Especial Dia dos Pais

Pra você que decidiu ficar em casa e escapar das reuniões de família, aí vão algumas dicas de filmes que abordam as dores e os amores de ter um pai. Dá para se emocionar sozinho ou chamar o velho para uma sessão pipoca à tarde depois da siesta.

O Patriarca ( Un padre no tan padre)

Foto divulgação.

Filme mexicano dirigido por Raúl Martínez Resendez, tem como protagonista Don Servando Villegas, interpretado pelo reconhecido ator Héctor Bonilla. Nome que deve soar familiar para os fãs da série Chaves. Héctor, na época famoso galã de novelas mexicanas, participou de um episódio no qual interpretava a si mesmo e arrancava suspiros das mulheres da vila.

Voltando ao filme, Don Servando é um ranzinza, preconceituoso e brucutu de quase nove décadas que acaba de ser expulso da casa de repouso onde vive depois de aprontar várias. Sem dinheiro e rejeitado pelos outros filhos é obrigado a morar com seu herdeiro mais novo Fran (Benny Ibarra) e descobre que tudo que sabia sobre ele era mentira.

O caçula na verdade mora em uma espaçosa casa com mais nove pessoas de diferentes partes do mundo e de todos os tipos, tem um relacionamento estável com Alma (Jacqueline Bracamontes) e é pai do jovem pintor Rene (Sérgio Mayer Mori).

Depois de um choque cultural e alguns mal-entendidos, o patriarca aos poucos vai amolecendo e aprendendo a conviver em paz, respeitando as diferenças de todos da casa. Além da ótima atuação de Héctor Bonilla o filme trata de uma maneira leve e muito divertida os conflitos entre gerações e suas diferentes formas de pensar e mostra que mesmo assim, com amor e respeito, é possível conviver em harmonia.

Capitão Fantástico

Cena do filme Capitão Fantástico. Copyright Bleecker Street Films.

O drama escrito e dirigido por Matt Ross conta a história de Ben (Viggo Mortensen) e sua família de seis filhos que vivem no meio de uma floresta, isolados da civilização. As crianças foram criadas em uma dura rotina caçando sua própria comida e escalando montanhas como prática de exercício, mas estão longe de serem chamados de selvagens. Todos falam vários idiomas e são obrigados a ler e debater sobre obras clássicas. O lema da família é “Abaixo o sistema” e “Power to the people”!

Depois de uma tragédia com sua esposa, Ben é forçado a abandonar seu estilo de vida, procurar seus parentes e ressocializar seus filhos. A mágica família enfrenta as adversidades e dores sem perder o bom humor, a união e o amor que sentem uns pelos outros até acharem um caminho de equilíbrio entre os dois mundos que conhecem. Viggo Mortensen foi indicado a vários prêmios por esse papel, incluindo o Oscar de melhor ator.

O longa traz um debate sobre realidades diferentes e mostra que nada em excesso, levado ao extremo é saudável. Super emocionante, ainda conta com uma versão bem particular da clássica canção Sweet Child O`Mine, da banda americana Guns n Roses que dá um toque sensacional em uma das cenas mais bonitas do filme.

Nebraska

Imagem do filme Nebraska

Woody Grant é um idoso, alcoólatra, veterano de guerra, que acredita ter ganhado um milhão de dólares após receber uma carta pelos correios. Tudo não passa de um golpe de marketing de uma revista localizada em Lincoln, Nebraska.

Mesmo orientado por sua esposa Kate (June Squibb) e seus filhos Ross (Bob Odenkirk) e David (Will Forte), o rabugento Woody tenta fugir várias vezes de casa e ir andando até a outra cidade resgatar seu prêmio. Até que David decide fazer a vontade do pai e eles embarcam em uma road trip rumo a Nebraska.

Durante o caminho o senhor Grant arruma várias confusões, bebe umas cervejas e acaba sofrendo um pequeno acidente, dando trabalho para o filho. Os dois então decidem fazer uma parada em Howthorne, cidade em que Woody cresceu, para visitar parentes que não viam há anos e lá se reúnem com Kate e Ross em uma grande reunião de família.

Ao reencontrar os velhos amigos e parentes ele logo conta sobre a carta e vira uma espécie de celebridade na pequena cidade por ter ganhado tanto dinheiro. A todo momento David tenta explicar que tudo não passa de um mal entendido e que a viagem é apenas uma forma de distração para o pai, mas todos acham que ele quer na verdade esconder o jogo e começam a cobrar por dívidas antigas que Woody supostamente tinha por ali.

O longa é todo em preto e branco e tem uma fotografia belíssima, as vezes meio sombria. As transições de um plano para outro no estilo de filmes antigos e a trilha sonora ajudam a criar uma atmosfera mais intimista. Tudo dirigido com maestria por Alexander Payne. Os cenários e as paisagens das estradas logo me lembraram a capa do álbum homônimo do Bruce Springsteen. Vale a pena ouvir depois.

Os personagens de personalidade forte nos transmitem suas emoções em cada olhar e expressão facial. O grande destaque é a interpretação de Bruce Dern (Woody Grant) que emociona e nos faz sentir empatia por ele a todo instante. O filme foi indicado a seis categorias no Oscar de 2014, entre Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Ator (Bruce Dern), Melhor Atriz Coadjuvante (June Squibb), Roteiro Original e Fotografia.