#MulheresNoFutebol: uma história a ser contada

O futebol é o esporte com maior visibilidade no Brasil. Seja na Copa do Mundo, no Brasileirão, na Libertadores ou nos campeonatos estaduais, ele move paixões, independente do gênero.

O consagrado termo torcedor tem sua origem nas mulheres que torciam suas luvas por causa do nervosismo que um jogo de futebol pode trazer. Era início do século 20 e elas já se faziam presentes. Com o tempo, times femininos foram montados, gramados e arquibancadas, tomados, e nem a proibição de mulheres praticarem futebol que durou décadas foi o suficiente para tirá-las desse espaço. A resistência fez parte do passado e se mantém ainda hoje.

O futebol é uma paixão nacional, mas segue sendo um reduto de uma masculinidade que se baseia em estereótipos de gênero e em excluir mulheres de espaços que são considerados deles. Mas, mesmo assim, elas driblam, torcem, comentam sobre os jogos, escrevem matérias sobre e fazem parte da arbitragem, mesmo ignoradas ou vistas apenas como musas ou exceções.

Como uma forma de marcar a presença feminina no esporte mais popular do Brasil, a ação #MulheresNoFutebol foi pensada. Espalhar nossas histórias com o gramado, narrativas que podem ser de machismo, alegria com uma vitória ou um amor compartilhado por toda uma família, é evidenciar esse espaço como nosso. Uma forma de espalhar a mensagem de que lugar de mulher é onde ela quiser, inclusive no futebol. Seja jogando bola como Marta, Formiga e Cristiane; na casamata, como a Emily Lima, primeira mulher a comandar a Seleção Feminina Brasileira; apitando uma partida como Léa Campos, a primeira mulher árbitra de futebol profissional credenciada pela FIFA; cobrindo o mundo esportivo como Fernanda Gentil, Cristiane Dias e Kelly Matos; ou torcendo a camisa esperando o gol da virada.

Ler e ouvir o que as #MulheresNoFutebol tem a dizer é um dos principais passos para transformar os estádios, clubes e a mídia esportiva num lugar que não valida atos machistas e lgbtfóbicos. Os relatos reunidos nos permitirão conhecer os anseios, alegrias e medos das mulheres que constroem esse esporte de alguma forma. Nós, mulheres, vamos mostrar, mais uma vez, a nossa força e avisar que não vamos arredar o pé (da bola, no caso). No dia 4 de maio, ajude a nossa história ser contada.

*Escrito em parceria com Thaís Campolina (Ativismo de Sofá) para o Canto do Leitor