Quando a gente casa uma sobrinha

Dani, faltam três dias pro seu casamento e eu quis te homenagear pra todo mundo saber o quanto você é especial …

Esse foi um dos textos mais difíceis de escrever, porque vem carregado de emoções e lembranças. Quando a gente casa uma sobrinha a gente lembra da gravidez da nossa irmã. Ela enjoou pra caramba e como já te amava tanto seguiu firme e forte entre um mal-estar e outro. Quando a gente casa uma sobrinha a gente recorda que a nossa irmã usava um maiô preto com azul. E na piscina de Atibaia se ela ficasse de costas nem parecia que estava grávida. Mas você estava lá… esperando pra mudar a vida de todos nós.

Quando a gente casa uma sobrinha a gente lembra a primeira vez, quando logo depois de sair da barriga da sua mãe você veio até nós — a vovó, o vovô, eu, a tia Solange e mais algumas pessoas. Você estava enrolada num lençol azul, toda sujinha, num bercinho de acrílico. Sua avó chorou, todos choraram de alegria. Que alívio!

Quando a gente casa uma sobrinha a gente lembra que você me ensinou a ser tia. E que meu ciúmes era gigante quando levavam você da casa da vovó pra qualquer outro andar na vizinhança. Eu odiava, pois pra mim você era só minha. O bom é que eu sou sua única tia. (rá)

Quando a gente casa uma sobrinha a gente lembra que você fazia olhinho de boneca e um monte de caretas, sejam quais fossem. A gente lembra de você pequenininha desenhando e fazendo uns barulhinhos… depois eles passaram e você entendeu que estava protegida.

Quando a gente casa uma sobrinha a gente se faz leoa se alguém quiser chegar perto com más intenções. A gente descobre que tem um monte de coisas em comum, de maquiagens, a sapatos e brilhos (esses menos). Sua mãe até fala que se fosse minha filha não seríamos tão parecidas. E somos mesmo! Só discordamos da estampa de onça, que eu amo e você detesta.

Mas na verdade não somos parecidas, pois você é muito melhor. Os sobrinhos vêm pra mostrar pra gente que dá pra ser melhor, infinitamente melhor. E você é assim, nos seus momentos tristes e felizes, todos com a mesma intensidade.

Quando a gente casa uma sobrinha a gente lembra dos shows do Teatro Mágico, do Exalta e de tantos e tantos dias torrando sob o sol de Santos. Eu lembro do quanto te admirei quando foi pra Irlanda. Como foi madura e voltou cheia de histórias pra contar. Eu não disse que você era muito melhor do que eu?

Quando a gente casa uma sobrinha a gente lembra que no pior momento, foi você que estava lá. E no meio de tanta dor nós duas ríamos porque você empurrava a minha cadeira de rodas no hospital batendo nas paredes… e a gente morreu de rir.

Quando a gente casa uma sobrinha a gente pensa se tem maquiagem feita de massa corrida, porque só à prova d´água vai ser pouco. Não vejo a hora de você entrar na igreja mais linda de Santos, de noiva, pra encontrar seu amor. Na verdade eu queria que o tempo passasse bem devagar nessa hora.

Aliás, quando a gente casa uma sobrinha a gente ganha um sobrinho. O Danilo é a sua tampa da panela, a metade da laranja e o companheiro perfeito que Deus guardou pra você. No entanto, ele que não se atreva a te magoar…

Quando a gente casa uma sobrinha a gente entende que o caos do início virou apenas coisas boas. Eu só consigo lembrar do quanto te amo. E como é bom ser sua tia. De tão parecidas somos tão diferentes… porque tenho certeza que você é muito melhor.

Eu te amo!