Dos pequenos gestos escassos que encantam


Eu acho que sou antiquada. Aliás, cada vez mais tenho certeza que sou… ou talvez saudosista por algumas atitudes de poucos humanos que foram românticos. Então, pergunto: onde foi parar o romantismo? Acho que se vocês homens soubessem a probabilidade que aumenta em você levar uma mulher pra cama, abrindo a porta do carro por exemplo, nem que fosse pela canalhice, vocês também dariam importância aos pequenos gestos.

Por quase 4 anos de namoro recebi flores no mínimo semanalmente. Na Itália, os dois únicos italianos que eu saí me surpreendiam com um presente fora de data específica, um presente de Natal pela preocupação de eu estar longe do meu país e não ganhar nada, ou um jantar em casa. Preciso confessar que até um ex meu que erra um pouco no time em fazer isso, já me surpreendeu com flores às 7h da manhã na minha casa e ao me presentear com a minha coleção de garrafas antigas da Coca-Cola só porque sabia que era a minha cara.

Outro dia conversando com um ex-namorado meu, o que fiquei 4 anos, mostrei a ele algumas coisas bobas, mas românticas, que ainda guardo do nosso relacionamento mesmo não tendo mais nada entre a gente. Ele então me perguntou o porque e, eu vi que guardava porque foi importante pra minha vida, foram demonstrações de carinho que dificilmente receberei mais.

Não, não tem nada deprê ao falar que dificilmente receberei mais, não tem nada a ver com autoestima ou com “A gente aceita o amor que acha que merece” (Do filme “As vantagens de Ser invisível”, que recomendo inclusive), mas sim com a pureza que as pessoas perdem com o tempo. O namorado que na época tinha 18 anos, não é o homem de 40 ou 50 que eu saio hoje e provavelmente já foi casado, já teve filhos e não se empolga muito em repetir tudo isso. E nem com aquele cara de 30 e poucos anos, que por vezes eu tento, que também teve suas decepções e é carregado de inseguranças.

Eu preciso confessar que desde que eu voltei para o Brasil, esse quesito foi só decepção. E olha que eu sou do tipo romântica proativa, vamos assim por dizer. Faço jantar, escolho vinho – e modéstia à parte faço isso bem – escrevo cartas, compro ingresso para Pearl Jam, saio de casa de madrugada e cruzo a cidade por alguém que está passando mal, mas simplesmente não existe reciprocidade. Parece que são poucas as pessoas interessadas nisso… e matematicamente, considerando probabilidades de encontrar alguém com a mesma vibe, com objetivos similares, caráter similar e sexo compatível , eu tenho acreditado mais que vou ganhar na Mega Sena.

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