Quem sou eu?

Aho rede linda,

Tenho sentido de escrever estes dias e aproveito que hoje é meu kinversário (o dia que minha assinatura galáctica pulsa no planeta) para me reconectar com vocês e quem mais sentir!

Uma das coisas que eu menos sei fazer ou me sinto confortável é me apresentar. Eu gosto que é algo que sempre muda e se adapta a cada ambiente. Mas era muito mais fácil quando eu podia dizer que era estudante e tinha menos de 20 anos de idade. Depois foi ficando complicado, principalmente porque depois que eu saí da faculdade eu praticamente não tive nenhum emprego ou cargo como gerente, assistente, ou qualquer outro destes. E quase ninguém entende. Mas estou contente com meu catalisadora de ideias, peguei emprestado da tormenta e sinto que me define muito melhor do que gestora ou CEO, etc.

Pois é tem sido uma longa e inspiradora jornada. Eu me formei em cinema, e me apresentar deste jeito em geral significa que o receptor me imagina como uma editora de vídeos de plantão, ou alguém que tem equipamento profissional e super manja de fotografia. Mas acontece que eu sou roteirista! Foi isso que me motivou e o que estudei mais a fundo. E sinceramente isso pouco significa no universo de apresentações, porque já me rendeu indicações para áreas bem distantes do meu objetivo. Eu escrevo docs e projetos, mas o que faz meu coração vibrar de alegria é ficção e como as narrativas transformam nosso olhar no mundo.

Eu comecei tudo isso pensando em personagens, e na verdade, já que é para ser sincera, eu queria atuar antes de saber que tinha uma escritora pulsando aqui! Eu estou muito contente com a minha escolha e depois de anos penando com projetos engavetados e um monte de gente me apresentando ideias que queria que eu fizesse, eu finalmente tomei coragem e puxei a prioridade para compartilhar com o mundo. Daí começa a nascer para além da ideia e do papel, Me Encontre na Contramão.

Ufa, já consegui assumir a parte 1. E junto no combo percebi que não tem escapatória, se eu não quero vender e entregar meus direitos, ou ter apoiadores que mudem a essência da historia, preciso me envolver com a produção também. Ai se vai uma bela aventura! Mas como diria Barney Stinson (how I met your mother, alguém?) Challenge Accepted! Agora a parte que ainda esta descongelando dos escudos do meu ser é a personagem, e assumir que vou mergulhar na frente da tela também.

Por que algumas vezes é tão difícil assumir algo só porque ninguém espera isso de você? Ou porque não parece adequado no contexto?

Nesta saga eu dei tanta volta, mas tanta volta, que depois de fazer 3 tipos de dança enquanto vendia cupcakes veganos por encomenda eu quase virei uma estudante adotada de biologia e desenvolvi até uma plataforma de aprendizagem lúdica para tratar a sustentabilidade na raiz. E depois de mais de 2 anos empreendendo, lancei um mitos e verdades, pois na era do é bonitinho trabalhar de graça e economia colaborativa da porta para fora, muito ainda precisamos caminhar para viver o que Otto Scharmer chama de 4.0! Na real eu adoro a ideia de viver sem $$, só que para brincar nesta sociedade não consigo pagar condução com cenouras ou iptu com aulas de dança. E particularmente acho super injusta a ideia de ter um trabalho que não gosta para poder fazer o que gosta. E morro de vontade de soltar uns “se você prefere pagar por anuncio me faça um enorme favor e saia da minha lista”. (Mas esta é totalmente outra discussão).

Respiro fundo e sigo, não vou desistir!!! (Já até escrevi uma personagem, a Disisti, baseada em mim mesma. Mas isso foi 8 anos atras)

Sampa já me deu vontade de desistir várias vezes, eu já não me senti bem vinda (e olha que nasci aqui) e já pensei que nada recebi desta cidade geralmente cinza. Só que nos últimos anos me conectei com vários movimentos legais e me vi parte de uma nova rede, aos poucos fui me cercando de pessoas que tem mais e mais afinidade comigo e surpresa: percebi que eu até gosto de SP, mas não sou apaixonada. E sinto que quero ver e viver outros cantos do mundo e deste Brasilzão e ter minha casinha com vista para as ondas verdinhas de um cantinho mais para cima no mapa deste país tropical, lá aonde o sol nasce umas 5:00 ( e eu sou da lua, em SP não levanto antes das 8:00 exceto em casos especiais).

Por isso mesmo é que eu posterguei alguns planos para ajudar a ativar um espaço de colaboração, aprendizado, contato e respeito a natureza e arte. Mas sinto de deixar claro, inclusive para não desapontar ninguém da rede ou soar incoerente depois, que não é meu plano de longo prazo. Eu estou fazendo isso com amor, e intenciono que flua por tempo indeterminado. Mas se a comunidade não se sustentar de coração (não apenas interesse) e mãos mais na massa do que no teclado, eu fico tranquila com o período que minha energia fluir.

Ontem eu estava dentro de um carro no transito de um dia de tempestade aonde boa parte da cidade parou dentro da água, nem caminhão passou. Metro, cptm, nada fluiu deixando tantos habitantes na espera sem muita escolha. E eu senti que deveria de uma vez fluir lá na contramão no nordeste, com vista para o mar. Eu admiro a persistência da galera que levanta cedo e mantém disciplina em um local que te exige tempo na fila, no transporte, custa tão caro e nos devolve clima de asfalto quente. Só que tenho pouca paciência para ancorar iniciativas sozinha (em 2 ou 3). Por que não vejo sentido nenhum em sustentar um estilo de vida que te deixa parado no alagamento, cobre os rios com asfalto, bota a culpa da saúde no mosquito, não acho que temos mais 2 anos para querer começar a movimentar mudança, e não acredito em mudanças meio termo. Por isso fiz as escolhas que fiz e as coisas acontecem na hora que devem acontecer.

Logo mais MENC se manifestando vou gravar no litoral, e depois da parte 1 teremos uma sequencia de episódios. E a Radiko é online por essência, se não for, não é mais Radiko, é outra coisa. Então no presencial será talvez: “me encontre para uma água de coco nas areias do nordeste”.

Eu já me acostumei com este local aonde tudo acontece, tem sempre movimento e não é que dá para escolher, é necessário escolher, porque fica tudo longe. Mas sinto que minha intuição me encaminha para um local aonde tudo esta mais próximo e alguns dias são apenas para você e o mar, e os parceiros de jornada. De construir mais distante dos ruídos. E acredito que a melhor maneira que tenho de contribuir com outros projetos é por meio de meus talentos, da arte e do que me conecta, não dividindo energia.

Afinal depois de anos de treino, estudo e pitch eu me peguei escrevendo uma apresentação do projeto de roteiro me justificando em minhas escolhas. E ficou claro que não fazia o menor sentido. Eu não escrevi por demanda, eu escrevi por um chamado do coração. Eu tinha e ainda tenho uma historia para contar, não porque é páscoa, não porque vende mais, não porque agora a situação mais urgente é… mas porque é ali que minha natureza esta inteira.

E eu dentro de merecimento, e sem deixar de ajudar a rede e os amigos, não quero mais me colocar em projetos aonde não esteja por inteiro. Se contasse a energia gasta preferindo estar em outro lugar eu deixaria dívidas para as próximas 18 gerações.

Então gratidão imensa por me acompanhar (de perto ou virtualmente), por ter ou não me apoiado (eu aprendi muito com as 2 coisas) e tomara que a conexão se fortaleça, afinal agora que tantos brotinhos nasceram e criaram raízes eles logo darão frutos e vou adorar compartilhar com você.

Eu só ainda não sei bem como me apresento…