Quem sou eu um ano depois?

Dois dias atrás eu abri o Medium para esboçar um post sobre como tem caminhado meu processo com o Doutorado Informal, e vi que alguém diferente tinha recomendado um texto meu de fevereiro de 2016.
Este texto era o Quem sou eu? . Eu reli os 6 min e reparei que ali já estava muito do processo que venho querendo compartilhar com as pessoas, muito da minha jornada pessoal nesta vida, que eu já havia falado ali parte do que gostaria de expor de modo geral.
Mas ainda assim, depois de um tempo as coisas caminharam mais. Eu ainda não sei bem como me apresentar, mas vejo algumas coisas de maneira um pouco diferente.
Na verdade de umas duas semanas para cá eu passei por um processo pessoal bem intenso e até me afastei um pouco das pesquisas e projetos (o que não é comum). Eu me senti afastada do meu propósito pessoal e confesso que no meio disso as coisas perderam um pouco de sentido. Percebi que eu não me reconheço sem as ideias que defini para mim, e ao mesmo tempo em que isso pode representar uma clareza de caminho, uma conexão com a minha energia própria e como encaminha-la em serviço à Terra, eu também estava me apoiando completamente nisso.
Ficou até difícil de me comunicar em algumas situações, porque quando me perguntavam de projetos ou o que eu fazia, eu já não sabia como responder, nem como disfarçar (eita, nem me reconheço). O vazio invadia meu centro e as respostas não fluíam. Saia apenas um "estou bem", "as coisas estão caminhando. Lentamente, mas caminhando" e outras respostas genéricas que me deixavam com a sensação de que estava tendo um lapso de memória, pois não me vinha nada e eu não sabia como continuar.
No meio disso eu participei de uma dinâmica nomeada Balada Terapêutica e ali em meio a movimentos, desenhos, meditações e trabalho com os chakras, mais uma vez eu me deparei com a ideia de que não devemos nos identificar completamente com nossa mente, que ela pensa que domina, mas não é bem assim.
Bingo!
Uma grande parte do que eu vinha me fazendo acreditar desde uns 12 anos de idade era que EU = MEUS PRINCÍPIOS e que minhas ideias eram aquilo que me definia.
Foi por isso inclusive que no exercício de persona, do sensacional livro Lucid Body, eu não tive dúvida de que o que predominaria seria a mente/ imaginação — chakra 6.
Eu ainda tenho muitas questões com aquela ideia que mão na massa é a única coisa que importa. Ressoo bem mais com o conceito do Dragon Dreaming que nos diz que é super importante haver um equilíbrio entre sonhar, planejar, realizar e celebrar. E a proposta do vai lá e faz, sem grandes reflexões ou sonhos por trás para mim não funciona.
O que eu entendi é que muitas vezes nosso corpo sabe bem mais do que a nossa mente deixa parecer. Que escondemos um monte de emoções e questões subconscientes que pensamentos diários e reflexões mentais não acessam, e que sem todas estas coisas somos apenas uma pequena parte de nós mesmo.
Eu não sei dizer exatamente como estava me sentindo em fevereiro de 2016. Sei um pouco do momento, no qual eu tocava com mais algumas pessoas uma iniciativa de casa colaborativa em pequeno experimento, que estava envolvida mais diretamente em alguns projetos de audiovisual, iniciando meus contatos com coletivos feministas da área e pensando em encaminhamentos de outros projetos.
Neste um ano os aprendizados foram muitos, o experimento da casa se encerrou e gerou muitas conexões e material de referência, eu facilitei pela Radiko minha primeira Jornada de Aprendizagem online, conheci e aprendi a fazer Kombucha, me aproximei da alimentação viva, me conectei bem mais com o Dragon Dreaming e fui até dar uma voltinha pelo oceano Pacífico :)
Foi então que ontem eu fui pouco a pouco percebendo um pouco melhor meu dia-a-dia e entendendo que importa mesmo muito pouco eu me apresentar como roteirista; ficcionista; cineasta; alguém que se formou em comunicação social com habilitação em cinema ou empreendedora social (de todos eu ainda prefiro meu cargo criado na Radiko, catalisadora de ideias).
Afinal, eu sou uma pessoa que gosta de escrever em diferentes formatos e tem um tanto de material já digitado e rascunhado por aí, eu me reúno semanalmente para criar, planejar e desenvolver programas de aprendizagem lúdica, eu faço kombucha em casa testando diferentes sabores, tomo café extraído a frio que eu mesma faço, toco bateria quando tenho tempo livre, experimento diferentes estilos de dança, tenho uma linda mini-equipe super alinhada que esta somando em um projeto que representa muito na minha vida e agora é nosso (Me Encontre na Contramão), eu ainda me irrito com desafios de comunicação e compromisso, adoro descobrir novos cantinhos veganos e me empolgo ao encontrar kombucha para vender em SP, amo o mar, e ainda passo muito tempo criando e imaginando os cenários das narrativas, personagens e etc. mas agora também planejando a execução e levando para corpo e voz um pouco disso, com o encaminhamento do meu D.I. 2.0 — A Natureza das Artes Performáticas.
Percebi já tem um tempo que eu não me sentiria completa e nem consideraria a pesquisa 100% se não levasse também para outro campo a construção narrativa e comunicação com o mundo. Eu comecei tudo isso com 13 anos criando uma personagem para mim, e agora vejo ela nascendo para o mundo em todos os sentidos, e como isso tudo é muito mais amplo do que quando eu comecei, mesmo que já estava tudo ali.
Confesso que algumas das reflexões nasceram nos dias em que eu estava concluindo a leitura de Paper Towns, que eu gostei muito e recomendo. É o primeiro romance do John Green que leio e ainda não assisti o filme, mas me identifiquei bastante com as reflexões que ele propõe.
Então não vou me preocupar muito em me apresentar e nem em atender as expectativas de ninguém. Somos o presente, nossa respiração e se tivermos merecimento, uma combinação de nossas naturezas pulsando em uma só voz e presença, trabalhando em favor daquilo que nos faz pulsar e comunicar genuinamente com o mundo que nos cerca.
sou muito grata ao processo e logo apareço aqui para contar o "currículo" do meu D.I.
