A Natureza das Artes Performáticas

Já vou me adiantar para evitar frustrações, não estou aqui para dar respostas, este título é uma proposta de pesquisa.

Esta pesquisa é uma Jornada de Aprendizagem Autônoma, ela é um desmembramento do Doutorado Informal que iniciei em meados de 2015 que nomeei Narrativas Audiovisuais de Ficção e seu Papel na Transição Planetária.

Ali eu formatei minha pesquisa enquanto roteirista, formada em cinema e conectada com iniciativas de transição de paradigma social e a tese é um projeto de série de ficção chamado Me Encontre na Contramão.

Em paralelo a este processo que eu informalmente já estava realizando há tempos, eu tinha uma inquietação muito grande com o lado das artes performáticas.

Em 2014 eu participei de um workshop da NYFA aqui no Brasil, e ao assistir os exercícios de interpretação, uma parte me encantava e outra me intimidava. Mas eu não sabia se esta intimidação (que eu não senti apenas ali) era algo da minha zona de conforto querendo dominar, desafios pessoais que eu precisava enfrentar, ou se era algo com o qual eu não ressoava mesmo.

Em 2015 eu tive a satisfação de entrar em contato com uma metodologia linda chamada Teatro Social da Presença. Ela não é focada em atores, mas é um trabalho de escuta do corpo e interação. Ali eu comecei a entender necessidades minhas para as quais ainda não havia me atentado. Dali eu comecei pouco a pouco a ter mais coragem de me conectar mais com a área que sempre me atraiu e nunca me sustentou.

E depois de uma certa intenção, quase 1 ano depois, fiquei sabendo de um curso de teatro incrível em um espaço que opera na frequência do Sincronário da Paz (uma das minhas ferramentas de base na vida). Foi um presente perfeito, ali eu pude me conectar mais diretamente com esta arte, entender de uma linhagem com a qual me identifico e via pessoas que estão nesta pela arte, não outras consequências. Foi o pacote perfeito de local, data, pessoas, valores. Mas foi um período curto, foi um comecinho.

Dali eu comecei a pesquisar mais, li um pouco da bibliografia de Stanislavski e antes disso tudo eu havia cursado um MOOC (são muito poucos os moocs desta área, mas existem!) de biomechanics do Meyerhold. Passei meses me conectando com algumas ferramentas diferentes e vou listar aqui um pouco do que já fiz e quais são meus planos para este D.I.

Deixo claro que a intenção disso tudo é uma conexão profunda com esta arte, descobrindo-a em diferentes níveis. Pois não estava fluindo para mim ir direto para a parte técnica, como eu fiz em cinema. É muitas vezes pesado e frustrante passar por processos desta forma, e com esta arte acho pessoalmente mais complicado, porque com escrita eu posso escrever sozinha e entregar depois, edição também permite. Em reuniões ruins eu posso escolher participar pouco e resolver algo no paralelo em turmas menores, mas aqui é diferente. A comunicação é direta e para que isso se inicie eu preciso sair de algum lugar e interagir diretamente com outros indivíduos. Como eu pessoalmente tenho vários traços que tendem para o espectro introvertido, é difícil sair assim e até agora encontrei muito poucas ferramentas e oportunidades que contemplem este perfil.

Vamos lá então para as referências:

  • CORPO:

Teatro Social da Presença — Metodologia do Presencing Institute tem algumas pessoas que facilitam no Brasil (este eu indico mesmo para quem não tem interesse em fluir por esta área, é uma extensão da Teoria U para o corpo)

experimentei diferentes estilos de Dança: Algumas rodas de danças circulares — existem eventos recorrentes como Ilumina Sampa em SP

Dança Indiana; Dança Afro: Forró; Ecstatic Dance; Praticas de Consciência corporal via dança contemporânea — Para mim tem sido essencial experimentar diferentes exercícios e práticas, conhecer movimentos com os quais eu não estava acostumada, me conectar com ambientes diversos e então ir sentindo no que me aprofundar.

Artes Marciais: Eu já conhecia Tai Chi e havia participado de práticas em 2 ambientes e com grupos diferentes. Fiz uma aula de defesa pessoal baseada em Kung fu e depois decidi me matricular para 1 mês de aulas.

Yoga: pratico há cerca de 2 anos, com instrutores e amigos sempre que possível, mas se não consigo ir até uma aula faço uma prática mais curta em casa ou no parque.

  • INTERPRETAÇÃO

Curso (Re)Conhecendo Stanislavski— Oportunidade de aprender mais de ações físicas do método de "estúdios" de Stanislavski. Muito válido também para quem não é ator, mas esta conectado com dramaturgia de alguma forma.

Moocs / Online: na https://www.futurelearn.com/ eu encontrei alguns de biomecânica do Meyerhold, existe a perspectiva de alguns estudos de Shakespeare também.

Youtube: Pode parecer besteira, mas achei alguns vídeos interessantes de aulas de teatro com personalidades famosas, a que eu mais curti e recomendo é da Uta Hagen.

Participei também de algumas dinâmicas de jogos teatrais, mas por mais que algumas vezes eu ache divertido e sempre aprenda algo, isso ainda é algo que me desafia e tento entender como melhor operar. De modo geral eles não são feitos levando em conta os introvertidos e sinto que para mim compromete muito a conexão e performance.

  • CANTO:

Até agora não me dediquei muito a esta área. Peguei alguns exercícios com minha irmã que já fez aula. Comecei um mooc da Udemy chamado Curso Vocal. Tenho frequentado práticas informais com rodas, mantras, etc para usar a voz. Mas já esta nos planos frequentar um coral também.

  • LEITURA:

Comecei oficialmente com uma bibliografia de Stanislavski como:

Minha Vida na Arte e El Evangelio de Stanislavski

Acabei encontrando em um bazar do desapego alguns títulos curiosos, estou lendo:

El Metodo del Actors Studio (confesso que tenho sérias questões com o método do Strasberg, mas quero ter uma opinião mais embasada)

Lucid Body— Uma descoberta impressionante que surgiu desta pesquisa, estou adorando conhecer este método que usa os Chakras como base de estudo e propões vários exercícios bacanas. Em cada capítulo estou encontrando referências interessantes e logo mais vou participar de um workshop da metodologia aqui mesmo no Brasil (falar o que das sincronicidades)!

Tem mais alguns livros que não estão comigo no momento e outras práticas e experimentos pontuais que posso ter deixado de fora nesta lista. Logo mais vou atualizar em outro post. Mas já listo aqui os próximos passos da lista:

Método Fendelkrais — pretendo experimentar a técnica. Já assisiti vídeos introdutórios e me inscrevi para o curso básico no https://feldenkraisonline.net/, mas o plano é testar presencialmente.

Parkour — curti a conexão com artes marciais e ainda quero aprender e praticar mais, mas uma das grandes metas neste primeiro momento de preparo é parkour.

Workshop Lucid Body: Animada demais! Em meados de março estarei praticando esta metodologia incrível, depois veremos os próximos passos.