Viciada em textão

Alerta: esse é um textão sobre textão.

É que nas minhas redes sociais as pessoas parecem se incomodar com o abuso dos parágrafos, sabe? Mas é que existem pessoas (eu) que têm muito a dizer. Essa gente não fala muito bem, mas escreve. Às vezes sem motivo, às vezes sem pontuação, às vezes sem uma gramática de se admirar, só escreve.

Aí eu parei pra pensar: quem determinou que não é tranquilo alguém ter muito a dizer? Eu sei, eu sei, tem hora que enche o saco aquele monte de gente berrando palavras escritas todo o tempo. O mundo gira a todo segundo e o homem já pisou na lua, mas não encontrou ainda a fórmula que transforma tempo em dinheiro.

Mas essa repressão não me cheira bem. É que eu gosto de gente que vive sem medo de ser reprimido. Gente que fala mesmo, sabe? Sem medir as palavras, sem pensar duas vezes, sem se incomodar com o rumo que a conversa toma, sem pavor do barulho. Eu sou a favor da bagunça.

Sou a favor de falarmos mais, de escrevermos mais e de nos expressarmos mais. Sou a favor de quem tem sua própria personalidade e deixa claro pra quem quiser ouvir — ou ler. Sou a favor de quem aproveita todo o tempo dessa aventura doida que é viver. Sou a favor de quem tira da cabeça o que está pensado e compartilha com os amigos.

Então vai lá, faz teu show. Faz um texto gigantesco sem pensar na quantidade de parágrafos, eu leio. Me manda um áudio de 20 minutos no WhatsApp contando o que vêm à cabeça, eu ouço. Conta pra mim como foi o seu dia, eu escuto. Escreve mais sobre o que você ama, prometo me interessar também. Pergunta pro seu vizinho como foi o final de semana dele e me conta. Fala pra mim. Fala mais. Se abre mais.

O mundo precisa de mais textão.

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