O feminino não escrito

Outro dia chegou por aqui minha encomenda do livro A Jornada da Heroína da Maureen Murdock, que eu já estava pesquisando tem um tempinho. Iniciei a leitura e estou mergulhando a cada parágrafo nas questões que ela trabalha ali.

Como escritora eu já estava familiarizada com a Jornada do Herói e visto algumas outras ferramentas. Mas isso aqui é outra perspectiva, porque propõe a cura do feminino e do masculino, e não apenas para mulheres. Afinal toda a sociedade precisa disso, é nossa relação com o planeta Terra, com a natureza, a visão de mundo!

Enfim, eu fiz um vídeo comentando um pouco destas questões, mas quis deixar aqui um apanhado das representações de feminino nas telas via personagens mulheres.

Elas possivelmente tem uma série de defeitos, mas são representações humanas, então eu pessoalmente não entrei em um julgamento psicológico, acadêmico, etc. Mas caso algum apontamento muito importante te ocorra, por favor deixe seu comentário para ampliar a discussão.

Erica Strange — Uma das minhas séries favoritas de todos os tempos e mídias é Being Erica e sinto que ela representa uma coisa bacana, uma mulher que vai dos 32 aos 35 anos representando juventude e descoberta de vida, com uma personagem que revisita diferentes fazes de sua vida. Ela é atrapalhada, é sensível, topa correr riscos e não se encaixa com facilidade em padrões sociais. Na série tem várias outras mulheres interessantes como a melhor amiga Judith, afro-descendente advogada bem sucedida e mãe de primeira viagem, a chefe e posteriormente sócia Julianne, uma overachiever bonita e competitiva que tem um conflito com sua irmã "inteligente" e entre outras personagens temos ainda a irmã de Erica, Sam, uma médica que vive conflitos com o casamento recente e se empodera pouco a pouco.

Lauren Cooper — Faking It é daquelas séries que pela sinopse e chamada na TV eu não tinha vontade de assistir. Mas quando vi parte de um episódio comecei a acompanhar um pouco e vi que não era nada do que eu imaginava. A série usou o ambiente teen com um pano de fundo da discussão de gênero para nos apresentar personagens realmente complexos que você tem vontade de acompanhar a trajetória. As protagonistas tem uma construção interessante, mas a Lauren é a personagem mais intrigante da história, a típica bitch, que quer mandar na escola para que as coisas sejam do seu jeito, contra as novidades moderninhas, moça de valores antigos que participa de concursos de miss, tem cabelos impecáveis e tudo muito calculado, pois quer esconder que é intersexo. E assim vemos suas dificuldades com relacionamentos românticos e em trabalhar seu gênero sem se tornar ele. 
Obs: O feminino dela é super problemático, cheio de estereótipos e imposições sociais fortíssimas, mas sua situação particular trabalhada desta ótica é a beleza deste retrato e um fortíssimo questionamento.

As mulheres de Marvel's Agents of Shield (1ª temporada): Confesso que na época me surpreendeu um pouco ver um time feminino representado daquela forma em uma série com este tema. Ok, elas são sensualizadas e não representam muita variedade racial, mas é um começo. Além disso temos uma hacker, uma cientista e uma chefe ninja sem as quais a equipe não caminharia.

Tris Prior — Eu vi alguns dos filmes e li alguns dos livros, mas vou focar no Divergent. É uma menina que eu já li antes em outros tipos de narrativa menos apocalípticas, mas ainda assim trazer a questão da coragem na luta física em meio a uma visão ampla do campo merece um comentário, além dos outros exemplos femininos que ela tem como sua amiga Christina e sua mãe.

3 Teresas — as três representando diferentes aspectos de ser mulher em diferentes gerações. Trabalha a questão familiar e mãe e filha, além do avó/ neta. Não é um trabalho aprofundado na cura do feminino, mas não é sempre que temos um núcleo feminino tão presente, com gerações distintas e diálogos entre as mulheres.

Crazy ex-girlfriend — Esta série é do netflix e eu vi como uma comédia para distrair achando tudo muito louco. Tem muitas coisas que poderiam sair do óbvio, mas é pela graça, então deixamos. O trabalho até que vale conferir, mostrando diferentes personagens mulheres entre construções e desconstruções. Destaque para Paula Procter a melhor amiga da protagonista, uma paralegal na faixa dos 40s, mãe, com todo o potencial de ser a amiga não muito bonita ou atraente, que é a mãe de classe média americana de cidade meio sem graça e vai se tornando uma força na história, com profundidade de personagem e mostrando que tem grande valor.

Tem mais exemplos, mas vou deixar para outro post para não ficar muita info de uma vez só.

Só adianto que a lista é uma questão de personagens que saiam um pouco da representação de "mocinha" vilã; mama bear, etc. Pessoalmente acho bem ruim quando um arquétipo é representado de forma reduzida.

A "menina bravinha" que bufa com tudo e teve a infância difícil, mas vive bem e é salva com seus amigos bonzinhos.

Ou a "alternativa" que veste bandanas, é vegetariana, mas no fundo tem outras vontades e é incoerente.

Então para finalizar deixo o link de um vídeo divertido, reflexivo e que ilustra bem a situação que estou comentando no post:

https://youtu.be/doYkrYCw3W4