Nada vale mais do que a transformação que um professor pode causar!
Esse texto foi escrito pela Danielle Alessandra Pereira de Brito a convite do Patrick Araújo e faz parte do projeto #JulhodaCiência. Esse projeto foi desenvolvido pelo Cientista Beta com a contribuição de diferentes pessoas. Nossa proposta é contar histórias, inspirar e falar sobre o poder transformador da ciência. Esperamos que você goste.

Sou professora orientadora desde 2014 quando acompanhava a trajetória de uma jovem que não conseguia um professor para lhe orientar em seus projetos. Aprendi muito sobre o poder transformador da educação dando aula, mas nada se compara a ver e ajudar no desenvolvimento prático das transformações causadas pelos estudantes através de seus projetos, desde que me tornei orientadora de jovens cientistas. Essa experiência me transformou, e me fez ver com maior clareza como nós, professores, podemos transformar a vida dos estudantes e ajudá-los a mudar suas comunidades.
Antes, quando a jovem que passei a orientar conseguia um professor que aceitasse orientá-la sempre havia problemas e o descaso destes com o projeto dela era constante. Eu me questionava o “porquê” de professores se negarem a orientar projetos. A frustração e desânimo dela eram frequentes quando isso ocorria.
Então, eu decidi que me tornaria a professora de quem ela precisava! Passei a orientar seus projetos científicos e acompanhá-la em feiras de ciências, e logo percebi o quanto isso era importante para ela, para a pesquisa e para mim. A partir deste fato, não parei mais de orientar projetos de estudantes. O trabalho de orientação que desenvolvo é totalmente voluntário, acompanho e oriento adolescentes, adultos (professores para serem orientadores) e crianças e isso para mim não tem preço, não dá para mensurar o sentimento de satisfação e preenchimento com a pesquisa e quando você desperta isso em outras pessoas é um bem para vida toda.
O mundo da orientação não é um mar de rosas, as dificuldades são tantas, vão desde adquirir as bibliografias, os laboratórios, a falta de recursos para as viagens. A falta de apoio é em larga escala, é como se eu estivesse nadando contra a maré. Fazemos rifas, vendemos brigadeiros, ecobags, enfim, fazemos de tudo para angariar recursos e se fazer presente nas feiras de iniciação científica.

Às vezes vem a vontade de desistir, mas mantenho-me firme. Tenho como inspiração a Professora Elizabeth Rodrigues, que lá no Laranjal do Jari (Amapá) orientava pesquisa como o Projeto Biodigestor: do Jari para o mundo, com o aluno Ady Nastos. Esta professora se doa, vive e alavanca a vida de tantos jovens sem desistir ou fraquejar diante das dificuldades. E assim como ela, luto por meus orientandos!
Atualmente oriento alunos e professores com o intuito de vê-los alçar e realizar suas pesquisas, e percebo o quanto esses professores se completam, encontram um tempinho para estar e orientar seus alunos. O maior bem que o ser humano tem é o conhecimento e cabe ao professor instigá-lo. Essa premissa só é dada por você “professor”, a sua orientação não é uma perda de tempo, não há valor que pague os seus efeitos na vida de um aluno. Experimente, busque, não seja egoísta e oriente, acerte as vergas de forma a que o vento impulsione bem as velas e dê um norte para muitos talentos.
Quem sou eu?

Sou Danielle Alessandra Pereira de Brito, empreendedora, artista plástica e professora orientadora. Sou graduada em Artes Visuais, pós-graduada em docência do Ensino Superior e atualmente cursando Mestrado em Ciências da Educação.
Quem tornou esse texto possível foi o Patrick Araújo, que em 2016 participou do Programa Decola Beta, que dá apoio para jovens do ensino médio que desenvolvem projetos científicos.
Quem é o Patrick?

Sou o Patrick Araujo, tenho 17 anos e moro em Angra dos Reis (RJ), nascido em São Paulo. Faço o último ano do ensino médio na rede pública estadual. Apaixonado por Gastronomia, por resolver problemas, por Desenvolvimento Sustentável, por ciência e por educação. Sonho em trabalhar na ONU, em desenvolver soluções simples para problemas do cotidiano e em empreender. Sim, um perfil sem muita coerência, mas fazer o que? Eu sou essa mistura toda.

Quer conhecer um pouco mais do trabalho do Cientista Beta? www.cientistabeta.com.br
Se você é professor e quer fazer como a Danielle, nós escrevemos um e-book gratuito para você!
