Onde há ciência na arte?

Esse texto faz parte do projeto #JulhodaCiência e foi escrito pela Vanessa Carmo e Vitor Siqueira, jovens cientista que participaram da primeira edição do Programa de Iniciação Científica Decola Beta em 2016. O #JulhodaCiência foi desenvolvido pelo Cientista Beta com a contribuição de diferentes pessoas. Nossa proposta é contar histórias, inspirar e falar sobre o poder transformador da ciência. Esperamos que você goste.


Quando começamos a realizar as oficinas, encarávamos nosso projeto como um projeto social, somente. O diferencial era que a gente envolvia duas coisas que pareciam muito distintas: a arte e a matemática. Certo dia, porém, encontramos na internet as inscrições para o programa de mentoria do Cientista Beta.

Nós nos inscrevemos. Afinal, não tínhamos nada a perder. Para nossa surpresa, fomos selecionados na primeira fase do programa e seguimos para a segunda fase que era uma entrevista por Skype. Parecia que tudo ia dar muito certo, o entrosamento com o entrevistador estava incrível e respondíamos a todas as perguntas de uma forma muito espontânea. Até que uma pergunta causaria silêncio por alguns segundos e nos faria estremecer: “E onde há ciência no projeto de vocês?”

A partir daquele dia, com o Decola Beta passamos a refletir sobre o que era ciência e o que é ser cientista. Ser cientista é enxergar um problema, se incomodar com ele e buscar incessantemente uma solução, mesmo que a gente ouça o tempo todo que isso é impossível, que não temos recursos para essa pesquisa ou que não temos conhecimento suficiente.

No nosso caso, a gente se incomoda muito com a situação do ensino e aprendizagem da matemática na nossa região e buscamos através das obras do Escher uma solução para esse problema. Escher usava e abusava de ilusões, construções impossíveis e das metamorfoses: tudo isso envolve muita matemática! Vimos nela um forte laço de amizade e acreditamos que as oportunidades podem fazer muita diferença na vida das pessoas, por isso nos dedicamos a um projeto que além de científico tem cunho social.

Nós dois e nosso mentor Thiago! ❤

Encontramos uma forma muito mais divertida de aprender matemática, publicamos artigos em eventos e hoje enxergamos que todo conhecimento está interligado, inclusive o conhecimento artístico. Enxergamos que ser cientista não é só estar dentro de um laboratório, mas fazer da vida o seu laboratório.

O Projeto Isomagia hoje, cresceu! Temos um site, onde as pessoas podem entrar para conhecer mais sobre o projeto e novos integrantes do Ifes que ajudarão na realização dos minicursos. São eles o Marcos Cavalieri, do curso de Edificações, a Raquel Perim e a Vitória Reginatto, do curso de Eletrotécnica. Esperamos até o final do ano conseguirmos publicar o nosso curso online e temos grandes expectativas para a melhoria do ensino da matemática!

Você pode acessar o site do projeto: http://isomagia.webnode.com/


Quem somos

Nós somos estudantes do curso técnico em Eletrotécnica do Instituto Federal do Espírito Santo — campus Vitória. Vanessa Carmo dos Santos, apaixonada por conhecimento, trabalho social e pelas palavras. Está sempre em busca de uma sociedade mais justa e acredita que a ciência é o caminho para isso. Vitor Lacerda Siqueira, amante das exatas, colecionador de medalhas em olimpíadas cientificas, sonha em estudar astrofísica.

Nossa pesquisa

Apelidamos nosso projeto de Isomagia, com Iso de Isometria. A nossa pesquisa consiste em encontrar novas metodologias para o ensino e aprendizagem da matemática no Ensino Fundamental. Nossa proposta é que as técnicas utilizadas pelo artista holandês Maurits Escher para criar suas obras, sejam usadas em sala de aula. Essas técnicas, conhecidas como isometrias e tesselações, ajudam a compreender os conceitos abstratos de ângulo, área e polígono. Para isso a nossa ferramenta de pesquisa são as oficinas chamadas “O Mundo Mágico de Escher” que são aplicadas para estudantes do ensino fundamental.


Este texto faz parte do e-book “Decola Beta — Tudo o que aconteceu na primeira edição do programa de mentoria para jovens cientistas”. Tenha acesso ao restante do conteúdo aqui.

Quer conhecer um pouco mais do trabalho do Cientista Beta? www.cientistabeta.com.br