Sumarezinho/Madalena
São seis da tarde. O farol parece que esqueceu dos pedestres. Eu vou chegar atrasada. Do topo da escada ainda posso ver ao longe o sol se escondendo entre os prédios. Ou ele estaria insistindo em se mostrar, apesar dos vários prédios que tentam monopolizar nossa visão.
A essa hora na escada a disputa entre os passantes é para quem vai chegar lá embaixo primeiro. O que me permite ouvir o som de um piano na escola de música vizinha. A cada dia soa melhor.
Novamente farol, pedestres, veículos, disputa.
Agora posso ver a entrada para o metrô Vila Madalena. Todos passam indiferentes a sua volta. Absortos com seus fones de ouvidos, cada um sempre mais apressado, mais atrasado. Não está permitido pausas.
Mas o bairro — Sumarezinho ou Vila Madalena, ninguém soube me explicar os limites entre um e outro — parece ignorar essa pressa, com seus muros grafitados, cheios de mensagens e cores, ou com suas padarias que parecem nos convidar para um café.
Então já é tarde. Entro no vagão e o bairro ficou para trás. Quem sabe amanhã. Afinal, passo quase o dia todo ali e ainda não o conheço bem.
