Somos todos Beta

Cientista Beta
Jul 27, 2017 · 5 min read

Esse texto faz parte do projeto #JulhodaCiência e foi escrito pelo Mariana Rau, Coordenadora de Conteúdo do Cientista Beta. O #JulhodaCiência foi desenvolvido pelo Cientista Beta com a contribuição de diferentes pessoas. Nossa proposta é contar histórias, inspirar e falar sobre o poder transformador da ciência. Esperamos que você goste.


Diploma na mão. “Agora, o mundo é meu”, pensei. Agora, eu posso colocar em prática e fazer valer os 5 anos estudando e fazendo pesquisa. Ainda assim, achava que causar um impacto real estava muito longe do meu alcance naquele momento. Fazer algo grande, significativo, provocar uma transformação na vida de outras pessoas parecia coisa de quem tem conselho profissional em dia e mais de 10 anos de experiência de carreira.

Do outro lado, há quem passe um dilema exatamente igual: os jovens potenciais cientistas. Existe um véu sobre os olhos dos jovens que cobre a visão da possibilidade de desde já ser protagonista, fazer a diferença e viver a pesquisa. O meu papel no Cientista Beta é dizer para esses jovens que eles podem SER a diferença.

Em 2016, tive a alegria de receber um desafio da Kawoana para fazer algo que, apesar de gostar muito e ter facilidade, nunca havia feito antes: ser revisora e editora de conteúdo. Desafio aceito! E assim comecei a integrar a equipe espetacular do Cientista Beta, como revisora de conteúdo para o site, trabalhando lado a lado com colunistas do país inteiro — literalmente de norte (Matheus e Vanessa, no nordeste) a sul (Giovana e Carol, no RS e em SC), passando ainda pelo RJ onde mora a Fernanda. Ao longo do tempo, tive a alegria maior ainda de aprender com cada um deles — talvez aprender muito mais do que ensinar, já que eles eram 5, cada um com a sua visão de mundo e particularidades, e eu era 1, com apenas muita vontade de fazer acontecer e de contagiar os jovens a aceitarem o seu desafio de ir em frente na pesquisa. Produzimos dezenas de textos, alguns e-books, trouxemos temas de forma acessível ao jovem, falamos na língua deles sobre assuntos do universo deles.

Se o meu papel era dizer a esses jovens que eles podem e devem ir em frente na pesquisa no ensino médio, o papel do Cientista Beta foi me dizer que eu também sou capaz, que não preciso esperar, ou estudar mais ou ter qualquer tipo de insegurança sobre as capacidades que tenho agora. Eu me vi transformada, igual ao que acontece com nossos mentorados.

O crescimento não parou por aí. Com a estruturação do programa de mentoria em 2017 (atual Programa de Iniciação Científica Decola Beta), fiz uma transição de revisora de conteúdo do blog para coordenadora de conteúdo do PICDB. Outro desafio se apresentou: criar um material de ensino em pesquisa que fale a língua do jovem, que traga exemplos da realidade dele e que seja agradável de ler, deixando o jovem tão entusiasmado a ponto de devorar o material em um dia. Parece algo impossível para um material com conteúdo “pesado” como o do universo da pesquisa? Não para o time do Decola Beta. Agora, o meu desafio é também desafiar os jovens mentorados do PICDB a colocar a mão na massa na pesquisa, serem protagonistas dos próprios objetivos e aplicarem o que transmitimos a eles. O resultado? É muito mais subjetivo. Um agradecimento, um emoji sorrindo, um feedback… mais uma vez, cá estou eu — crescendo e aprendendo muito mais do que ensinando.

Junto de vários Cientistas Betas, me descobri no reflexo no brilho do olho do outro. Descobri também que conhecimento que fica comigo não vale nada. Experiência que não é transmitida não vale ser vivida. Nós ressignificamos o tamanho dessas vivências quando elas impactam outros que estavam além da nossa jornada, não importa onde estejam. Tão longe, mas tão perto — não importa! — se conectados pelo interesse comum em transformar pela ciência, acabamos sendo nós mesmos transformados.

Hoje, além de dizer “eu faço parte do Cientista Beta”, posso dizer que “eu sou Beta”. Ou que “nós somos todos Beta”! Se hoje sou melhor do que eu era ontem e não tão espetacular quanto poderei ser amanhã, é porque o ser Beta deixou de ser um belo slogan para ser a filosofia na qual me espelho para tomar cada ação na vida, daqui em diante.


Quem sou eu

Sou a Mariana Rau e sou cientista desde antes de ser cientista de verdade, pois é isso o que uma criança curiosa faz. Me formei em Biotecnologia pela UFRGS em 2015 e me encontrei na divulgação, na comunicação e na educação científica. Hoje sou Coordenadora de Conteúdo e sou Beta.


Quer conhecer mais o trabalho da Mariana como editora e conhecer o programa para o qual ela produz conteúdo? Baixe o e-book “Decola Beta — Tudo o que aconteceu na primeira edição do programa de mentoria para jovens cientistas”. Você pode fazer o download do conteúdo aqui.

Quer conhecer um pouco mais do trabalho do Cientista Beta? www.cientistabeta.com.br

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