
O Hall dos Espelhos
Ela viajava sozinha, adorava se sentir no limbo, sem pessoas pedindo sua opinião, pedindo permissão pra fazer algo, marcando reuniões, etc. Ganhava bem, era independente até pra ter orgasmos, mas nunca tinha entendido o motivo de homens e mulheres ficarem hipnotizados pela sua beleza.
Passando por um parque em Berlim, ela conheceu o hall dos espelhos. O hall era um lugar cheio de espelhos imperfeitos. Uns a deixavam mais alta, outros muito gorda, outros cabeçuda, anã, com corpo todo inconsistente, até que o quarto espelho do último corredor prendeu sua atenção por completo.
Ficou parada, atônita, perdeu a respiração por alguns segundos e sentiu, pela primeira vez, o amor à primeira vista. Finalmente entendera tudo, uma revelação foi feita neste momento. Aquele espelho, em particular, reduzia sua testa pela metade, a única parte dos seu corpo que odiava, que a deixava feia.
Agora sim ela passara a entender o universo: as pessoas não reparavam sua testa, por isso se apaixonavam.
