PEDAGOGIA

Christofer Braga
Jul 20, 2017 · 5 min read

É possível classificar as grandes discussões filosóficas da história e da atualidade em três tópicos básicos: beleza, moral e conhecimento. O presente texto tem como base de interesse discorrer sobre o viés filosófico competente ao conhecimento, com doses de argumentos críticos mesclados a dados técnico-científicos.


A FRAUDE PAULO-FREIRIANA

Assim como na física quântica — que nos é possível fragmentar a matéria estruturando-a em tecido, célula, molécula, átomo, próton, nêutron, elétron e uma serie de outras substancias subatômicas — também conseguimos estruturar o conhecimento cognitivo em: pensamento, ideia, teoria e discurso (seja ele falado, escrito ou apenas assimilado). No caminho percorrido entre o pensamento e o discurso ocorre uma serie de reconfigurações nas redes neurais do córtex. Algumas sinapses são desligadas e outras ativadas. O que podemos chamar de construção do conhecimento.

A interiorização e autoconstrução do conhecimento é, certamente, mais digna de aplausos do que a simples e superficial obtenção da gnose pronto e já construído por terceiros (como, por exemplo, pelo professor). É assentido, desta forma, que a identificação de todo pensamento, ideia e teoria que lhe conduz a determinado discurso lhe proporciona maior solidez sobre o produto final: conhecimento. Mas seria plausível, ou até admissível, a aplicação desses princípios sobre as mentes incipientes de nossas crianças?

Nosso país se encontra nos últimos lugares em qualquer teste internacional acerca da educação. De acordo com pesquisa levantada pelo PISA, TIMSS e TERCE em 2015, o Brasil ocupa 60ª posição no ranking da educação numa lista com 76 países. Como se explica essa vergonha entre nossos jovens e adolescente, sendo que, por normais que sejam nossas crianças, são totalmente dotadas de capacidade intelectiva tais como as estrangeiras?

Não deve causar espanto essa catástrofe pedagógica se levarmos em consideração a real face — ou, pelo menos, uma segunda perspectiva — acerca de nosso “patrono na educação nacional”. Talvez seja mesmo ele quem melhor representa a tragédia da educação brasileira. Podemos fazer um juízo sobre a pessoa de Paulo Freire e sua principal obra — Pedagogia do Oprimido através de depoimentos conclusivos de alguns de seus fâmulos e admiradores, encontrados na pagina virtual de John Ohliger:

Não há originalidade no que ele diz, é a mesma conversa de sempre. Sua alternativa à perspectiva global é retórica bolorenta. Ele é um teórico político e ideólogo, não um educador.”(John Egerton, “Searching for Freire”. Satuarday Review of Education, abril de 1973.)

Ele deixa questões básicas sem resposta. Não poderia a ‘conscientização’ se um outro modo de anestesiar e manipular as massas? Que novos controles sociais, fora os simples verbalismos, serão usados para implementar sua política social? Como Freire concilia a sua ideologia humanista e libertadora com a conclusão lógica da sua pedagogia, a violência da mudança revolucionária? (David M. Fetterman, Review of The Politics of Education, American Anthtopologist, março de 1986.)

[No livro de Freire] não chegamos nem perto dos tais oprimidos. Quem são eles? A definição de Freire parece ser ‘qualquer um que não seja um opressor’. Vagueza, redundância, tautologia, repetições sem fim provocam o tédio, não a ação. (Rozanne Knudson, Resenha da Pedagogy of the Oppressed; Library Journal, abril de 1971.)

A ‘conscientização’ é um projeto de indivíduos de classe alta dirigido à população de classe baixa. Somada a essa arrogância vem a irritação recorrente com ‘aquelas pessoas’ que teimosamente recusam a salvação tão benevolentemente oferecida: ‘Como podem ser tão cegas?’ (Peter L. Berger, Pyramids of Sacrifice, Basic Books, 1974.)

Alguns vêem a ‘conscientização’ quase como uma nova religião e Paulo Freire como seu sumo sacerdote. Outros a vêem como puro vazio e Paulo Freire como o principal saco de vento. (David Millwood, Conscientization and What It’s All About, New Internationalist, junho de 1974)

A Pedagogia do oprimido não ajuda a entender nem as revoluções nem a educação em geral. (Wayne J. Urban, “Comments on Paulo Freire”, comunicação apresentada à American Education Studies Association em Chicago, 23 de fevereiro de 1972.)

Sua aparente inabilidade de dar um passo atrás e deixar o estudante vivenciar a intuição crítica nos seus próprios termos reduziu Paulo Freire ao papel de um guru ideológico flutuando acima da prática. (Rolland G. Paulston, “Ways of Seeing Education and Social Change in Latin America”, Latin American Research Review. Vol 27, n. 3, 1992.)

Algumas pessoas que trabalharam com Freire estão começando a compreender que os métodos dele tornam possível ser crítico a respeito de tudo, menos desses métodos mesmos. (Bruce O. Boston, “Paulo Freire”, em Stanley Grobawski, ed., Paulo Freire, Syracuse University Publications in Continuing Education, 1972.)

O ineficiente socioconstrutivismo aliado à pedagogia (ou, se preferir, ativismo político) do oprimido paulofreiriano poderiam até lograrem êxito se aplicados sobre mentes brilhantes e superdotadas como a de um Aristóteles, por exemplo; mas é certamente um verdadeiro fracasso para com “reles mortais”, crianças comuns como a maioria dos seres humanos. Sobre a educação infantil, principalmente, é impensável que se deixe a livre assimilação às coisas pelo contato com o mundo material e social — como prega a aludida teoria supramencionada. Uma criança, ainda em processo de desenvolvimento intelectual tem que ser alfabetizada e educada com métodos tradicionais, pois, ainda é desprovida dos conhecimentos fundamentais, e, da maturidade para, só então, passar a construir seu conhecimento.

É patente a necessidade de se aprender primeiro uma parte delimitada, solida e mecânica do idioma e linguagem natal para, só depois, desenvolver seu universo de significados livres e fluidos. Pular a coisa primeira seria, como disse G. K. Chersterton em sua obra Ortodoxia (2012, p. 36): “O homem que começa a pensar sem os apropriados primeiros princípios fica louco; começa a pensar do lado errado.”

A titulo de exemplo, tomemos a politica educacional francesa. Depois de duas gerações perdidas de educação construtivista, acabaram por reconhecer sua ineficácia e erro por adotá-la. Voltaram aos métodos tradicionais como projeto de recuperação da educação nacional.

É possível enxergar, portanto, benefícios nos diversos métodos de aprendizagem, mas é preciso que se tenha maturidade para identificar os erros de aplicabilidade e fazer bom uso nos diferentes estágios da vida e progressão intelectiva. Como registra Olavo de Carvalho, em seu livro A Dialética Simbólica (2015, p. 31):

Ora, dos princípios universais não conhecemos, em geral, mais que suas fórmulas abstratas, de modo que nos encontramos com frequência divididos entre uma verdade universal desligada da experiência concreta e uma experiência concreta destituída de verdade e de sentido, reduzida ao empirismo mais cego e tedioso.

Não existe nenhum método puro para a educação, conhecimento e inteligência. É necessário haver uma análise que procure evidenciar as contradições da realidade concreta, a fim de aperfeiçoar as varias possibilidades de obtenção do saber.


CARVALHO, Olavo de: A Dialética Simbólica. 2ª edição, Vide Editorial, 2015

CHESTERTON, Gilbert Keith: Ortodoxia. 2ª edição, Editora Mundo Cristão, 2012

http://www.olavodecarvalho.org/semana/120419dc.html

http://www.bmartin.cc/dissent/documents/Facundo/Ohliger1.html#I

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