Revolução Russa: um resumo básico

Como comunista e no meu papel de disseminar as ideias marxistas, me senti na obrigação de escrever um breve resumo para quem ainda não conhece a história da Revolução Russa. Não possuo o interesse de aprofundar intensamente o leitor acerca dos ocorridos, mas provocar uma curiosidade para que o mesmo possa procurar outras fontes e se interessar pela história.

Dividi em 3 partes:

I. Rússia pré-revolucionária: monarquia czarista
II. Revolução Branca
III. Revolução de Outubro


I. Rússia pré-revolucionária: monarquia czarista

Pequena esquematização da Rússia Pré Revolução

Bom, primeiramente precisamos analisar como era a Rússia antes da revolução e seu quadro político e sócio econômico.

O Czarismo foi um sistema político que dominava a Rússia desde 1547. O Czar era o soberano que comandava o país e possuía poder absoluto.

Enquanto muitos países da Europa — como a Inglaterra — se desenvolviam tecnologicamente, a Rússia permanecia atrasada; um país predominantemente agrário e semifeudal. A população ultrapassava os 170 milhões de habitantes, e o poder era centralizado nas mãos do Czar, Nicolau II, apoiado pela aristocracia e pelo clero ortodoxo.

A maioria da população vivia na pobreza, formada predominantemente por camponeses e agricultores, e nem a abolição da servidão em 1861 foi capaz de abalar as estruturas entre as camadas mais pobres e a nobreza. Como não possuíam terras cultiváveis, suas condições de vida pouco mudaram. A educação também era precária e a maior parte da população ainda era analfabeta (cerca de 90%).

A economia, essencialmente agrária, permanecia atrasada. A população permanecia pobre e muita das vezes faltava alimentos para a maioria.

Nas grandes cidades passou a se estabelecer algumas indústrias, em posse de capitalistas internacionais (principalmente ingleses e alemães) aglomerando milhões de operários em condições insalubres e jornadas de trabalho exaustivas, chegando a 16 horas por dia.

Boa parte da nobreza, também rural, não via com bons olhos as mudanças, e eram contra a elevação dos impostos que beneficiava as indústrias (de posses internacionais) e pouco contribuía para a agricultura do país. A burguesia estava enfraquecida, pois as terras estavam em posse dos nobres e o capital industrial se concentrava nas mãos dos estrangeiros.

Com o início da industrialização, concentração do proletariado nas grandes cidades e péssimas condições de trabalho, começa a surgir no seio dos mais pobres os ideais comunistas, que se espalham pela Europa desde 1840. Uma série de greves começa a surgir entre os trabalhadores.

Resumindo: a Rússia era um país economicamente atrasado, com poucas indústrias nas mãos dos estrangeiros e 80% da população formada por camponeses. Os operários se aglomeravam nas grandes cidades e sofriam com a super exploração, além da ausência de participação política.

II. Revolução Branca

Pequena esquematização do período entre a revolução branca e a revolução bolchevique

Então, em 1898 funda-se o Partido Operário Social Democrata Russo (POSDR), que propunha um choque contra o governo absolutista à luz dos ideais marxistas.

Em 1903, o Partido divide-se basicamente em dois grandes grupos:

a) Mencheviques: menchevique significa “minoria”. Liderados por Iulii Martov, eram contrarrevolucionários e defendiam uma passagem gradual ao socialismo através de reformas. Acreditavam que primeiro deveria haver uma aliança com a burguesia e o desenvolvimento total do capitalismo no país, para enfim haver uma revolução socialista por meios eleitorais.

b) Bolcheviques: bolchevique significa “maioria”. Liderados por Vladimir Illitch Ulianov (Lênin), acreditavam na ditadura do proletariado e na tomada do poder através da revolução socialista de forma imediata, com a aliança entre os camponeses (foice) e os operários (martelo). Trotsky se filia apenas no limiar da revolução, em 1917, estando anteriormente na fileira dos mencheviques.

Em 1904 a Rússia tenta se expandir para o Oriente e conquistar territórios. Marinheiros e militares se opõem à entrada na guerra, em vão. O exército russo sai derrotado e a situação econômica do país se agrava.

Eclode então no país revoltas e greves generalizadas, e formam-se sovietes (Gossudarstviênni Soviete) que eram conselhos operários organizados para coordenar as greves e o movimento operário.

O czar então inaugura o parlamento (Duma), sob o pretexto de uma certa abertura política para debates sobre temas de interesse nacional. Porém, o poder não foi distribuído, e o parlamento era constantemente vigiado e ameaçado por Nicolau II.

No dia 9 de janeiro de 1905, mais de 200 mil operários se reúnem em São Petersburgo para uma manifestação contra o Czar, reivindicando melhores condições de trabalho. A manifestação foi violentamente reprimida pelas tropas do governo, resultando em milhares de mortos e feridos. O episódio ficou conhecido como “Domingo Sangrento”.

Foi o que Lênin chamou de “ensaio geral” da Revolução. O movimento popular só aumentou.

A burguesia apoiou a repressão aos trabalhadores, e muitos socialistas foram perseguidos e mortos na sequência. O governo prometia reformas, que só agradava aos mais ricos e não se concretizavam.

E mesmo com as condições degradantes, a Rússia entra na Primeira Guerra Mundial em 1914, ao lado da Tríplice Entente. Mais de 10 milhões de homens foram enviados para a guerra, em péssimas condições. A guerra se mostrou simplesmente um massacre dos soldados russos, e a população exigia que seus homens fossem enviados de volta.

Os militares exigiam paz, os camponeses exigiam terras, e os operários exigiam pão. A guerra destruía vidas, indústrias e a agricultura do país. Não havia chances para a Rússia, e a atitude de Nicolau II de [ligar o foda-se] ignorar os apelos da população provocou uma grande revolta.

No dia 8 de março de 1917, Dia Internacional da Mulher, as mulheres trabalhadoras saíram às ruas e clamavam contra a fome no país. Convocaram a adesão dos operários, e instituiu-se uma grande greve geral. Dessa vez as tropas do governo não aderiam à repressão, pelo contrário: se uniam ao movimento e entregavam as armas aos manifestantes.

Houve saques a lojas, prédios eram incendiados, e carros revirados. Cada vez mais policiais se recusavam a atacar a população, que linchava os oficiais que davam as ordens para atirar.

Alguns dias depois soldados e trabalhadores então cercaram o czar Nicolau II, que assinou sua abdicação. Formam-se dois comitês provisórios: o dos deputados que formavam a Duma, e dos trabalhadores, que formavam o Soviete.

Instaura-se então um Governo Provisório, através da Duma, de caráter liberal e burguês, apoiados pelos mencheviques e sob a liderança do Príncipe Lvov (substituído logo após por Kerenski), que defendia a participação russa na guerra e a manutenção da propriedade privada.

III. Revolução Bolchevique

Enquanto isso, o Soviete de São Petersburgo reivindicava o governo, o fim da guerra e a terra nas mãos dos camponeses (“todo poder aos sovietes!”). O Partido Bolchevique sai da clandestinidade, Lênin volta à Rússia e publica as “Teses de Abril”, um documento que descrevia as principais perspectivas dos bolcheviques e reivindicava:

“Nacionalização de todas as terras no país e sua colocação à disposição dos Sovietes locais de deputados de assalariados agrícolas e camponeses.
Formação de Sovietes especiais de deputados camponeses pobres.
Transformação de todo grande domínio (de 100 a 300 hectares inclusive, levando em conta as condições locais e outras e de acordo com a decisão dos órgãos locais) em uma fazenda-modelo colocada sob o controle dos deputados de assalariados agrícolas e funcionando por conta da coletividade local.
Fusão imediata de todos os bancos do país em um Banco Nacional único, colocado sob o controle dos Sovietes de deputados operários.
Nossa tarefa imediata não é a ‘implantação’ do socialismo, mas passar unicamente à instauração imediata do controle da produção social e da distribuição dos produtos pelos Sovietes de deputados operários.”

O campesinato exigia a reforma agrária e os militares, o fim da guerra. O Governo Provisório vai perdendo forças aos poucos. Funda-se o Exército Vermelho, sob liderança de Trotsky, que se preparava para um combate contra as forças militares do governo.

Mas a tomada acontece de forma pacífica.

Em 24 de outubro, os bolcheviques, liderados por Lênin, ao lado dos anarquistas e outros socialistas revolucionários, cercam a sede do Governo Provisório e delegam o poder ao Conselho dos Comissários do Povo, que decreta a reforma agrária, estatização de todos os bancos e fábricas do país e abolição da propriedade privada.

to be continued…

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