Para Todos

Av. Aberta para pedestres, trânsito sendo desviado no início de noite e com vista para o mar. Brindes são distribuídos para a população, e as ruas lembram uma espécie de réveillon ou carnaval.

Naquela mesma avenida, passarelas e calçadões que eu descobri poucas horas mais cedo que o poeta Vicente de Carvalho defendeu décadas atrás de virarem uma gigante linha de condomínios, agora reina uma certa falta de bom senso. Música muito alta em um show curioso, muitos acompanham já embriagados e poucos passos adiante crianças brincam de correr no lado da rua que não esta fechado para os carros sob olhos distantes de seus "responsáveis", outros brincam de lançar objetos luminosos para o alto enquanto as pessoas passam ao lado. Uma fila que vai além da visão como estamos acostumados preenche a travessa com expectativa e curiosidade. E no meio de toda a mistura um grupo cerca de 1 dúzia de jovens protesta "Fora Temer", mas temo que dançar por uma garrafinha de refrigerante de marca seja mais interessante.

Nos hotéis e restaurantes rotina normal, exceto por algumas varandas com curiosos que acompanham com certa distâncias segura.

Neste mesmo hoje onde tudo isso acontecia, eu li no The Storytelling Animal que uma das projeções para o futuro é que as histórias sejam experienciadas por meio de realidade aumentada, com óculos para vida virtual, pois ela é ou logo se tornará mais interessante do que a "vida real".

Mas neste dia também foi celebrado o 2º dia do Uayeb, uma preparação de intenção e meditação para a passagem do ano galáctico no dia em que a estrela Sirius fica visível ao nascer do sol. É uma celebração do tempo da natureza, da arte da natureza, daquilo que Vicente defendeu ali mesmo que seja para todos e que eu desejo sinceramente que continue sendo aberto para todos, não apenas a areia da praia, mas a consciência de que a realidade não precisa ser melhorada com programas virtuais, ela pode ser melhorada se entendermos que a rua não é dos carros, que cidade ≠ prédios + asfalto e a natureza não é algo que fica lá longe no meio ambiente que não habitamos junto com os animais que são servidos no almoço no lugar aonde a poluição é uma das cores do espectro do céu.

Meu amanhecer do Dia fora do Tempo na grande cidade foi como o do título e espero que o despertar de todos os seres seja sempre colorido e harmônico. Luz!