O PS3 está morrendo e essas são algumas das melhores memórias que ele me proporcionou: Parte 2

Carlos Palmeira
Sep 6, 2018 · 4 min read
Uncharted é a melhor experiência “Sessão da Tarde” que eu já tive com games

Parece que o nosso Universo é regido por uma única e irrevogável regra: o fim. Tudo o que nos cerca, incluindo nós mesmos, está umbilicalmente ligado ao fato de que um dia se esvairá. Após essa breve digressão, retomarei neste texto o que comecei neste outro aqui, onde falei sobre uma grande experiência narrativa. No caso de hoje eu falarei sobre os meus melhores momentos aventureiros com o PlayStation 3.

Uncharted tem influência de um filme do Nicolas Cage, quem diria

Sessão da Tarde

Eu acredito que nenhum jogo desde o inicio dos anos 2000 ilustrou melhor um tipo específico de sensação. Manja aquela sentada na frente do sofá pra ver aquele grande filme de ação e exploração do tipo “A Múmia”, “Indiana Jones” e “A Lenda do Tesouro Perdido” ? Aquele filme com várias grandes sequências de tirar o fôlego no meio de uma caverna no interior do Tibete? Então, tudo isso foi traduzido em uma série de jogos pela Naughty Dog. Nós não sabíamos à época, mas Uncharted era tudo o nós, fãs de filmes de caçada ao tesouro, precisávamos.

Eu conheci a série somente em 2010, quando finalmente estava com um PlayStation 3 em mãos. Um amigo de um amigo me emprestou o “Drake’s Fortune” e foi paixão à primeira vista. “Cara, que jogo divertido!”, eu pensava. A mecânica do tiroteio, foco do game, era tão fluída que você poderia passar, sem se cansar, horas ali, atirando em gangues exploradoras rivais.

A sensação era de que, na verdade, você já tinha visto algo parecido com aquilo. A comparação com a série Tomb Raider era quase imediata. Mas era impossível não achar que aquele tipo específico de game havia chegado em um novo patamar. Além do gameplay, os personagens eram extremamente carismáticos — nem preciso destacar o Nathan Drake, né? -, os cenários eram lindíssimos e os puzzles eram desafiadores na medida certa.

O elemento sobrenatural no meio/final do jogo foi a cereja no bolo. Ou melhor, foi o chocolate granulado no bolo, já que eu não gosto de cereja. Depois daquilo a série me pegou de vez e eu nunca mais larguei.

Continuações

O segundo jogo da franquia, nomeado de “Among Thieves”, eu também joguei com um blu-ray emprestado do mesmo amigo de um amigo meu. Àquela época, em meados de 2011, o conhecido já havia se tornado quase uma locadora pra mim, já que eu não tinha dinheiro para comprar os jogos do console.

Quando você achava que a cena com o helicóptero resgatando o Drake na saída da caverna no final do primeiro Uncharted já havia sido o auge da franquia, o começo do segundo já te falava que você tinha “achado errado, otário”. No segundo jogo você simplesmente começa escalando um trem caído de um penhasco congelado no Himalaia. No mesmo game é entregue ao jogador outra sequência brilhante em um maquinário férreo. São estes os momentos que você guarda na memória. Que te fazem lembrar com tanto carinho dessas produções que foram trabalhadas durante anos para que evocassem um sentimento de deslumbramento no jogador. E gerou em mim. Mais uma vez, obrigado Naughty Dog.

O jogo começa no estilo “VAI, PENSA RÁPIDO”

Todo esse clima de Uncharted, que já havia virado referência em jogos no estilo exploração, foi repetido em “Drake’s Deception”. Seria muito difícil se igualar em qualidade aos dois primeiros. E o terceiro lançamento da franquia realmente teve uma queda na qualidade. Apesar disso, os vídeos de gameplay mostravam que o espírito continuava ali. Isso me fez comprá-lo, finalmente, em 2012.

Sobre o fim

No começo de 2018 eu finalizei o quarto e provavelmente o último jogo da série. A sensação que tive após a última cena de Thief’s End, do PlayStation 4, foi de vazio. Enquanto a série toda me deixava com a respiração presa e de olhos bem abertos, dessa vez o sentimento ao final do jogo foi de tristeza pela provável despedida.

A série é obrigatória para donos de consoles da Sony

Começo e termino falando sobre fins. Na verdade, o texto é sobre isso mesmo. Mas é engraçado o momento em que escrevo isso, já que recentemente fui lembrado que também estou inserido neste ciclo onde a finitude é provavelmente a única clausula pétrea e inegociável da existência. Filosofadas de lado, estou preparando uma terceira parte para encerrar essas produções acerca do PlayStation 3. Para você que chegou até aqui, meu muito obrigado. Valeu!

Carlos Palmeira

Written by

Jornalista. Uso o espaço para falar algumas besteiras sobre jogos, filmes, séries e o que mais me der na telha.

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