Doação de órgãos: uma batalha constante pela vida

O Brasil precisa melhorar ainda mais seus índices de efetivação da doação de órgãos. Para isso, tem que atuar em duas frentes: no convencimento das famílias (43% ainda dizem não) e na perda do potencial doador por evolução para parada cardíaca, o que inviabiliza a doação.

Nos últimos dez anos, o número absoluto de doadores de órgãos no Brasil só vem aumentando. Esse bom resultado está diretamente associado ao fato de as campanhas de conscientização fomentarem essa discussão entre as famílias brasileiras.

Mas, apesar da doação de órgãos ter avançado 18% em 2016 e 15,7% no primeiro semestre de 2017, se comparado com o mesmo período do ano passado – percentual deste ano puxado pelo incremento na taxa de notificação (4,5%) e na efetivação das doações (7,2%) –, em junho, 32.952 pessoas ainda aguardavam na fila por um órgão.

O Brasil figura, hoje, no nível intermediário de doações, com 16,2 doações pmp (por milhão de população), e está próximo da meta para este ano, que é de 16,5 pmp. Só para afeitos de comparação, nos países desenvolvidos, esse número é de 35 pmp, em média.

De acordo com a legislação brasileira, familiares até o quarto grau são os únicos responsáveis por essa decisão, que precisa ser tomada sempre em um momento muito difícil: a morte.

Um dos problemas para a efetivação das doações é a morte inesperada, que tende a aumentar a resistência das famílias. Esses potenciais doadores são, frequentemente, pacientes com traumatismo craniano − vítimas de acidentes como quedas e acidentes de trânsito − ou acidente vascular cerebral (derrame) que se enquadram em morte encefálica.

É importante ressaltar que não existe reversão para a morte cerebral, mas ela pode representar uma nova chance para quem está à beira da morte ou com a qualidade de vida comprometida.

A decisão de doar órgãos precisa ser quase imediata. O tempo máximo de espera nos casos de isquemia – falta de circulação sanguínea – é de 12 a 15 horas e, no caso do coração, não pode passar de 4 horas. Por isso, é essencial comunicar à sua família o seu desejo de ser um doador de órgãos.

“Donors”: estratégia para otimizar a doação no Brasil

O Brasil tem a sua própria iniciativa para melhorar os índices e o desempenho da doação de órgãos no país: o Estudo Donors*.

Para disseminar práticas que podem melhorar os dados nacionais de doação de órgãos, Itiana Cardoso – bióloga, sanitarista, especialista em pesquisa clínica e pesquisadora do Donors – está visitando os hospitais brasileiros para compartilhar as conclusões do estudo e incentivar o treinamento das equipes internas.

Em agosto, Itiana fez uma apresentação dos resultados do Estudo Donors no HUCM-MG e discutiu, com os colaboradores, técnicas para enfrentar a resistência das famílias e formas de reduzir as evoluções das mortes encefálicas para parada cardíaca.

O principal objetivo do projeto é reduzir as perdas dos potenciais doadores por manutenção inadequada que leve à parada cardíaca e melhorar os índices regionais, que estão abaixo da média nacional. Somente a região Sul do país apresenta números razoáveis, próximos aos de países desenvolvidos.

*A pesquisa entre os hospitais brasileiros, com pelo menos dez notificações de morte encefálica em 2016, foi realizada pelo Hospital Moinhos de Ventos (Porto Alegre/RS), em parceria com o Ministério da Saúde. Ficaram elegíveis ao estudo 80 instituições de saúde de todo o país. Entre elas, o Hospital Universitário Ciências Médicas - MG.

Informações e contatos importantes

Central Nacional de Transplantes

Fernanda Santos Bordalo

Telefone: 0800 644 6445

Fax: (61) 3327–8057

E-mail: cnncdo@saude.gov.br

Central Estadual de Transplantes

Minas Gerais / Belo Horizonte

Omar Lopes Cansado Júnior

Hospital João XXIII

Telefones: (31) 3219–9200 / (31) 3219–9211 / 0800 283 7183

E-mails: mgtransplantes@saude.mg.gov.br / nep.mgtx@gmail.com

Para conhecer as regras e as curiosidades sobre o processo de doação de órgãos no Brasil, acesse o link do Ministério da Saúde: https://goo.gl/6R2VNX

Para ser doador em vida, o interessado precisa ir até um hemocentro, responder a um questionário e retirar uma amostra de sangue. As informações ficam em um registro nacional, e o doador é chamado quando alguém compatível precisar de transplante.

Para fazer parte do banco nacional de doadores de medula óssea, faça sua inscrição no site http://redome.inca.gov.br/.

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