
Sobre tipografia, cultura e Wesley Safadão
Bom, primeira semana que vou começar a documentar um pouco, em palavras, o que ando fazendo de bom, de ruim e de feio. A ideia é que todo domingo surja esse post, vou fazer o máximo para cumpri-lo. Enfim, vamos lá.
Recentemente comecei a ler um livro chamado “Cultura da Conexão”, de Henry Jenkins, Sam Ford e Joshua Green. A frase que trazia na contra-capa do livro logo me chamou a atenção: “O que não se propaga, morre”. Acredito que essa atenção toda para uma mísera frase tenha me feito comprar o livro (cujo qual estou lendo e achando muito interessante, recomendo para todos as pessoas que de alguma forma trabalham nas áreas de design, tecnologia, publicidade e marketing). Claro que outra motivação tenha sido o fato de meu PCC ter a ver com geração de conteúdo e como fazer para que eles durem mais do que uma leve passada de olho, mas acredito que o que tenha mais pesado para a compra dele tenha sido o fato de não entender o meio em que vivo.
O mundo é um lugar muito louco, quem me conhece sabe que eu falo isso até demais. Mas, de fato, ele realmente é. Não temos nenhuma verdade de como a Terra foi criada, de como os seres humanos surgiram ou de como o computador se transformou de uma ferramenta para algo que molda culturas. Ao mesmo tempo em que mandamos sondas para Marte e para tantos outros planetas, ainda se discute se abortar é algo legal. Vou corrigir minha frase, o ser humano é muito louco.
Então voltamos a frase, “O que não se propaga, morre”. Uma breve olhada para no Facebook ou no Twitter mostra que isso é verdade. Medimos o sucesso de algo, hoje, pela quantidades de likes ou compartilhamentos. Afagamos nosso ego vendo posts e mais posts sobre a mesma coisa e com a mesma visão e pensamento. O Facebook mostra o que ele acha ser do seu interesse. A máquina aprendendo com os seres humanos, e isso é algo genial e ao mesmo tempo muito louco. As vezes eu paro e penso: se acreditamos que a cultura de massa aliena, o que dizer de nossas timelines nas redes sociais, então?
Mudando um pouco, mas nem tanto, de assunto, nos últimos dias 4 e 5 aconteceu em São Paulo mais um Diatipo. Tive a oportunidade de ir e ver que meus pensamentos e indagações sobre a vida e todo o resto são de muitos outros. A tecnologia e a educação foram os principais assuntos discutidos. Teve Chico Homem de Melo, Marconi Lima, Criatipos, Jean François Porchez, e muitos outros. Teve comida (muita mesmo), estande da Cosac Naify (ahhhh cosac naify…) e muita tipografia. Pode até parecer meio chato, mas muitos dos assuntos tratos nas mesas redondas extrapolavam o campo tipográfico. Open-source, academia x mercado, freelancer, “viver das suas artes”, identidade cultural, todos assuntos muito pertinentes para qualquer ramo das artes.
O que eu tiro dessa semana de eventos e livros lidos é o seguinte: design deve ser crítico. Devemos pensar mais sobre o impacto da nossa profissão na sociedade, assim como o inverso. O que nós designers produzimos: uma coisa bonitinha ou algo substancial, com potencial de mudança? Enfim, deixo a pergunta no ar. Enquanto isso bora ouvir um Safadão e tomar uma gela que outra semana vem por aí.