Sou HIV-

Fonte da Imagem: mastt

Nossa cultura tem uma forte característica que chamo de “Zonas Cinzas”. É aquilo que é feito, mas não pode ser dito. No âmbito ético, é como pegar emprestado um lápis do trabalho e não devolver. Ou beijar a secretária que é casada. Em termos mais modernos, utilizar a internet do vizinho sem ele saber. Como diz uma música do Capital Inicial, chamada Quatro Vezes Você:

“O que você faz quando
Ninguém te vê fazendo
Ou o que você queria fazer
Se ninguém pudesse te ver”

Em algumas regiões do mundo, fala-se com mais naturalidade sobre determinados assuntos. Entre esses temas “não tabus” está o “Know Your Status” (KYS) ou “Conheça seu Status” em português. Apresentado em sites de relacionamento, em KYS podemos declarar nossa sorologia para HIV, além de outros status relacionados, como “Negativo em PrEP”, “Negativo em PEP”, “Positivo Indetectável”, entre outros. Mas, claro, para você declarar seu status para o HIV, você precisa, necessariamente, se testar. E se estiver em tratamento, tomar corretamente as medicações (adesão ao tratamento).

Costumo dizer que, se você tem uma vida sexualmente ativa, você é de um grupo que precisa se testar. Fazer parte de uma População Chave ou não, não te isenta de pegar doenças. Pode me dizer que é casada ou casado há 40 anos, que sua esposa, ou seu esposo nunca te trairia. Pode me dizer que ama sua namorada ou namorado e vocês estão juntos há 4 anos e estão preparando o casamento, e que confiam um no outro incondicionalmente.

Mas…

Mas, humanos são humanos.

Faça a testagem. Se for o caso, façam juntos, façam separados e sempre se protejam. Humanos são humanos, humanos adolescentes são piores: hoje vi uma foto numa rede social de um adolescente furando camisinhas na farmácia. Imagina as dos postos, gratuitas.

Eu sou HIV- por mera liberalidade do destino. Sim! Não há espanto nisso. Sou negativo, não por nunca ter me exposto, mas pela sorte de, quando aconteceu de me expor, ter sorte. Nunca me infectei com qualquer IST, novamente, por pura sorte. Antes de ter juízo (e mesmo após), as coisas às vezes ficam perigosas (leia-se: saiam do controle). E sempre preciso lembrar que este não é um diagnóstico eterno. Os cuidados e atenção podem garantir a permanência do meu status sorológico.

O HIV, definitivamente, não tem cara, não tem cheiro, não tem cor. Assim como tantas outras IST (infecções sexualmente transmissíveis). Elas podem estar ao seu lado, com algum amigo, algum familiar, ou até mesmo com sua companheira ou companheiro.

E é fato que, às vezes, delegamos nossa saúde, confiando em quem está conosco.

Assim como não falamos sobre nossos salários, não costumamos discutir sobre nossa saúde abertamente.

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