Há um tempo venho pensando em escrever, em tentar dar algum tipo de apoio a quem passa pela mesma situação e se sente perdido, sozinho (a gente sempre acha isso e não é verdade), mas vira textão e quem quer ler textão? Ou algo depressivo, triste? É relato real aqui e sei que muitos não fazem ideia do que vou falar e não é fácil falar, mas acho que juntos somos mais, não? Aquela fé pequena no restante da humanidade.
Pois é, a “menina do sorriso bonito” por trás deste sorriso todo esconde uma dor horrível. E no meio da dor, da incompreensão de muitos (e eu não os culpo), escuto os mais variados tipos de comentários: falta de Deus, espírito, falta de “macho”, tem que tomar vergonha na cara e ficar bem, frescura, “você não tem porquê ficar assim”. Gente, parem com todas estas frases prontas e entendam que isso é real, tem que ser tratado e isto mata.
Como muitas mulheres, sou estatística. Estatísticas de violência sexual, psicológica, física. Carrego pesos que não deveria carregar mais. Levantei e segui, “sou forte”. Mas a fortaleza começava a trincar. Ansiedade? Ah, “amanhã vou usar meia preta. Pronto, não durmo até usar a bendita meia.” Gente, não! Parem pelo amor de Deus de romantizar isto. Todos temos, ok. Aquela simples, rápida, normal, mas tu já chegou a passar horas revirando na cama querendo dormir e não conseguir? Ter medo? E implorar aos céus para algum amigo seu estar acordado ainda para conversar, te ajudar a acalmar, te mostrar que não está só. Já sentiu medo do outro dia? Medo de falhar e nem ao menos saber exatamente no que. Chorar no banho, chorar do nada, sentir dor, dor mesmo no peito, na cabeça? Já se sentiram tristes a ponto de não querer REALMENTE NÃO VIVER MAIS? Pensar, planejar, desejar não acordar mais? Acabar com o sofrimento. Porque você se sente um fardo. Um fardo pra família, pro seus amigos, você tá em um pico de muita raiva, logo chora e você não consegue mais falar. “Falar pra quê? Tô cansando demais as pessoas com meus dramas”. “Quem sou eu? Quem eu tenho aqui comigo? Por que sou tão só?” A cabeça não funciona mais direito. Mas claro, tem dias que são bons, normais, mas a cabeça logo começa “eu vou chegar em casa e acabou, é só uma farsa”. Dói falar disso. Dói me expor assim.
Eu não aceitava isto. Não queria aceitar. Não queria sentir isso, queria ser forte para sair sozinha, queria não vomitar quando estava discutindo, nervosa, não chorar sem conseguir parar, queria não precisar de um psicólogo (tolice), tinha medo de como minha família, amigos, todos iriam se portar depois disto. Eu não queria ser tratada diferente, que me colocassem numa redoma de vidro.
Quando cheguei no fundo mesmo do poço, quando pensei em dar um fim em tudo isso, eu vi a comoção que alguns amigos fizeram por mim. Aquilo me levantou naquela noite. Eles ficaram comigo. Me acalmaram. Mesmo por whats, mas estavam realmente aqui. São pouco, únicos e eu os amo. Neste dia, depois de muito choro, decidi que iria procurar ajuda profissional, iria ficar boa, não só por eles, mas muito mais por mim. Eu merecia. Eu passei tanta coisa, mudei e por mais que o mundo seja essa merda toda, tem pessoas legais nele ainda, coisas boas para se fazer e como eu ando dizendo, por mais que pareça que estou subindo o monte Everest, eu tô subindo. Eu quero chegar lá. Vou chegar. Nos dias ruins, por mais que eu não queira falar, porque por mais que eu queira alguém, eu queria ficar quietinha (é, é bem isso), sempre aparece um amigo com uma brincadeira, uma música (como foi hoje), um chocolate e te mostra que realmente eu não estou sozinha.
Eu tô resistindo. Eu tô lutando. Tô subindo o monte. Um passo de cada vez.