Não amarele para a depressão
Setembro Amarelo, vamos falar sobre depressão?
Hoje vou falar sobre depressão, um grande tabu na sociedade ocidental e também um grande problema. No Brasil 5,8% da população sofre com o distúrbio segunda a OMS (Organização Mundial da Saúde) o que nos torna o país mais depressivo da América Latina, são mais de 11 milhões de pessoas nessa condição, que afeta não só o doente mas todos os que estão em contato com ele, família, amigos, colegas de trabalho. Esse quadro se agrava quando associamos o distúrbio aos altos índices de suicídio, quase todos conectados à depressão. Não fosse o ato de tirar a própria vida uma tarefa que exige coragem e um certo nível de destreza, certamente esse número seria muito maior. A indiferença com que o problema da depressão vem sendo tratado é um dos fatores agravantes para o crescente número de suicídios no mundo.
Um suicídio a cada 30 segundos acontece no mundo. (dados de 2012)
A começar pelo próprio deprimido que muitas vezes se recusa aceitar que sofre com o distúrbio — e a culpa não é dele na maioria das vezes — nossa cultura competitiva e machista insiste em tratar um problema como esse como frescura, falta de força de vontade, “depressão não é coisa de homem, homem é forte, passa por cima e segue em frente”. Nessa lógica depressão é coisa de mulher, e pra elas está tudo bem. Mulher deprimida é normal. (sic)
São tantas as frases que demonstram o desprezo pela condição que encheriam um livro, é comum ouvirmos:
Levanta daí, você só está triste.
Para com isso você é um homem ou um saco de batatas.
Cara, falta deus no seu coração, tenha fé, reze um pouco que vai passar.
Seu problema é falta de dinheiro, quando você voltar a trabalhar melhora.
E por aí vai. Precisamos entender que o nosso mundo não está melhorando, são muitos os aspectos que demonstram um piora na qualidade de vida das pessoas, empregos precários, situações de vida degradantes, crises políticas, ambientais e crises existenciais! Os domínios da mente se expandem de forma frenética, o conhecimento já não cabe mais na mochila e no caderninho de papel, não escrevemos mais à lápis, tudo fica registrado perpetuamente, nas redes sociais da vida, nossa vida tornou-se um ciclo interminável de vaidades e comparações consumistas. A ostentação de uns é o desejo de outros e desejo quando não é satisfeito torna-se conflito. Somos a soma de todos os nossos afetos, até mesmo os não correspondidos. Por isso é lícito e justo que alguns se sintam dessa maneira, deixados de lado, à margem das imagens boas e dos prazeres dos comerciais super produzidos.
E assim bombardeados pelas tentações da vida moderna, do mundo prático que vem com o excesso de dinheiro e da sonhada boa posição social, nos perdemos em devaneios chulos e efêmeros, não conseguimos ser como a família do comercial de margarina, nem pilotamos com destreza o último modelo de automóvel que o comercial de TV nos mostra como sendo o padrão do homem de sucesso, feliz e que sabe o que quer. Relacionamentos rasos, pouco divertimento, excesso de trabalho e a eterna sensação de não estar chegando à lugar algum são o motor da discórdia em muitas famílias brasileiras. Na periferia temos as condições precárias de vida, no campo o isolamento e o excesso de veneno e as doenças que advém da prática do uso de agrotóxicos. Nas cidades os altos edifícios de concreto são como muralhas que acobertam as angústias e as dores de seus habitantes, estamos aglomerados, juntos e nunca estivemos tão separados, cada um individualmente buscando o inalcançável, uma felicidade artificial construída sobre o alicerce do consumo de produtos que perdem seu interesse no momento em que colocamos as nossas mãos neles.
Países orientais, encontraram um caminho na reconexão com a natureza, com o ar livre, com a prática de exercícios físicos coletivos, somos criaturas sociais e coletivas, gostamos de nos juntar em tribos e isso tem tudo a ver com a maneira como nos sentimos, é preciso aceitar as diferenças e nos complementarmos, darmos as mãos e ajudarmos a diminuir esse número. Quando ouvir de alguém que ele se sente deprimido, que não consegue mais ver sentido na vida e que acha que tudo está horrível, caótico e sem sentido, não se afaste, ofereça ajuda, fique próximo e seja o apoio que ele precisa, todo deprimido é um potencial suicida e muitas vezes sua condição nada mais é do que um pedido de socorro, uma solidão da alma que pode ser apaziguada com palavras e gestos de carinho, em outros casos mais graves precisam também de intervenção médica.
Setembro é o mês da prevenção ao suicídio, compartilhe este artigo nas suas redes sociais, espalhe a palavra, quebre esse tabu, depressão é real, tem cura e pode levar à morte.

