22.03.2016

Necessidade do retorno. Vou para voltar. Quero os caminhos, os atalhos. Convivo com o medo. Até não estranhar as vias principais. Me perder, mesmo conhecendo todas as rotas. Enquanto não, a angústia dos becos inevitáveis e das ruas desconhecidas, por menores que sejam os lugares. O que não conheço e temo, mas preciso encarar. Como uma língua estranha. Aprender os sons, as junções, construções. Até saber falar. Pedir água, comida, o essencial. Perguntar as direções até não precisar mais falar e os silêncios não doerem como estradas vazias quando não se sabe aonde ir. Será essa a grande jornada? Uma língua a se aprender, um caminho a se descobrir? Até conseguir o mínimo para chegar em casa sem angústias, sem o medo de se perder e não saber falar o dialeto daquelas gentes. Há os que gostem do medo, das perdas, das angústias. Eu quero a paz dos abraços conhecidos, o descanso da casa. Preciso do novo para me desafiar, apenas. Senão, eterna inércia. Parece que nasci para ela. Não teremos nascido, todos? Quero o movimento com direito a paradas e partidas intercaladas . Para ter a sempre e eterna necessidade do retorno. Desejo fino de casa. Há casa realmente? Vou para voltar!

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