O amor de verdade vai embora sim.

O amor de verdade vai embora sim. Isso mesmo, ele se cansa, o prazo de validade da resiliência vence, a paciência se esvai e o amor próprio parece que some. E quando isso acontece, só tem uma alternativa para o amor verdadeiro, respirar fundo e deixar o ser amado, o príncipe ou a princesa que agora está em estado bruto, verdinho, estado de sapo; que apenas ouve a seu coaxar e se atenta unicamente aos seus pulos e saltos.

O amor de verdade extingue-se em prazo de validade contrariando todos os clichês do: “amor verdadeiro nunca vai embora”, “o amor aguenta tudo”, “sofre e continua amando”…. Ahhhhhhhh, para, né? Dramalhão mexicano, mães judias e sofrência, não. Please. Se usarmos a premissa básica que amor não é sofrer (pois eu acho em meio a todos meus achismos, que há algo de sublime e maior na palavra e no sentimento amor!), em que o sofrimento é sua antítese, não podemos aceitar a rima ridícula e pobre do amor com dor (que me perdoe a Bossa Nova).

O amor de verdade precisa de cuidados básicos e retroalimentação. Isso mesmo, amorfagia. O amor se alimenta de amor. Para existir amor, há que ter amor-próprio, há que ter amor do outro, há que ser basicamente cuidado com parceria, com amizade, admiração pelo ser amado, há que ser regado com bons vinhos para alimentar os sonhos, assim como correr lado a lado quando a rotina cansa o amor e ele começa andar devagar, o amor verdadeiro não fica nem a frente, nem atrás, ele está junto, lado a lado. Ele não dói. Ele ensina. Ele se coloca na posição do outro para entender. Ele é isento de ego. Ele apenas é. Ele quer estar junto, fazer coisas juntos, crescer. O amor verdadeiro coopera. Ele constrói. Soma.

Lindo isso, não é mesmo?! Mas quase nunca acontece, ou minimamente, ou ainda para aqueles que tiveram a sacada de não se deixarem perder-se nos acontecimentos da vida, no dia a dia, no seu ego, nos seus próprios problemas internos. Pessoas que amorfagicamente se alimentaram de amor próprio e assim alimentaram seu amor de verdade.

Nessa perspectiva, talvez nunca tenhamos realmente amado.

Amor não passa fome. Se desnutrido, ele vai embora. Mesmo amando, ele vai embora. Vai embora para se alimentar, para plantar organicamente o seu amor-próprio, livre “amortóxicos”, e que se perdeu em algum lugar da caminhada, pois ficou a frente ou atrás do seu amor, não estava mais lado a lado, e estava sem o alimento primordial: amor-próprio.

O amor é livre. Tem Habeas Corpus natural. A sua premissa é o bem-estar, bem sentir, bem viver, a coisa no estado delícia, e mesmo nas horas difíceis, naquelas situações que não são boas, que é foda viver, você não sabe o que o fazer e começa achar que vai ficar louco, o amor é o porto-seguro. Ponto. Sem vírgula. É nessas horas que o amor é o abraço aconchegado, o lugar para pouso certo, onde você se nutre, onde consegue pensar, onde tem apoio. Amor é parceria. Parceria que se alimenta e nutre seu amor. Se isso não acontece, o amor de verdade sofre, chora e depois vai embora.

Alimente-se e alimente seu amor, com amor.

Cuide-se e cuide de seu amor, ele fica.

%,�

Show your support

Clapping shows how much you appreciated Christine Kian’s story.