Las Herederas (As Herdeiras)
Maravilhosamente escrito e dirigido por Marcelo Martinessi o drama paraguaio conta a história de Chela e Chiquita.

Duas senhoras, herdeiras de famílias ricas, que estão juntas há anos passam por um declínio financeiro e precisam vender alguns de seus bens para sobreviver.
Chiquita (Margarita Irún) é extrovertida e parece encarar a situação com mais bom humor. Ela quem organiza as finanças da casa e mima Chela (Ana Brun) que tem dificuldade em aceitar a nova realidade e passa o tempo dentro de casa pintando telas e escutando música.
Quando Chiquita é presa por conta de um débito com a justiça, Chela que até então era sem inciativa, se vê diante de novos desafios e passa a ser chauffeur, motorista de um grupo de senhoras endinheiradas. Desempenhando esse serviço ela conhece Angy (Ana Ivanova) por quem passa a ter certa afeição e que a faz despertar para novas emoções e experiências.
A fotografia, a câmera à espreita na porta, o uso de pouco foco e o close-up no rosto de Chela são sensacionais! A trilha sonora e a “falta” dela, nas cenas de reflexão e silêncio, retratam com sutileza os sentimentos da personagem. Tudo isso unido a magnífica atuação de Ana Brun que realmente consegue falar apenas com o olhar. Aliás, a naturalidade das interpretações é fantástica.
O filme tem o elenco predominantemente feminino, em que os homens são apenas figurantes. Foi super premiado e destaque no Festival de Berlim e no Festival de Gramado que ocorreu mês passado. Poderia continuar escrevendo aqui sobre essa película incrível, mas vou deixar vocês terem o gostinho de assistir no cinema e conversar com os amigos sobre ela depois. Filmão!
NOTA:
Depois da tragédia imensurável do Museu Nacional e tantas conversas e textos lidos sobre a importância da história, ciência e cultura, é mais do que nunca o tempo de apoiarmos e valorizarmos a arte, de todas as vertentes. Não seria diferente com a senhora sétima arte. Vejo as salas de cinema tão vazias em sessões de filmes tão bons… O preço do ingresso não ajuda, eu sei. Mas que possamos tentar ir mais ao cinema! Apoiar o cinema independente, nacional, latino e ibero-americano, ou seja lá de onde for. Não espere ele chegar aos serviços de streaming ou na TV por assinatura! Assistir um filme na telona, tudo escurinho, é uma experiência única que não pode, nem deve, correr o risco de acabar.
