Corredor

É como se você corresse, corresse, corresse para, no final, não saber mais aonde ir. Na verdade, nunca soube. Só sabia que precisava correr. Para chegar primeiro? Não, para se distanciar, cada vez mais, de si. Chegar perto não está nos caminhos possíveis. Chegar perto é perigoso. Chegar perto é muito perigoso! Você só precisa correr. Corra! Corra! Corra! Quando o caminho não mais existir. Quando a queda for a única forma de parar. Quando o risco for agir. Aí sim, você vai ver e sentir. O emaranhado que criaram para você rodar. A loucura que inventaram para você seguir. Não há caminho nem vitória que compensem. Não há caminho nem vitória, aqui ou ali. Há apenas você, sempre, todos os dias, sem saber aonde ir. Porque não há um lugar para ir. Invenções. Iludir. Para você, na verdade, nunca correr o risco de parar, perceber e rir do labirinto cada vez mais rápido, fundo e infinito que te leva, cada vez mais ágil, para longe de ti.

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