Não sei por onde começar a escrever todas os trágicos pensamentos que me ocupam neste momento.

Na dor de uma separação não sentida, na dor de não ter sido acolhida (nem por mim mesma). Buscando respostas e sentindo em um mundo cheio de pessoas problemáticas e egoista como eu.
Busquei abrigo aqui em um canto aonde posso ser só eu mesma, aonde ninguém sabe quem eu sou, aonde posso me expressar na real na verdade de um desespero que me consome dia após dia e que só me dei conta a poucos dias. Que venho sendo consumida por minha falta de coragem de olhar toda essa dor a minha volta. A coragem sempre foi a característica que mais admirava em mim mesma mas descobri que era só o medo escondido em um carcaça grossa que crie para sobreviver.
Sobreviver a um pai bebado tentando criar uma menina que sonhava que fosse homem. A uma mãe displicente que nunca conseguiu olhar para a filha ao irmão mais novo homem o sonho da família sabe aquele que carrega o mesmo nome de gerações ? Na solidão dessa família que por algum motivo lá em cima eu escolhi como minha.
Sobreviver a mim mesma também porque para ser sincera acho que nunca pude me olhar e ser simplesmente eu mesma. Uma agonia ao escrever isso é perceber que não sei nem do que gosto, não sei qual meu prato favorito, meu filme favorito, qual meu estilo de roupa, decoração ou sei lá mais o que não sei sobre mim mesma. Mais uma vez olho para minha profissão e me pergunto será que cheguei aqui porque eu escolhi? Ou foi a opção que a vida me deu e no desespero de sobreviver eu simplesmente me adaptei me moldei me encaixei e mais uma vez me esqueci, sobrevivi.
Nessa inércia a dias dentro de casa dormindo e enrolando para começar a escrever, enfrentar meu silêncio, ler minhas palavras caladas a tantos e tantos anos. Fugindo de mim mesma a tanto tempo, me comparando com todos que julgo amados e assim me adaptando para buscar amor em lugares que não são meus eu sigo vazia de mim mesma e uma pergunta que não cala dentro de mim do que será que eu gosto?! De quem será que eu ainda gosto? Desconfiando cada dia mais da honestidade e sinceridade das pessoas as minha volta, me excluindo cada vez mais nesse mundo vazio e desonesto que vivo comigo mesma.
Para onde olho veja um criança tentando atingir as expectativas dos pais, uma criança implorando por atenção e cuidado. Mas hoje tenho uma criança minha de 06 anos linda para a qual tento olhar todos os dias e mal consigo. De tantas feridas que a minha criança carrega mal consigo olhar e amar ela como merece.
Nessa confusão imensa sigo devagar, cansada, sozinha e triste. Mas sempre com um fio de esperança que tudo uma hora irá melhorar.
