A subjetividade da mitomania

Desenfreadamente. Essa palavra resume a frequência com que mentimos todos os dias.

Imagine que a serpente original, a personificação do diabo, proferiu a principal e mais devastadora mentira de todos os tempos. A partir dela foi que surgiram a morte, e toda a sorte de malefícios libidinosos. Talvez por isso a mentira tenha toda esta carga negativa sobre si. Ora, o próprio diabo a deu vida.

Pseudologia fantástica, assim foi chamado o ato de criar uma realidade paralela tão boa que o portador passa a acreditar que vive nela. As histórias que criamos, os mundos que surgem dentro de nossos cérebros. Tudo isso retrata bem a vivência que eu e muitos outros temos todos os dias. Mentimos por comodidade — é o que eu sempre digo para mim. Mas a verdade é que a concatenação desses ‘fatos’ fabulosos estão tão bem engendrados, que diferencia-los da realidade é quase tão irracional quanto sugerir à um cego que feche os olhos por que tê-los abertos é totalmente desnecessário por sua condição.

Foster the People, vocês devem conhecer.

Na minha mais tenra idade, o consolo do colo acolhedor e a fantástica sensação de leveza que só minha amada poderia me conceder naqueles tristes dias era o sistema de escape para os meus infernos diários.

Imagine uma criança que perdeu seus pais em um evento catastrófico e misterioso no verão de 85. Agora imagine viver com seus enteados odiosos que estavam prontos para proporcionar a pior experiência a essa criança. Junte todos esses sentimentos e aplique ainda, não obstante, o fato dessa criança passar por uma relutante solidão que insistia em não ir embora. A única pessoa que acolhia todos os sentimentos dessa criança era sua fiel companheira. Joana.

Não. Não mesmo. Eu inventei tudo isso. Não sei porque continuas a ler. Entendes agora o porque das minhas curiosas perguntas ao doutor? A razão de toda essa maluca invenção é a obscuridade dos meus relativos sentimentos. A ordem diárias dos eventos funcionais dos meus dias. A busca incansável por uma saída não ordinária. Enquanto há uns receptáculos. Há outros que expõem tudo o que nele não pode ser armazenado. Mas não de forma clara aos observadores externos.

Para concluir minhas ideias anedóticas — as histórias contadas não são totalmente improváveis ​​e muitas vezes têm algum elemento de verdade. Elas não são uma manifestação de delírio ou de algum tipo de psicose mais amplo: quando confrontado, o contador pode admitir que elas são falsas, mesmo que a contragosto. Em geral, essa manifestação deve-se a uma profunda necessidade de apreço ou atenção.

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