
Hobbes & O Senhor das Moscas.
O livro ‘O Senhor das Moscas’ de William Golging conta a aventura de um grupo de crianças sobreviventes de um naufrágio que, tendo se encontrado numa ilha deserta, distante da sociedade, recriam uma nova sociedade desprendida da influencia civilizatória.
A narrativa traz como principais personagens: Ralf, Porquinho e Jack. Representam respectivamente o carisma político, a inteligência racional e a força física acompanhada de maldade lúgubre.
As crianças componentes do enredo, aparentemente, são bem educadas no que diz respeito ao processo civilizacional, mas com o passar de algum tempo na ilha, o grupe se divide, e, da parte dos liderados por Jack, passa-se a aflorar o estado de natureza humana — selvagem. Sendo assim, a convivência entre as crianças foi impelida progressivamente ao caos, de tal maneira que, por fim, Ralf se encontra sozinho fugindo da perseguição voraz de todos os outros meninos.
Nesse sentido, é possível destacar tanto aspectos positivos quanto negativos acerca da teoria política contratual hobbesiana. Se por um lado, encontra-se a solução para a política social mediante um governo absolutista — representado no filme pelos militares; por outro, consequentemente perde-se liberdade em diversos segmentos da vida.
No que se refere ao contrato social hobbesiano, pode-se perceber que, o homem é naturalmente mal e, por isso, a política adequada para o regimento civilizatório seria o de governo absolutista. No caso do filme, a política carismática associada à inteligência racional não foram capazes de manter a ordem social do grupo. A esperança de restabelecimento da ordem chega apenas na sena final, com a presença de militares adultos representando, para as crianças desorganizadas, a autoridade de um governo autoritário.
Apesar disso, podemos dizer que, um sistema político de governo em que os dirigentes assumem poderes sem limitações ou restrições — absolutismo — traz serias limitações à liberdade do individuo, tanto no aspecto físico de direitos concretos quanto em questões morais, existências ou ontológicas. A história da humanidade nos revela péssimos exemplos de ingerências cesaristas, verdadeiros desastres sociais, políticos, morais e até mesmo econômico. Basta lembrar desde Nero à Luis XV etc.
“Muito da história social nas últimas décadas envolveu trocar o que funcionava pelo que soava bem.” (Thomas Sowell)
Assim sendo, mesmo que ‘O Senhor das Moscas’ tenha demonstrado um cenário sócio-político totalmente necessitado e clamante por uma intervenção absolutista, devem-se levar em consideração, para um contrato social contemporâneo, as idéias filosóficas diversificadas com o fim de encontrar soluções novas para os novos problemas da humanidade. Dito de outra maneira, uma mescla das idéias entre Hobbes, Locke e Rousseau em consonância, principalmente, com o conjunto dos saberes e experiências universais, concretos e observáveis — o que funciona.
