(Socorro!) Tenho uma entrevista de emprego em inglês. O que eu faço?

São inúmeras as vezes que atendo uma ligação ou recebo uma mensagem no WhatsApp de um número desconhecido com esta pergunta — uma quase súplica ansiosa por uma solução perfeita e imediata.

É claro que geralmente o que leio ou ouço é mais ou menos assim: “tenho uma entrevista de emprego em inglês em uma semana por telefone”; ou “minha empresa foi comprada por uma multinacional e vamos todos precisar do inglês agora”; ou até mesmo “já passei por todo o processo seletivo, só falta a língua”. Isso quando o inglês não vem em primeiro lugar numa prova eliminatória para programas de trainee, por exemplo. E aí? O que fazer?

Antes de dizer o que penso de fato, gostaria de terminar de contar o desenrolar destas conversas. Pergunto: “você estuda ou já estudou inglês? Se sim, por quanto tempo?”. E me respondem: “olha, na verdade, já tem um bom tempo que eu não estudo. Acho que esqueci tudo”; ou “eu estudei na escola, no ensino médio”; “fiz, parei, fiz de novo e parei. Estudei um total de 2 anos no máximo”, diz mais um.

Raras são as vezes que de fato o candidato tenha estudado a língua efetivamente ou já tenha tido alguma vivência significativa em inglês. E então, como administrar isso? É esse o ponto.

Sim, é viável treinar e capacitar uma pessoa em uma ou algumas semanas, seja através de técnicas de “Role Play” (troca de papeis), do ensino de vocabulário técnico ou de negócios, da revisão de estrutura gramatical, de simulação de ligação telefônica, dos vídeos no YouTube, podcasts, etc. Por outro lado, fica praticamente inviável ou quase impossível fazer o mesmo quando nunca houve treino da língua ou muito pouco foi estudado.

“Mas mesmo se fizermos 4 ou 5 horas de aulas por dia, inclusive no fim de semana?”; me perguntaram uma vez. Sim, e sabe por quê? Não se prepara um corredor em uma ou duas semanas para uma maratona sem que antes ele não tenha sido treinado para as primeiras corridas de 5, 10 e 21 Km ao longo de sua vida. Tampouco se conquista o desejado corpo sarado em um período tão curto sem que nunca você tenha colocado os pés na academia ou feito esportes também ao longo da vida quase que diariamente — uma rotina praticamente sagrada e paralela à uma dieta. Além do mais, para os dois exemplos acima, é preciso haver intervalo e tempo de recuperação. Caso contrário, o chamado “overtraining” (treino excessivo) poderá lhe fazer uma visita e te roubar do grande dia. O mesmo acontece no processo de aquisição de uma nova língua, onde o que denominamos de filtro afetivo (Krashen) poderá entrar em ação e bloquear tudo, mesmo antes da entrevista. Lembra do “deu branco”?

Portanto, meu melhor conselho é: prepare-se. E com antecedência. É necessário investir na prática efetiva, pois ela é a chave para o sucesso. Não se conquista objetivos sem preparo e dedicação. É o contato diário com a língua que lhe trará resultados — é como ir diariamente à academia. Mas esta prática deve ser consistente e é preciso identificar o conteúdo ou as fraquezas que se encontram presentes nas suas capacidades para que assim ela seja trabalhada e aperfeiçoada ao longo de um período pré-determinado. Período este que deve ser monitorado e acompanhado de perto. O trabalho pode ser até longo mas, ao mesmo tempo, é extremamente recompensador à medida que percebemos que dominamos a língua cada vez mais. E temos como prova disso as séries, os filmes, as músicas, os jornais e artigos científicos que vão ficando cada vez mais fáceis de se compreender.

Para terminar e para quem quiser entender um pouco mais sobre o assunto, deixo o vídeo do TEDEd (ative as legendas para inglês ou português) que se chama “How to practice effectively…for just about anything”, ou Como exercer a prática efetiva…para basicamente qualquer coisa, por Annie Bosler e Dr. Don Greene, psicólogo especialista em Alta Performance, que explica exatamente isso. Uma aula maravilhosa para se entender como o nosso cérebro funciona quando desenvolvemos a prática efetiva.

“What you do makes a difference, and you have to decide what kind of difference you want to make.” Jane Goodall

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