhor de escravos, além de responsabilizar seus irmãos por impedi-los de desfrutar todos os benefícios da classe branca capitalista. Durante a guerra civil, quando Norte e Sul supostamente lutaram para libertar os escravos, constatamos que alguns desses capitalistas negros de fato lutaram ao lado dos confederados para ajudar a manter a exploração sobre os irmãos negros. Então, quando pessoas negras veem palavras como “capitalismo”, isso deveria assustá-las.

Nós fomos treinados nesse país para que sempre que vermos a palavra “comunista”, por exemplo, a maioria das pessoas negras fique assustada, mas quando veem a palavra “capitalismo”, ela não produz o mesmo efeito. Eles apenas seguem em frente, é só uma palavra do dia a dia, algo que eles já estão envolvidos. Se as pessoas negras parassem e realmente vissem o que a palavra “capitalismo” e o que o capitalismo significa pro seu dia a dia, elas começariam a ficar chocadas. Eu mesmo, quando vi isso de “Oakland no capitalismo negro”, a mim pareceu terrível, porque, como eu disse, tivemos vários exemplos do que capitalismo já fez. O povo negro desse país deve começar a formar imagens corretas em suas mentes quando ouvem a palavra ‘capitalismo’. Nesse país, nas escolas, há pouca instrução que nos dão quando falam da América ou do capitalismo, referindo-se como “capitalismo democrático”; nos ensinam sobre democracia, não sobre capitalismo. Resultado: quando o povo negro lê “Oakland no capitalismo negro”, estrofes dA Bandeira Estrelada² começam a tocar e eles vêem a bandeira balançando, quando deveriam estar vendo as pessoas de cor carbonizadas no Vietnã e o assassinato de Che Guevara na Bolívia pelos agentes racistas americanos. Além disso, quando pensamos sobre capitalismo, deveríamos pensar em nossos irmãos e irmãs no Congo. Há um panfleto chamado REVOLUÇÃO NO CONGO que todo negro na América deveria ler, e você verá como o capitalismo opera. Por exemplo, quando os EUA interviram no Congo, e Patrice Lumumba (a escolha do povo para Primeiro Ministro) foi assassinado por cachorros traidores de Tshombe (um cão de corrida dos capitalistas americanos e belgas) e o liberal do Kennedy.

Na época da intervenção Americana, havia grandes minas de cobre em Katanga e outras províncias no Congo. Havia uma empresa nos EUA chamada Minas Kennecut, que controlavam a maioria dos suprimentos mundiais de cobre. Na época da intervenção no Congo, a oferta de cobre começou a superar a demanda, e o preço começou a cair. Bom, esses capitalistas que sentam e controlam o Banco Chase Manhattan e outros grandes bancos e indústrias fizeram milhões vendendo mais de 4.500 kg de bombas para bombardearem as indústrias de mineração e o povo do Congo, massacrando a então competição.

Na América de hoje, os empresários e proprietários capitalistas te exploram nas lojas e em casa, ao mesmo tempo vão à igreja e se ajoelham hipocritamente falando sobre irmandade, sobre união, e “faça com os outros o que você faria consigo mesmo”.

Quando você o questiona como ele explica suas práticas cruéis de negócio, ele se entrega e te responde simplesmente que negócios são negócios. Vamos olhar atentamente o que são os negócios capitalistas. Como disse, no Congo consiste em jogar mais de 4.500 kg bombas nas pessoas negras de lá. Antes da Segunda Guerra Mundial, os capitalistas nesse país, que dirigiam ferros-velhos estavam fazendo milhões de dólares vendendo ferro e aço para os imperialistas japoneses, que estavam travando uma guerra injusta de agressão contra o povo chinês. A opinião pública completamente desfavorável a essa prática, mas novamente havia a desculpa “negócios são negócios”.

Na esfera competitiva, o capitalista desse país avança de diversas formas. Com o início da Segunda Guerra Mundial, milhares de nossos irmãos amarelos foram encarcerados nos chamados campos de detenção, que nada mais eram que campos de concentração. O motivo dado para a prisão era que eles eram uma ameaça à segurança, mas o motivo na verdade era o racismo e o capitalismo americano. O racismo foi claramente demonstrado pelo fato de que centenas de milhares de cidadãos alemães e italianos não foram presos; ao invés disso, foram libertos para sabotarem o esforço de guerra americano.

Os japoneses na época possuíam consideráveis plantações de arroz na California; na verdade, eles tinham todo o comércio de arroz. Porém, quando eles cresceram, foram forçados a vender a preços ridículos e em muitos casos suas terras foram simplesmente tiradas deles — novamente, negócios são negócios. Você pode perceber que eles foram presos por motivações racistas e capitalistas. Voltando mais um pouco e observando o passado, depois que a guerra civil acabou, ao povo negro foi prometido 40 acres e 2 mulas pela Agência dos Homens Livres. Observe a história e perceba quem levou os 40 acres e as 2 mulas. As grandes indústrias capitalistas, como a Standard Oil, levaram as terras. A Standard Oil levou meus 40 acres e minhas 2 mulas. Para eles, entretanto, era apenas negócios. Novamente o massacre dos índios ou o Destino Manifesto, que o homem branco glorifica na TV, não era nada mais que “negócios são negócios”.

O capitalista branco desse país, as indústrias de mineração, as empresas de petróleo e os barões de terra, para estabelecer seus próprios pequenos reinos, esses senhores da guerra na América, com o objetivo ganhar mais terras, instigavam incidentes com índios para que pudessem chamar a cavalaria americana e o exército, e então roubar dos índios mais terra; o motivo nos dado, novamente, era “negócios são negócios”. Então, essa concorrência acirrada, esse movimento constante por auto realização e satisfação pessoal que era pregada nos países capitalistas deveria ser melhor compreendido pelas pessoas negras. Quando vamos até a loja da esquina, vemos que estamos sendo cobrados os mais altos preços pelos menores pedaços de carne, e em muitos casos a carne está velha e podre. Devemos começar a entender o que o capitalismo significa verdadeiramente, no dia a dia. O povo negro o enfrenta, todos os dias.

O que o capitalismo tem sido para a vasta maioria dos povos do mundo? Isso é o que deveríamos nos perguntar. Quando olhamos ao nosso redor, vemos que os países onde os capitalistas da América conseguem a maior parte de seus recursos (colônias e semi colônias) são chamados de países subdesenvolvidos. Quando olhamos para eles, vemos que eles tem o maior nível de mortalidade infantil e de mortalidade do mundo, e os mais baixos padrões de vida. Porque isso? O povo negro não pode aceitar o que o inimigo nos diz como se estivesse incluído. Malcolm X disse que se você tiver que depender do seu inimigo para algo, você tá ferrado. Também é verdade que se você depender do seu inimigo para se informar, você tá ferrado. O povo negro deve começar a formar conceitos apropriados sobre o que é o capitalismo e o que ele representa, para poder lidar com a situação da forma certa.

Quando o capitalista avança, ele o faz de forma diabólica, de forma dissimulada, para manter seu controle e manipular os governos e os povos ao redor do mundo. Tomando novamente o Congo como exemplo, eles usavam seu artifício favorito, a falsa conspiração comunista, diziam que Lumumba era pró comunista e que Tshombe era pró ocidente. Novamente, isso é apenas um armadilha, um pretexto e desilusão que os capitalistas usam para esconder suas relações sujas e dissimuladas.

Na China ocorreu a mesma coisa. Quando os EUA estavam apoiando o regime falso de Chiang Kai-shek, eles diziam que o Presidente Mao Tse-Tung era pró comunista e que Chiang Kai-shek era pró ocidente. Nessa época, o povo negro nesse país aceitou generalizadamente, sem enxergar a questão mais de perto e ver o que significava pró comunista ou pró ocidente. Analisando mais profundamente, vemos que Chiang Kai-shek ,que era pró ocidente, também era pró capitalista e pró exploração, enquanto Mao Tse-Tung, que era pró comunista, era “pró-povo” e “pró-pobres”. De um lado você tinha Chiang Kai-shek, que roubou do povo e era uma ferramenta que o imperialismo americano usava para ajudar a manter seu domínio e exploração do povo chinês, enquanto o Presidente Mao e o Partido Comunista da China estavam lutando pelo povo, pelo poder popular e fim da exploração do povo.

Nós vemos esse mesmo artifício hoje, nos jornais, quando J. Edgar Hoover diz que o Partido dos Panteras Negras é uma ameaça à segurança dos EUA, e que estudamos o Livro Vermelho e que somos pró-comunistas — mas a qual tipo de ameaça ele se refere e o que é o Livro Vermelho? O principal objetivo do Partido dos Panteras Negras é “Estabelecer o poder político revolucionário para as pessoas negras”. E dentro dos princípios que estudamos no Livro Vermelho, há princípios como “sem um exército do povo, as pessoas não tem nada.” Huey P. Newton, nosso fundador e Ministro da Defesa, diz “Um povo desarmado é escravo e sujeito à escravidão ao mesmo tempo.” Nós sabemos que os porcos só passam por cima do povo porque o mesmo está desarmado e desorganizado.

Em todas as circunstâncias capitalistas, encontramos a mesma coisa. Anteriormente mencionei a Rússia Czarista; bom, se observar a história, verá que o Czar e o regime capitalista da Rússia foi comandado e dominado por pouquíssimas pessoas. Você tinha os podres de rico junto com a nobreza e os círculos secretos do regime Czarista no topo. Você tinha os camponeses famintos e as massas do povo na base. N a história chinesa, a mesma situação se repete. No Congo, antes de Lumumba chegar ao poder e depois que ele foi assassinato, você tem poucas pessoas controlando a economia e a riqueza do país e o resto do povo passando fome. Eles costumavam mostrar imagens da China em um programa de TV chamado “O Século XXI”. Mmostravam filmagens da China antes e durante sua guerra revolucionária. Costumavam mostrar os podres de ricos e os senhores da guerra que saqueavam o interior da China, ficando cada vez mais ricos, enquanto os camponeses, que eram muito pobres, ficavam cada vez mais pobres. Aqui, novamente os senhores eram pró ocidente e pró capitalistas, e os camponeses eram pró comunistas ou pró oriente. Em todos os países onde houve luta por libertação nacional e auto determinação, o povo lutou contra as fileiras capitalistas e esteve entre as fileiras socialistas ou comunistas. Quando o povo nesses países começou a lutar para controlar seu próprio destino, entenderam que enquanto o poder continuasse investido nas mãos de poucos capitalistas, ou nas mãos de uma classe capitalistas exploradora, o povo nunca teria poder algum.

Ao observar os dias mais atuais, com a situação da América Latina, vemos o mesmo que ocorreu na China e na Rússia. Toda a América Latina era uma reserva particular dos capitalistas da América. Se você olhar para a América Latina, verá que antes de Fidel Castro e do povo cubano tomarem o poder em Cuba, ele estava concentrado nas mãos de Batista. Agora, Batista não é nada além de um fantoche ou ferramenta do imperialismo e capitalismo americano. No Hotel Havana Hilton, os porcos decadentes capitalistas dos EUA costumavam relaxar sob o sol enquanto continuavam com suas práticas decadentes e outras perversidades. Na musica de Bob Dylan, “Ballad of the Thin Man”, ele canta que Sr. Jones foi a um show de horrores e pagou para ver o Geak. Geak estava comendo carne crua de um osso, e deu o osso ao Sr. Jones, dizendo “Como é a sensação de ser uma aberração?”. Geak quis dizer que ele estava ali comendo a carne crua porque essa era a única coisa que ele tinha para sobreviver; mas o Sr. Jones, que nesse caso seria a classe capitalista na América, era a verdadeira aberração, porque ele estava pagando para ver alguém performar esse tipo de coisa. Em Cuba, antes do poder ter sido arrancado do imperialismo americano e de seus cães, toda Havana era um grande cercado americano.

Os capitalistas nesse país criaram a prostituição em massa, a homossexualidade e o crime organizado com sua contaminação imunda. Quando Fidel Castro avançou, tomou o poder das mãos dos capitalistas e deu de volta ao povo, o capitalismo americano reagiu de forma extremamente violenta. Batista foi apoiado ao máximo, e mais de 4.500 kg de bombas foram vendidas e jogadas sob o povo cubano. Posteriormente, os EUA instigaram, financiaram, organizaram e apoiaram a invasão da Baia dos Porcos de Cuba, que foi esmagada pelo heróico exército popular cubano. Hoje, mais de uma década depois, vemos que o capitalismo americano está engajado em outro ato criminoso contra o povo cubano, que, como todas as outras conspirações capitalistas, está fadado ao fracasso: o bloqueio econômico à Cuba.

Aqui em nossas comunidades negras, se o povo negro quer exemplos do que é o capitalismo e quais são seus efeitos, basta olhar ao redor das várias prisões e cadeias. Não é apenas coincidência que em todas as colônias e semi colónias você tenha uma alta taxa de crimes. Isso está diretamente relacionado à exploração e opressão das classes dominantes capitalistas. O índice de crimes e prostituição em nossas comunidades está intrinsecamente ligado à nossa medíocre educação, pobres habitações, miseráveis vestimentas, falta de empregos e aos já costumeiros estômagos famintos. Tudo isso pode-se atribuir ao capitalismo e à exploração. Os guetos nesse país não estão aqui por acidente. São um lugar onde grande uma fonte de mão de obra barata disponível pode ser descarregada e armazenada até que seja necessária, um mercado para despejar bilhões de dólares de bens insignificantes e serviços corruptos. Os guetos aqui na América não estão aqui por acidente. Eles são criados e mantidos pelos capitalistas por um propósito e projeto específico.

Na época da escravidão, havia duas classificações: o negro do campo e o negro da casa. O negro do campo estava sempre em desvantagem quanto ao negro da casa, mas o negro da casa trabalhava em conjunto com o senhor de escravos para ajudar a manter a opressão de suas irmãs e irmãos negros. Hoje, vemos que esses negros capitalistas mantidos por Nixon e pela classe dominante capitalista nesse país nada mais são que representações modernas dos antigos negros da casa, e enquanto os negros da casa recebem as sobras do prato do mestre, esses negros capitalistas receberão as sobras dos pratos dos capitalistas brancos racistas. Para analisar um caso particular, temos o exemplo do negro que possui o Lava Jato Rainbow no Leste de Oakland, que diz que a única coisa que salvará a raça negra é se tornar semelhante à raça branca, e que o povo negro é inferior ao povo branco. Podemos ver quão perversa pode se tornar essa busca pelos restos da mesa do mestre. Também temos os tolos que apoiaram Wallace na última eleição presidencial. Na Bíblia há uma parábola que se relaciona ao que estamos falando, onde Cristo falava sobre Lázaro rastejando e implorando na porta. É a mesma situação dos chamados negros capitalistas, implorando ao homem negro para deixá-los entrarem no sistema de exploração, ao invés de se levantarem e destruírem o próprio sistema e assim se livrarem de uma vez por todas de todos os problemas. O senhor de escravos, nesse caso é o capitalista moderno, não é burro, e enquanto ele puder ganhar sem dar nada em troca, ele fará. Agora que o povo negro tem levantado seu clamor por justiça e liberdade, e iniciado a luta de guerrilha, as classes dominantes capitalistas nesse país — que são os senhores de escravos do mundo — começam a oferecer os restos das suas mesas ao povo.

Olhe ao redor, veja que o Primeiro Ministro Thieu e o Vice Presidente do Vietnã do Sul, Ky, estão em posições de negros da casa. Eles são os negros da casa do Vietnã. De todo o dinheiro, prestígio e poder que estão em suas pequenas mãos, pouco, senão nada, chega ao povo. Na China ocorria o mesmo. Chiang Kai-Shek nada mais era que um negro da casa chinês, um capitalista chinês. Nenhuma parte do dinheiro e poder de suas mãos descia às massas do povo chinês. Tudo o que eles recebiam eram botas de ferro³ e balas das tropas de bandidos de Chiang Kai-Shek. Em Cuba, a mesma coisa. Batista, outro negro da casa; tudo o que o povo ganhou dele foram os mais de 4.500 kg de bombas e napalm da força aérea americana. E nesse país, os capitalistas negros tem as mesmas posições de Batista, de Chiang Kai-Shek e dos negros da casa da escravidão americana. Dos restos dados a eles pouco, se não nada, chega às massas famintas do povo.

Logo, o que o povo negro tem que entender é que qualquer coisa que o inimigo ofereça a você como solução do seu problema não é a solução do problema, porque seu inimigo nunca te dará algo que irá ajudar a se defender dele. O que devemos fazer é criar nossos próprios conceitos e análises da situação, para criar as soluções que efetivamente resolverão o problema. No Partido dos Panteras Negras, uma parte do nosso programa de dez pontos especificamente lida com o capitalismo. Ponto №3: “Queremos o fim do roubo do homem branco em nossa comunidade negra”. Quando dizemos isso queremos dizer que queremos o fim de todos os tipos de roubo. E um fim do roubo de nossa juventude, que tem sido enviada a 8.000 milhas de distância para serem assassinados, massacrados e usados como bucha de canhão para sustentarem a guerra da agressão imperialista. Um fim do roubo e da destruição das nossas mentes infantis pelas escolas e administrações racistas. O fim do roubo e do estupro dos corpos de nossas irmãs pelos pervertidos racistas capitalistas que não merecem ser chamados de homens. O fim do roubo de homens negros, dos assassinatos e prisões, para a cooptação da chamada liderança negra pelos planos de Nixon chamados de capitalismo negro.

O Partido dos Panteras Negras é um partido que está determinado a usar todos os meios necessários para obter bons fins. Nós no Partido dos Panteras Negras nos recusamos sermos enganados pela palavra “negro”. Entendemos que o capitalismo, o capitalismo burocrático como existe no mundo hoje é o nosso principal inimigo, e não importa qual cor você coloca como prefixo, ele continua o mesmo. Tão sangrento e perverso quanto. E quando pensamos sobre capitalismo, imediatamente temos referências a napalm e jatos no Vietnã, assassinos da CIA no Congo e Bolívia, porcos racistas paraquedistas, e tropas da guarda nacional correndo sobre a comunidade negra, e os povos do mundo sendo assassinados. Se o povo negro realmente precisa de alguma orientação externa para saber como lidar com o capitalismo, vamos olhar para os valentes vietnamitas como exemplos.

TODO PODER AO POVO!


¹Apelido pejorativo usado para se referir ao presidente Richard Nixon. Dick significa “pinto”.

²Bandeira Estrelada é o nome do Hino Nacional Americano.

³Botas de Ferro eram instrumentos de tortura usada para apertar e esmagar as pernas das pessoas.