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Durante o voo 815 da Oceanic Airlines, o avião passa por turbulências, sofre uma pane e cai em uma ilha tropical misteriosa. Lost nos conta sobre a vida de cada um dos sobrevivestes do acidente. Não, não, Lost não é isso, nem perto disso, vai muito além. Lost é um universo completo e complexo. Com passado, presente e futuro. Ou melhor, passados, presentes e futuros. Lost surgiu no único momento da história da TV em que poderia ter surgido, em uma época que a Internet estava conhecendo o conceito de 2.0 que hoje sabemos o quão bem ele se integra com a série. E foi justo nisso em que os criadores e roteiristas do programa se apoiaram. A integração dos produtores com o público via web no início da primeira temporada foi a chave para o boom, mesmo com a extensa pesquisa de pré-produção como qualquer outro produto televisivo. Essa conexão entre os consumidores e os criadores que ficou tão clara ao longos dos seis anos da série, é claramente vista em cada episódio. Lost foi um marco histórico na TV em todos os sentidos. Foi uma das experiências mais completas de transmídia até os dias de hoje. A utilização dos ARGs ,os jogos que introduzem ao jogador o universo e o coloca dentro da história aproximou o público de Lost criando um vínculo único. A cada intervalo de temporada, os roteiristas especializados em mídias digitais da produtora da série, focavam-se em criar enredos interativos na Internet narrando novos fatos que complementavam a história da TV para os fãs mais ávidos que estavam dispostos a, literalmente, mergulhar na série, interagindo e aprendendo mais sobre o universo do programa e seus mistérios. A legião de fãs de Lost é comparada aos de Star Wars e outras sagas de sucesso no cinema e TV tamanha a grandiosidade. Parte desse sucesso deve-se ao profundo e complexo universo criado e todos os produtos paralelos que seguem a marca. Livros, games, produtos colecionáveis e brindes promocionais foram vistos com bons olhos pelo público e fez com que a fidelidade se mantivesse ao longo dos anos. Além dos inúmeros produtos não oficiais criados pelos fãs. Lost não foi o primeiro, a TV já conhecia outros produtos tão fascinantes quanto, mas não na era da TV a cabo tão difundida e da internet presente em quase todos os lares. Na década de 60 Star Trek já havia criado comoção no público com complexidade narrativa, cenários surreais e personagens diferentes dos comuns vistos nos filmes da época. A fantasia já era presente em outras obras televisivas como Além da Imaginação, que claramente inspirou Lost. Nos anos 80, a vez de Twin Peaks na TV com apenas duas temporadas mas de impacto tão grande, foi um tapa na cara do público que com todas as polêmicas exibidas na série de David Lynch, foi um sucesso total. Os anos 90, no boom das sitcoms, a série Arquivo X trouxe a questão do fanatismo ao formato, novamente. Desde a primeira temporada o mundo todo já vestia-se como os agentes do FBI e investigavam aliens em seus encontros e convenções ao redor do Globo, a TV revivia momentos de legiões de consumidores recepcionando os fãs de braços abertos. A oportunidade de toda essa bagagem cultural no coletivo emocional do público de TV e a genialidade de J.J. Abrams na criação, traz Lost ao numero um na lista de eventos relevantes na TV. Alguns críticos consideram sem titubear, Lost como sendo o fenômeno mais impactante na história da TV mundial. Mas Lost foi além. Lost alterou a data do discurso do presidente dos EUA, Barak Obama em 2010. Lost foi tema de noticiários econômicos e políticos na CNN nos anos da série. Lost é desde 2004 fonte de referência em outras séries e filmes. Lost foi tema de diversos projetos acadêmicos de conclusão de curso e mestrados. O conteúdo de Lost elevou o conteúdo do público. Devido aos vários níveis de entendimento da série, o público que acompanhou a série foi bem diversificado. Houve aqueles que gostaram do romance e das traições, ou aqueles que assistiram pelas cenas de ação e mistério, ainda há os que curtiram as estranhas conspirações e teorias esquisitas sobre o que era tudo aquilo. Todos os motivos para gostar de Lost estão corretos, se completam e se equilibram. O ponto principal aqui é que o público desenvolveu-se com Lost. Lost foi uma série que uniu todos os gêneros literários, com a devida profundidade. Drama: familiar, pessoal; problemas com pais, filhos; comédia: piadas internas, referências com outros filmes/livros; Ação: cenas tensas, ritmo acelerado; Romance: triangulos amorosos, relações duradouras, dramas de casamentos; Terror/fantasia: Monstro de fumaça, Ilha viva. Ficção científica: Viagem no tempo, universos paralelos. “A mudança na maneira que as pessoas passaram a assistir TV permitiu que as tramas se tornassem mais seriadas, já que antes o público tinha apenas uma chance de assistir o episódio. Por exemplo, se o sinal caísse eles nunca mais poderiam rever aquele episódio. Mas hoje existem várias maneiras do público assistir, então podemos ir além das estruturas clássicas do folhetim, podemos usar ganchos mais complexos.“ Diz Carlton Cuse, criador da série. Lost construiu uma base sólida na TV mundial para as séries e filmes que consumimos hoje. Séries hoje conseguem cativar seu público com elementos surpresa, linguagem experimental, recursos transmidiáticos, devem seu sucesso à Lost e seu legado, uma arriscada produção, cheia de cabeças criativas e muitos fãs que com seus altos a baixos souberam receber o que a série tinha para lhes dar. Passaram 10 anos desde sua primeira temporada, não é difícil encontrar em diversos produtos audiovisuais no mercado, referências diretas ou não à série que nos trouxe uma ilha misteriosa e dezenas de heróis que tinham cada um uma lição a aprender. Deixar seu legado no Mundo, saber morrer, mas saber continuar vivo.

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