-Você me ama?

-Não.

-Você vai me amar?

-Só tem um jeito de saber.

Acendo um cigarro. Raramente tenho que responder perguntas tão capciosas às onze horas da madruga, logo após uma fantástica noite de sexo sem precedentes.

Ela, bem… Ela estava olhando perdida para o teto, pensando, talvez, sobre a minha resposta. Não a conhecia o suficiente para dar certeza dessa suposição. Ela era passional, as melhores sempre são.

-Quanto tempo demora para se amar alguém?

-Não sei. Espero que seja muito tempo . — Coloco uma boa quantidade de fumaça nos meus pulmões e depois de um tempo, solto . — Pois na maioria das vezes é um caminho sem volta.

-Quantas vezes você já amou?

-Diabos, não é algo que eu me orgulhe pelos números e sim pela intensidade.

-Quantas vezes?

-Esta bem questionadora essa manhã ein. Qual o motivo da pergunta?

-Eu… Não sei ao certo, mas acordei me perguntando: “Será que já fui amada de verdade por alguém?”.

Percebo em seu olhar uma expressão sutil de tristeza. É duro ver isso em uma mulher. Puxo a para meu ombro e ofereço um abraço acolhedor.

-Você já foi amado?

-Nunca me questionei sobre, às vezes, acho que tenho medo de saber a resposta. Tenho minha própria ideia sobre amor.

-E qual seria essa sua ideia?

-Hmmm … — Aperto ela mais um pouco, como se quisesse mostrar que temos muitas outras coisas melhores para fazer do que continuar esse questionário. Ela não parece estar disposta a mudar de ideia. — Bem, eu não acho que seja um sentimento passageiro, digo, não acho que seja uma coisa que você sinta por meses ou por anos. Eu mesmo não consegui me livrar desse sentimento até hoje, não que seja um cara velho, mas sinto como se esse sentimento tivesse conquistado um espaço permanente em algum lugar dentro de mim.

-Se for desse jeito, eu acho que nunca amei na vida.

-Bem, esse é o jeito para mim. Sou um idiota pseudo-romântico ou talvez só um idiota mesmo. Algo que vou tirar prova com o passar dos anos. De toda forma eu gostaria de ser uma pessoa que banaliza o amor e o confunde com paixão constantemente.

-Isso acontece?

-Com mais frequência que você pensa. Basta umas borboletas na barriga e lá está você destilando juras de amor. Tem lá suas vantagens. Se dura tanto quanto a paixão, o sentimento de “perda” é bem mais passageiro.

-Eu acho que nunca amei como você então.

-É, a maioria das pessoas me dizem isso. Talvez seja uma doença no meu caso, não um sentimento.

-Eu não acho que você seja doente, talvez só uma espécie em extinção.

-Tipo um dinossauro? Se for quero ser um velociraptor, ele sim nunca sai de moda e é bem “badass”.

Ela me olha rindo, aproxima o rosto do meu e solta um sonoro:

-Cala a boca. — Segue um beijo molhado com uma pitada de desejo. Tenho a impressão que esse papo de amor eterno é um afrodisíaco para algumas mulheres.

O que acontece a seguir é bem clichê, mas não consigo tirar o pensamento de que talvez eu não seja uma espécie em extinção, mesmo gostando da definição.

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