Alunos da Faculdade Ciências Médicas — MG avaliam o perfil das profissionais de sexo da região metropolitana de Belo Horizonte

Atualmente, mais de 1,5 milhões de brasileiros tiram o sustento de suas famílias por meio do sexo, sendo a maioria mulheres entre 15 e 49 anos. Mais da metade dessas mulheres não chegou a completar o Ensino Fundamental e exerce a profissão há mais de 6 anos, o que torna ainda mais difícil a possibilidade de mudar de profissão.

A rua é o principal local de trabalho dessas mulheres. É lá que elas conquistam seus clientes e realizam, em média, 15 programas por semana. Se esses números já impressionam, outros dados são ainda mais alarmantes: aproximadamente 20% de todas as mulheres que dependem da prostituição para sobreviver não realizam nenhum tipo de exame ginecológico há mais de três anos. Isso acaba contribuindo para a proliferação de doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), como clamídia, sífilis, gonorreia e tricomoníase, por exemplo.

Por conta desse cenário, os alunos da disciplina Programa de Saúde Coletiva III da Faculdade Ciências Médicas — MG desenvolveram um trabalho no Centro de Saúde Carlos Chagas com o intuito de orientar a comunidade de profissionais do sexo, principalmente no hipercentro de Belo Horizonte.

Além de apresentar às profissionais do sexo as melhores práticas na prevenção de doenças e a importância do acompanhamento de um ginecologista, os alunos aplicaram um questionário para avaliar o perfil dessas mulheres.

O objetivo dessa coleta de dados é a comparação com outras informações presentes na literatura médica.

Os resultados da análise

Nesse questionário, que utilizou como critério de inclusão mulheres profissionais do sexo que trabalham na região metropolitana de Belo Horizonte, os alunos apuraram que 42,9% das entrevistadas têm entre 19 e 21 anos de idade. 19% das entrevistadas têm entre 15 e 18 anos, o que demonstra que a prostituição infantil ainda é uma realidade na capital mineira.

87,5% das mulheres entrevistadas iniciaram a atividade devido a dificuldades financeiras, e 53,8% delas possuem de um a quatro filhos. Apenas 34,8% dessas mulheres possuem outras atividades remuneradas, e 46,1% não finalizaram o Ensino Médio.

Outro dado alarmante é que 7,7% das entrevistadas não usam preservativos com seus clientes, o que representa grande risco de contaminação. 23,1% dessas mulheres se declararam usuárias de drogas, e apenas 15,4% fazem uso de algum método contraceptivo.

Conclusões

Por meio da análise e apuração das respostas ao questionário os alunos chegaram à conclusão de que nem todos os dados obtidos condizem com a literatura disponível.

Informações sobre a renda média das profissionais de sexo, estado civil e número de filhos são diferentes do que é estabelecido em toda a literatura sobre o tema.

Outros dados, como a escolaridade das mulheres, a residência e o estabelecimento de uma união estável são discutíveis, uma vez que abrem a possibilidade de várias interpretações sobre essas informações.

Apesar disso, uma coisa é certa: as mulheres que atuam como profissionais do sexo na região metropolitana de Belo Horizonte, assim como milhares de outras brasileiras, são uma população de risco, sujeita à contaminação por doenças sexualmente transmissíveis, a abortos provocados pelo consumo de drogas e à violência no ambiente de trabalho, entre outros fatores.

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